Vendido por R$ 6,75 milhões, Clube Palestra Itália marcou lazer de operários em Ribeirão Preto, SP; conheça história

Conheça a história do Palestra Itália, clube centenário que foi vendido em Ribeirão Preto A venda do Clube Palestra Itália por R$ 6,75 milhões a um grupo...

Vendido por R$ 6,75 milhões, Clube Palestra Itália marcou lazer de operários em Ribeirão Preto, SP; conheça história
Vendido por R$ 6,75 milhões, Clube Palestra Itália marcou lazer de operários em Ribeirão Preto, SP; conheça história (Foto: Reprodução)

Conheça a história do Palestra Itália, clube centenário que foi vendido em Ribeirão Preto A venda do Clube Palestra Itália por R$ 6,75 milhões a um grupo de investidores definiu um novo destino para o espaço de 19 mil metros quadrados na Rua Padre Euclides, no bairro Campos Elíseos, em Ribeirão Preto (SP). Prestes a completar 109 anos de fundação em outubro, a agremiação marcou a história do município por ter sido o principal ponto de encontro e lazer para as famílias de operários que atuavam nas indústrias locais ao longo do século passado (entenda abaixo). Nas últimas décadas, no entanto, o clube enfrentou um esvaziamento gradativo, perdeu associados e acumulou dívidas. Com a alienação do imóvel, a área que estava praticamente desativada será revitalizada pelos novos proprietários. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Para o historiador Felipe Souza, o local guarda a memória da formação da sociedade ribeirão-pretana, o que exige cuidado com a estrutura do prédio. "Os patrimônios que a gente tem espalhados pela cidade representam fragmentos de um passado que a gente pode identificar através principalmente da arquitetura", afirma. Vista do Clube Palestra Itália no bairro Campos Elíseos em Ribeirão Preto, SP Fabiano Minato/EPTV Clube de operários Fundado em 1917 por imigrantes italianos, o Palestra Itália viveu o seu auge esportivo e social entre as décadas de 1960 e 1980, quando chegou a registrar a marca de 8 mil sócios ativos. Segundo o historiador, a agremiação era o destino das folgas de trabalhadores de grandes empresas da região. "A maior parte era de operários, principalmente da Cervejaria Paulista e Antarctica, Companhia Mogiana, Cerâmica São Luís. Essas pessoas precisavam de um espaço para poderem socializar, praticar seus esportes, terem suas festas, assim como a alta sociedade também tinha na época", explica Souza. Clube Palestra Itália foi fundado em 1917 por imigrantes italianos em Ribeirão Preto, SP Reprodução EPTV O aposentado Adilson Jacometi, de 75 anos, é um dos sócios que acompanhou essa movimentação. Ele guarda a carteirinha desde a juventude e relata a importância das piscinas e dos salões em sua vida. "Desde o primeiro dia compramos um título. Inclusive, aprendi a nadar aí e tive um dos principais tempos do estado de São Paulo nadando. Eu só não vi a construção daquela piscina lá, o resto eu vi tudo aqui", relembra. LEIA TAMBÉM Clube Palestra Itália é vendido em Ribeirão Preto por R$ 6,7 milhões Queda no número de associados A partir dos anos 1990 e 2000, o cenário começou a mudar. A queda na frequência de público resultou na diminuição da arrecadação e no abandono gradual das instalações. Hoje, a estrutura centenária é mantida por uma pequena parcela de frequentadores. "Está abandonado. O clube hoje tem 40, 50 sócios só, e tem uns 300 remidos, que não pagam nada", afirma o aposentado. Para Souza, a mudança de hábitos da população e a nova configuração urbana motivaram o esvaziamento do espaço. "O lazer foi se readaptando ao longo do tempo. Foram criadas novas formas de sociabilização. A internet também funciona como um tipo de lazer frequentemente utilizado no nosso cotidiano. A vida ficou mais corrida, mais atribulada com trabalho. Então, muitas vezes os clubes vão sendo esquecidos", diz o historiador. Clube Palestra Itália no bairro Campos Elíseos em Ribeirão Preto, SP Fabiano Minato/EPTV Venda e pagamento de dívidas Após ser levado a leilão diversas vezes sem sucesso e chegar a ser avaliado em R$ 13 milhões, o imóvel do Palestra Itália foi comprado em conjunto pelas construtoras DZ Empreendimentos Imobiliários, de São Paulo (SP), e Golden Business, de Ribeirão Preto. O valor fechado em R$ 6.750.000,00 será pago com uma entrada à vista de R$ 2 milhões. O restante será dividido em 30 parcelas mensais de R$ 157,5 mil, com correção. Todo o dinheiro arrecadado será destinado ao pagamento de dívidas fiscais e trabalhistas. Os débitos afetam principalmente ex-funcionários dispensados durante o período de decadência do clube, entre 2007 e 2009, e trabalhadores que deixaram de receber na pandemia de Covid-19. O advogado Régis Carlos Gonzales, representante de parte dos ex-funcionários, aponta que o negócio resolve dezenas de ações pendentes na Justiça. "Essa venda representa a satisfação de 50, 60 processos que estão tramitando na Justiça do Trabalho. A maioria é oriunda de 2021. De lá para cá, esses créditos não foram satisfeitos. Acreditamos que esse valor vai conseguir satisfazer todos os créditos de natureza trabalhista", afirma Gonzales. Espaço de 19 mil metros quadrados foi vendido por R$ 6,75 milhões a grupo de investidores Reprodução EPTV Revitalização e 'destombamento' As construtoras responsáveis pela compra confirmaram que a intenção é manter o prédio original e revitalizar o centro esportivo para que volte a ser frequentado por moradores de Ribeirão Preto. O processo de reforma, no entanto, ocorrerá sem a proteção oficial do patrimônio histórico. O prédio chegou a ser tombado pelo município, mas a medida foi revertida recentemente. Segundo Felipe Souza, o "destombamento" ocorreu com base na Súmula 473 do Supremo Tribunal Federal (STF), sob a justificativa de que não havia mais motivação da sociedade para manter a proteção legal do imóvel. Apesar de o local não ser mais assegurado por lei, o historiador defende que a construtora preserve as características da época da construção. "Sem o tombamento, não tem mais essa seguridade legal. Porém, a gente espera que a boa vontade dos novos donos seja satisfatória. Hoje tem que ter acessibilidade, modificação nas estruturas para as pessoas poderem acessar com mais qualidade. Mas o que puder manter da arquitetura original, isso é muito bom, não só para o Palestra em si, mas para a história de Ribeirão Preto", conclui. Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

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