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Tranquilo e silencioso: veja características de jacaré gigante registrado em ilha do TO; VÍDEO

Pescador filma jacaré-açu gigante nadando tranquilo na Ilha do Bananal (TO) A espécie jacaré-açu, registrada por um pescador no Rio Javaés, na Ilha do Ban...

Tranquilo e silencioso: veja características de jacaré gigante registrado em ilha do TO; VÍDEO
Tranquilo e silencioso: veja características de jacaré gigante registrado em ilha do TO; VÍDEO (Foto: Reprodução)

Pescador filma jacaré-açu gigante nadando tranquilo na Ilha do Bananal (TO) A espécie jacaré-açu, registrada por um pescador no Rio Javaés, na Ilha do Bananal, em Lagoa da Confusão, região sudoeste do Tocantins, é tranquila e silenciosa. Também conhecido como jacaré-preto, o Melanosuchus niger, nome científico da espécie, usa essa tática como estratégia alimentar para não afastar a presa, segundo especialista. De tamanho gigante, o réptil avistado, gravado em outubro de 2025 durante uma pesca esportiva, tem em média entre 3 e 4 metros, mas pode chegar a até 6 metros e pesar cerca de 400 quilos, segundo a bióloga Michelle Granato Guastalla. De acordo com a especialista, a medição é feita a partir do comprimento craniano, que vai do nariz até os olhos, já que o animal fica a maior parte do tempo imerso na água. 📱 Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsApp Michelle é mestre em Conservação dos Recursos Naturais do Cerrado e, em entrevista ao g1, contou que todos os crocodilianos são ectotérmicos e, por isso, controlam a temperatura do corpo conforme o ambiente. É aí que, segundo ela, entra a forma ‘oportunista’ de obtenção de alimento. Estratégia de caça baseada no silêncio “Eles não saem ativamente à procura da presa. Esperam que ela se aproxime e, então, dão o bote. Quando a presa aparece, atacam rapidamente. Para que isso funcione, precisam ficar imóveis e discretos, para não serem vistos antes”, ressaltou. Segundo Michelle, é justamente por isso que eles são tranquilos e silenciosos, já que, se fizerem barulho, a presa percebe sua presença muito antes, diminuindo as chances de ataque. Quanto mais imóveis e calmos, maior é o sucesso na obtenção de alimento. A especialista disse que esse é o motivo que explica o comportamento dos animais de ficarem parados nas margens de lagoas, rios e córregos, aguardando. "Em outros momentos, nadam bem devagar pelo corpo d’água, para reduzir ao máximo qualquer barulho ou movimento que possa espantar a presa", concluiu Michelle. Pescador Jeová Lima filmou jacaré gigante na Ilha do Bananal (TO) Arquivo Pessoal/Jeová Lima A bióloga contou que, de maneira geral, os animais reagem de forma instintiva. Com o jacaré-açu, não é diferente, e, caso se sinta encurralado, o animal pode atacar, mas pelo instinto de sobrevivência. “Os crocodilianos, de uma forma geral, no Brasil atacam em resposta a uma ação humana. Por exemplo, a pessoa está numa palafita balançando a perna. O bicho vê e pensa que é um alimento, então ele morde”, disse. Espécie é comum em ilhas Lucélia Gonçalves Vieira é professora do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Goiás (UFG) e estudou a espécie do jacaré-açu em sua tese de doutorado, na Universidade de Brasília. Entrevistada pelo g1, a doutora falou sobre a Ilha do Bananal e os rios Araguaia e Tocantins serem ambientes comuns para a espécie. Ela disse que nesses locais há pouca presença de humanos e grande oferta de peixes. “O rio concentra muitos peixes, quelônios, como a tartaruga-da-Amazônia e o tracajá, além de aves aquáticas e alguns mamíferos semiaquáticos. A região do Rio Javaé, por exemplo, tem extensas áreas de várzea que aumentam ainda mais a disponibilidade de presas. Além disso, o rio passa por cheias sazonais que elevam a produtividade do ambiente e isso permite a esses animais atingirem tamanhos tão grandes”, disse. LEIA TAMBÉM: Pescador registra jacaré gigante nadando tranquilo na Ilha do Bananal: 'De estimação' Grande e forte: jacaré registrado em ilha no TO é considerado o maior da América do Sul Filhote de jacaré é encontrado em piscina, resgatado e devolvido à natureza; vídeo Predador essencial para o equilíbrio dos rios Lucélia destacou que existem seis espécies de jacarés no Brasil, listadas pela Sociedade Brasileira de Herpetologia, sendo o jacaré-açu o maior entre elas. A bióloga disse que a espécie exerce uma função fundamental no equilíbrio dos rios da bacia do Tocantins porque ocupa o topo da cadeia alimentar. “Na Ilha do Bananal, o jacaré atua diretamente na regulação das populações de outras espécies, controlando a quantidade de peixes de grande porte, quelônios (como tartarugas), aves e pequenos mamíferos”, disse. Lucélia ressaltou ainda que esse controle evita explosões populacionais que poderiam provocar desequilíbrios tróficos no ambiente aquático. “A presença desse predador contribui para a estabilidade do ecossistema, em um processo conhecido como cascata trófica. O jacaré-açu influencia o comportamento das presas, determinando onde e quando elas se alimentam, o que ajuda a regular o uso do habitat e a distribuição de energia no ecossistema. A ausência de um predador de topo pode alterar toda a dinâmica do rio, afetando várias espécies em sequência”, ressaltou a bióloga. Como é a Ilha do Bananal A Ilha do Bananal é a maior ilha fluvial do mundo e fica localizada na região sudoeste do Tocantins. O local abriga o Parque Nacional do Araguaia e dezenas de aldeias de três etnias indígenas. A área da ilha é de vinte mil quilômetros quadrados e ainda preserva, em grande parte, uma natureza intocada. A região abriga diversidade de espécies da fauna e da flora e é ponto de encontro entre os biomas do Cerrado e do Pantanal com a Amazônia. O vídeo do jacaré-açu na ilha foi gravado em outubro de 2025, mas foi postado nas redes sociais na terça-feira (6). O registro viralizou e foi repostado em vários perfis voltados à pesca e notícias da região da Ilha do Bananal. Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.