Treinamentos e reforço nas portarias: Veja medidas que devem ser tomadas após tragédia em escola no Acre
Educação de Rio Branco anuncia medidas após tragédia no Instituto São José, em Rio Branco Após o ataque a tiros ocorrido na última terça-feira (5) no I...
Educação de Rio Branco anuncia medidas após tragédia no Instituto São José, em Rio Branco Após o ataque a tiros ocorrido na última terça-feira (5) no Instituto São José, localizado em Rio Branco, que terminou com a morte de duas inspetoras, a Secretaria Municipal de Educação (Seme) informou que pretende reforçar a segurança nas escolas da rede de ensino. (Assista acima) A pasta estadual (SEE), bem como o Ministério Público (MP-AC) também anunciaram medidas. (Veja mais detalhes abaixo) 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp 👉Contexto: O ataque ocorreu no início da tarde de terça, dentro do Instituto São José, escola conveniada ao Estado. Segundo a polícia, o autor dos disparos é um aluno de 13 anos, que entrou armado na escola e atirou contra servidores e estudantes. As inspetoras morreram no local e foram veladas na quarta (6). Uma aluna de 11 anos e outra servidora ficaram feridas e receberam alta médica no mesmo dia. O adolescente segue apreendido. Em entrevista à Rede Amazônica Acre nesta quinta-feira (7), a secretária municipal de Educação, Kelce Nayra Paes, afirmou que a pasta já iniciou reuniões com setores da gestão municipal e forças de segurança para discutir medidas de prevenção e resposta a episódios de violência nas escolas. Ataque a tiros em escola no Acre deixa duas servidores mortas e alunos feridos Segundo a gestora, uma das ações previstas é a ampliação do projeto “Escola Mais Segura”, desenvolvido desde 2025 em parceria com órgãos de segurança pública, saúde e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). “Esse projeto é em consonância com as forças de segurança, com a educação do município e com a saúde. O principal objetivo é fazer com que os nossos servidores, agentes de portaria, professores e técnicos saibam detectar e intervir da melhor maneira possível em situações de violência para tentar diminuir os danos”, explicou. A secretária informou ainda que a prefeitura pretende promover capacitações periódicas para profissionais das escolas municipais, com treinamentos e simulações práticas de situações de emergência. "Estamos planejando um trabalho de três dias, que possivelmente será aplicado uma vez ao ano, no início do ano letivo ou a cada seis meses. Além das formações com profissionais da segurança, iremos conversar com o Samu para fazer simulações dentro das escolas", disse. LEIA MAIS: FUNERAL: Ex-alunos, amigos e familiares se despedem de inspetoras mortas em ataque a colégio no Acre RELATO: 'Professora mandou a gente sentar no chão e apagou a luz', diz aluna após ataque a tiros em escola no AC PERFIL: Saiba quem são as servidoras mortas a tiros em ataque dentro de colégio no Acre AULAS SUSPENSAS: Governo e Prefeitura de Rio Branco suspenderam as aulas Conforme a gestora, os alunos também devem participar das orientações, mas com cuidados específicos por causa da faixa etária atendida pela rede municipal. “Nós precisamos lembrar que as nossas crianças são pequenas. Vamos ter muito cuidado para que isso não acabe abalando ainda mais os estudantes. Mesmo sendo uma simulação, precisamos ter cuidado também do ponto de vista emocional”, acrescentou. A secretária também confirmou que a prefeitura discute mudanças estruturais, incluindo reforço nas portarias das escolas. A expectativa é que algumas medidas comecem a ser implementadas ainda neste mês. “Temos algumas leis já para serem implementadas e estamos em conversa para tentar implementar o máximo de ações possíveis para que essa segurança venha o mais rápido possível. Sabemos que temos agentes de portaria e câmeras, mas infelizmente nem sempre é suficiente para evitar uma situação dessas”, destacou. Educação Estadual também prevê reforço na segurança Rede Amazônica Acre Planejamento da Educação estadual A Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE) também definiu um plano de ação para enfrentar a violência nas escolas da rede estadual após o ataque. As medidas serão desenvolvidas em conjunto com órgãos de segurança pública. Entre as ações previstas, consta um encontro com gestores das escolas da rede estadual para repassar orientações e alinhar protocolos de segurança. A proposta inclui ainda o apoio de equipes de psicologia no acolhimento de alunos no retorno às aulas. A orientação aos gestores também envolve a identificação de possíveis sinais de mudança de comportamento entre estudantes, além da adoção de procedimentos para situações de risco dentro das unidades de ensino. Medidas do MP O Ministério Público do Acre (MP-AC) informou, em entrevista coletiva nesta quinta-feira (7), que também acompanha as investigações conduzidas pela Polícia Civil, bem como designou membros para atuação direta no caso. “Foi feita a oitiva do adolescente e o ajuizamento da representação por ato infracional, com o requerimento de internação provisória”, afirmou o procurador-geral de Justiça, Oswaldo Albuquerque. O adolescente segue custodiado aguardando a decisão judicial, além da análise de equipamentos apreendidos pela Polícia Civil. O prazo inicial para finalização do inquérito é de 30 dias, com possibilidade de prorrogação devido à quantidade de elementos e da complexidade do caso. "Está sendo feita [a análise] diuturnamente, a equipe está trabalhando nessas coletas para que a gente consiga solucionar isso o quanto antes", complementou o delegado-geral-adjunto, Martin Hessel. Albuquerque destacou ainda que o MP criou um grupo específico para atuação integrada no enfrentamento à violência nas escolas, além de ter anunciado a implantação de um centro voltado ao monitoramento de ameaças no ambiente virtual. “Também instituímos um centro de análise cibernética para monitoramento preventivo de redes sociais e ambientes digitais, com o objetivo de identificar, de forma antecipada, discursos de ódio, ameaças e conteúdos relacionados à violência escolar”, completou. MP-AC detalha medidas adotadas após ataque em escola de Rio Branco nesta quinta-feira (7) Richard Lauriano / Rede Amazônica Investigação O adolescente suspeito do ataque se apresentou no Comando-Geral da Polícia Militar, a cerca de 550 metros do colégio, pouco depois dos disparos e foi apreendido. A polícia informou que a arma usada no crime pertence ao padrasto do jovem. O homem chegou a ser conduzido à delegacia, assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e foi liberado ainda no mesmo dia do ataque. Segundo a Polícia Civil, duas linhas de investigação foram abertas: uma para apurar o ato infracional cometido pelo adolescente e outra para investigar a responsabilidade do padrasto pela guarda da arma. Além disso, o Ministério da Educação (MEC) determinou o envio de especialistas do Programa Escola que Protege ao Acre após o ataque. Após o ataque, o governo do Acre e a Prefeitura de Rio Branco decretaram luto oficial de três dias. As aulas das redes pública e privada foram suspensas até a próxima sexta-feira (8). Ataque ocorreu no Instituto São José, que fica no Centro de Rio Branco Reprodução/g1 VÍDEOS: g1