VÍDEO: câmera de segurança registra momento em que jovem é atingido por 27 tiros disparados por PMs em SP

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VÍDEO: câmera de segurança registra momento em que jovem é atingido por 27 tiros disparados por PMs em SP
VÍDEO: câmera de segurança registra momento em que jovem é atingido por 27 tiros disparados por PMs em SP (Foto: Reprodução)

Exclusivo: SP1 revela imagens de ocorrência que terminou com morte policial Câmeras de segurança registraram o momento em que Gustavo Muniz de Santana, de 20 anos, foi atingido por 27 disparos de quatro policiais militares durante uma abordagem na madrugada deste sábado (10), em Moema, na Zona Sul de São Paulo. O jovem morreu no local. As imagens mostram Gustavo chegando à calçada de um estabelecimento na região e tentando se abrigar junto à parede. Em seguida, ele leva as mãos à cintura, pega um celular com as duas mãos e o aponta na direção dos policiais. A sequência dura aproximadamente 15 a 20 segundos (vídeo acima). Segundo o boletim de ocorrência, os PMs confundiram o celular com uma arma de fogo. Na versão apresentada pelos agentes, a equipe havia sido acionada pelo Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) após uma informação de que uma pessoa estaria tentando cometer suicídio. Ao todo, os quatro policiais dispararam ao menos 44 vezes, e as imagens também mostram que Gustavo foi baleado quando já estava no chão. Um dos policiais efetuou 14 disparos, sendo que as pistolas calibre .40 utilizadas pelos agentes têm capacidade para até 15 tiros. "Difícil encontrar uma justificativa técnico-legal para essa quantidade de disparos. O procedimento padrão da Polícia Militar para abordagem prevê um uso progressivo da força, o que significa usar de menos força para aumentar, conforme a gravidade da situação. É fundamental o uso das imagens produzidas pelas câmeras dos PMs para a investigação do que, de fato, aconteceu, nas circunstâncias dessa abordagem", destacou Giane Silvestre, pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência da USP. A Polícia Militar de São Paulo utiliza o Método Giraldi na formação e no treinamento de seus policiais. A técnica de treinamento policial é justamente voltada ao uso progressivo da força e à preservação da vida, com orientações para que os agentes atuem em situações de risco sem recorrer imediatamente ao disparo de arma de fogo. O coronel reformado José Vicente, especialista em segurança pública afirmou que a PM deve fazer uma revisão dos seus protocolos, já que existe um procedimento operacional padrão de abordagem em casos semelhantes. "Está faltando melhorar o treinamento, não só da formação inicial, mas melhorar o treinamento do dia a dia dos policiais, faltando recomendações mais claras, decisivas a respeito do protocolo. "Normalmente, a reação a uma ameaça desse tipo, que é iminente, emergente e perigosa, é dois tiros na direção do peito do oponente, que é uma medida internacional de reação. Dois tiros porque pode falhar um; no peito porque é a maior superfície na sua frente", explicou. Jovem morto já havia sido agredido em outras abordagens Gustavo Munis de Santana já havia sido abordado de forma violenta pela PM em outras ocasiões no bairro onde morava, segundo a advogada que representa a família. “Não é a primeira vez que isso acontece e não é a primeira vez que tem uma abordagem agressiva. Ele já foi agredido pela Polícia Militar antes”, afirmou a advogada Ana Facíllia Meira, que representa os familiares. Segundo a defesa, a família relata que Gustavo já havia sido alvo de abordagens policiais consideradas infundadas e violentas. Os parentes acreditam que o jovem era visto como suspeito por ser negro, apesar de morar na região. A defesa afirmou que acompanha o inquérito e está tomando medidas para preservar provas que possam contribuir para a investigação. Família contesta relato de tentativa de suicídio A advogada afirmou que Gustavo fazia tratamento psiquiátrico para depressão e tomava medicamentos antidepressivos. Segundo ela, porém, o tratamento não estava relacionado a episódios anteriores de tentativa de suicídio ou automutilação. “Era um tratamento depressivo que não envolvia nenhum tipo de episódio relacionado a tentativa de suicídio, a tentativa de automutilação, nem nada do tipo”, disse Ana Facíllia Meira. A família também afirmou que o jovem nunca havia tentado tirar a própria vida nem apresentado episódios de surto psicótico. O relato dos parentes contrasta com a informação inicial recebida pela polícia, de que Gustavo estaria ameaçando se matar. Homenagem “Eu devia ter te falado te amo mais vezes ❤️”. Foi com essa frase que a irmã de Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, prestou uma homenagem ao jovem nas redes sociais nesta segunda-feira (12), dia em que o corpo dele foi sepultado em um cemitério da capital paulista. A publicação traz fotos de Gustavo ao lado da irmã em diferentes momentos. Em uma das imagens, os dois aparecem abraçados; em outras, posam juntos para a câmera. A homenagem é acompanhada de um coração e expressa a saudade da irmã após a morte do jovem. Gustavo foi morto na madrugada de sábado (10), durante uma abordagem policial em Moema, na Zona Sul de São Paulo. Segundo o boletim de ocorrência, quatro policiais militares dispararam 45 vezes contra ele. Gustavo foi atingido por pelo menos 27 tiros. O objeto que os agentes confundiram com uma arma de fogo era, na verdade, um celular. Os quatro policiais envolvidos na ocorrência foram afastados das atividades no domingo (11), após a Polícia Militar analisar as imagens das câmeras corporais utilizadas pelos agentes. Apesar disso, quase 60 horas depois da morte, a Polícia Civil ainda não havia recebido a íntegra das gravações, consideradas fundamentais para esclarecer as circunstâncias da abordagem. Nesta segunda-feira (12), familiares e amigos se reuniram para se despedir do jovem, descrito por pessoas próximas como alguém querido, que gostava de ajudar os outros. Gustavo trabalhava em um hospital, cuidava de cachorros e tinha planos de cursar medicina veterinária ou engenharia mecânica. A morte do jovem é investigada pela Polícia Civil, por meio do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), e pela Polícia Militar. Jovem é morto com 27 tiros em abordagem policial em Moema, na Zona Sul de SP Reprodução/TV Globo Quem era Gustavo Munis Gustavo Munis de Santana tinha 20 anos, morava com a mãe e as irmãs, trabalhava em um hospital, cuidava de cachorros e era conhecido por ajudar pessoas próximas, segundo relatos de um vizinho que o conhecia desde criança. “É um moleque bom, gente boa, sempre que precisava ele arrumava bicicleta da minha filha”, disse o técnico de refrigeração Eguinaldo Ferreira à TV Globo. Eguinaldo Ferreira afirmou à TV Globo que conhecia Gustavo desde a infância. Ele também contou que o jovem costumava ajudá-lo com pequenos consertos. Segundo ele, Gustavo também cuidava de cachorros e trabalhava em um hospital. O que diz a SSP Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) afirmou que não tolera desvios de conduta de seus agentes e que as circunstâncias da morte são investigadas com rigor. A pasta informou que eventuais irregularidades serão punidas. O caso é investigado pela Polícia Civil, por meio do DHPP, e pela Polícia Militar, que instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar a conduta dos agentes envolvidos.

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