Vilas de Juiz de Fora resistem ao tempo e guardam memórias da cidade

Vilas de Juiz de Fora resistem ao tempo e guardam memórias Entre o crescimento urbano acelerado, prédios altos e avenidas cada vez mais movimentadas, as vilas...

Vilas de Juiz de Fora resistem ao tempo e guardam memórias da cidade
Vilas de Juiz de Fora resistem ao tempo e guardam memórias da cidade (Foto: Reprodução)

Vilas de Juiz de Fora resistem ao tempo e guardam memórias Entre o crescimento urbano acelerado, prédios altos e avenidas cada vez mais movimentadas, as vilas resistem e guardam memórias de famílias, tradições e laços construídos ao longo das gerações que fizeram e mantém Juiz de Fora. São refúgios urbanos onde moradores compartilham calçadas, recordações e uma proximidade rara nos dias de hoje. Um verdadeiro sentimento de comunidade que se mantém vivo e contrasta com o ritmo frenético do portão para fora. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp No aniversário da "Princesa de Minas", que completa 176 anos neste domingo (31), o g1 percorreu diferentes vilas da cidade para conhecer histórias de moradores que ajudam a manter viva parte da identidade juiz-forana. Vila Irineu José: entre a tradição e a economia criativa Vila Irineu José (Meiuca) Em uma travessa da rua Manoel Bernardino, no bairro São Mateus, a Vila Irineu José chama atenção pelas casas coloridas, vasos de plantas e a circulação de seus dez moradores. O conjunto foi criado na década de 1940 por Irineu José Affonso, empresário do ramo da panificação. Hoje, a família ainda preserva a estrutura original e mantém vínculos com o espaço compartilhado por seis moradias. "Aqui existe uma história da minha família e da cidade. É uma coisa muito bonita que precisa ser preservada", declara com orgulho o neto do fundador e morador mais antigo do local, Francisco Irineu. Atualmente, quem passa pelo corredor da entrada logo vê que os moradores dividem espaço com a economia criativa: estúdio de tatuagem, cafeteria, escola de francês, salão de beleza, floricultura, loja de produtos orgânicos e até um ateliê especializado na restauração de obras de arte compõem a Vila Irineu José. A chegada dos novos comércios atraiu visitantes e transformou a dinâmica do local, mas sem perder o encanto e o fator surpresa. O tatuador e músico João Reis conta que a reação das pessoas que entram ali pela primeira vez é quase sempre a mesma: "O pessoal diz que não imaginava encontrar isso aqui, bem no meio do bairro. Todo mundo fala que parece uma vila da Itália". O sentimento de acolhimento é compartilhado por proprietários de outros negócios locais, que relatam que o espaço remete à sensação de "casinha de vó". A atmosfera única da Vila Irineu José também já atraiu o cinema. Em 2006, o local serviu de cenário para a gravação de uma das cenas do filme "Zuzu Angel", rodada no imóvel que hoje abriga o ateliê de restauração de obras de arte. Vila Caruso e a herança da imigração italiana Galerias Relacionadas No Centro de Juiz de Fora, na rua Batista de Oliveira, a Vila Caruso segue como um dos símbolos que carregam a marca da imigração italiana no município. O conjunto foi idealizado por Ercole Caruso, que chegou ao Brasil em 1927. Ele teve atuação marcante na circulação dos Diários Associados na cidade e participou do início das bancas de jornais locais, em uma época em que a informação corria as ruas de forma bem diferente da atual. Construída no fim da década de 1930, a vila nasceu com a proposta de abrigar familiares e conterrâneos que chegavam da Itália. O que começou como um espaço de acolhimento se transformou em um conjunto com 12 unidades que atravessa gerações. Hoje, descendentes da família ainda vivem no local. Para Itália Caruso, filha do fundador, o orgulho da vila é um sentimento que se mantém vivo na memória familiar. A forte ligação com a vila também é descrita pelo aposentado Roberto Maciel Gouvêa, um dos moradores mais antigos do local: "Ando nessa vila desde que usava fralda, porque era da minha bisavó, do meu avô. A casa vai passando de geração em geração." Ritmo de interior no Santa Helena Entrada da vila no bairro Santa Helena Érica Costa/arquivo pessoal No fim da tarde, crianças brincam na rua enquanto vizinhos conversam na porta de casa. A cena, cada vez mais rara em grandes centros urbanos, ainda faz parte da rotina de uma vila escondida entre casarões do bairro Santa Helena. Com cerca de 15 casas, o espaço preserva um ritmo mais pacato no meio do Centro de Juiz de Fora. Érica Costa trabalha na própria casa como Nail Designer Érica Costa/arquivo pessoal Moradora do local há mais de oito anos, Érica Costa transformou um dos cômodos da casa em que mora em um estúdio para atender as clientes. Segundo ela, o clima tranquilo da vila faz com que a movimentação intensa da região central seja esquecida da porta para dentro: "Nem parece que moro no Centro. Aqui é bem tranquilo e as crianças podem brincar na rua sem preocupação." Em uma cidade que cresce e se moderniza há 176 anos, as vilas seguem lembrando que alguns modos de viver resistem ao tempo, protegidos por portões discretos e corredores estreitos. VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes

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