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TikTok inicia obra de mega data center no Ceará

Entenda o que é e como funciona um data center Já estão em andamento as obras para a construção do mega data center da big tech chinesa ByteDance, empresa ...

TikTok inicia obra de mega data center no Ceará
TikTok inicia obra de mega data center no Ceará (Foto: Reprodução)

Entenda o que é e como funciona um data center Já estão em andamento as obras para a construção do mega data center da big tech chinesa ByteDance, empresa controladora do TikTok, nas imediações do Porto do Pecém, no Ceará. O empreendimento é o pontapé do complexo de cinco data centers, com investimentos de mais de R$ 580 bilhões, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento e da Indústria. Com capacidade inicial de 200 MW de processamento, o data center em construção agora será o maior individual (de um único cliente) do Brasil e também será o primeiro voltado para a exportação - os dados processados aqui serão referentes a usuários de outros países. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Ceará no WhatsApp De acordo com a Omnia, empresa brasileira responsável pela construção da estrutura, as obras tiveram início em 6 de janeiro e encontram-se em um estágio de preparação do terreno, incluindo manejo de vegetação e serviços iniciais de terraplanagem. A previsão da empresa é que o primeiro data hall - a sala do data center onde estão reunidos os processadores, o 'cérebro' do negócio - deve estar em operação e ser entregue à ByteDace em setembro de 2027. O empreendimento está sendo construído no perímetro da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Ceará, uma área que concentra indústrias de exportação e recebe benefícios fiscais e alfandegários. A ZPE está localizada no limite entre os municípios de São Gonçalo do Amarante e Caucaia, com a instalação do data center ocorrendo neste último. Gigante chinesa vai investir bilhões em mega data center do TikTok no Ceará; ambientalistas questionam impactos 📍Zonas de Processamento de Exportação (ZPE) são áreas voltadas para a indústria e para exportação, com incentivos fiscais e regulações diferenciadas para atrair empresas; atualmente, existem quatro ZPEs no Brasil, incluindo a do Pecém, no Ceará. Além da estrutura do data center, devem ser construídos um parque eólico para abastecimento de energia e uma rede de transmissão de alta tensão. Na edificação do complexo estão envolvidas três empresas: a Omnia (braço do fundo de investimentos Patria, voltada para o setor de data centers); a Casa dos Ventos, que deve construir parques de energia renovável para abastecer o complexo; a chinesa ByteDance, que vai adquirir os equipamentos eletrônicos e operar o data center. A previsão do Ministério do Desenvolvimento e da Indústria é que, para erguer o complexo de data centers, sejam investidos mais de R$ 580 bilhões no local, entre a construção e equipagem do data center, as obras de infraestrutura e a abertura de novos parques de energia renovável. A obra recebeu uma licença prévia de instalação das autoridades ambientais do Ceará ao ser considerado um empreendimento de baixo impacto, mas o Ministério Público Federal (MPF) solicitou em novembro de 2025 uma perícia para analisar se seria necessário um estudo de impacto ambiental mais robusto. A perícia já foi concluída, no entanto, os resultados ainda não foram divulgados. Questionada pelo g1 se as empresas envolvidas tinham resolvido o imbróglio junto ao MPF, a Omnia respondeu que "reafirma seu compromisso com a responsabilidade ambiental, cumprindo rigorosamente todos os protocolos e exigências previstos no processo de licenciamento ambiental para a continuidade do empreendimento". Data center do TikTok deve ser o maior da região 📱 O Ceará é o terceiro estado em quantidade de data centers e em capacidade instalada, com 13 data centers em operação, atrás apenas de São Paulo (82) e Rio de Janeiro (28), segundo a Associação Brasileira de Data Centers (ABDC). Data centers regulares têm capacidade total de 10 a 30 MW. Em outubro de 2025, a empresa brasileira Tecto inaugurou na Praia do Futuro, em Fortaleza, o maior data center do Nordeste, com uma potência total de 20 MW, iniciando operação com 4 MW de potência de TI. LEIA TAMBÉM: Como funciona um data center? E por que ele pode consumir tanta energia e água? Primeiros data centers de IA no Brasil podem consumir mesma energia de 16 milhões de casas; conheça os projetos O “data center do TikTok” prevê dois prédios principais, somando 200 MW de potência de TI, superando toda a capacidade instalada no Ceará atualmente. A potência total chega a 300 MW, considerando o consumo dos outros maquinários do prédio. A energia é suficiente para abastecer uma cidade de cerca de meio milhão de habitantes. O projeto de estrutura do prédio, ao qual o g1 teve acesso, inclui os dois galpões principais, uma subestação própria de energia, reservatório de água e de combustíveis, uma guarita e uma extensa área de jardim que deve ser utilizada para novas construções em caso de futuras ampliações. Confira: Planta do data center com investimentos da ByteDance (TikTok), no Pecém (CE), tem dois prédios principais com processadores, uma subestação de energia e espaço para ampliação Reprodução Apesar de ter ficado conhecido como data center do TikTok, o projeto será construído pelas empresas brasileiras Casa dos Ventos e Omnia, que vão “alugar” a estrutura para a ByteDance. O mega data center deve ser exclusivo para exportação, processando dados para usuários de fora do país. Ele será instalado na ZPE do Pecém, entre Caucaia e São Gonçalo do Amarante, na Região Metropolitana de Fortaleza. O equipamento vai ocupar uma área de cerca de 68 hectares (ou 95 campos de futebol), às margens da CE-348, no território do município de Caucaia, a cerca de 2 quilômetros da Lagoa do Cauípe, importante corpo hídrico da região. Novo data center das empresas Omnia e Casa dos Ventos vai receber investimento da ByteDance, controladora do TikTok g1 CE Segundo a Omnia, o projeto vai utilizar o chamado sistema de refrigeração em ciclo fechado, no qual a água utilizada absorve o calor das máquinas e depois, em contato com ar, ela mesma é resfriada e volta novamente a passar pelas máquinas para absorver mais calor. Segundo a empresa, o modelo fechado "possibilita um baixíssimo consumo de água 30m³, equivalente a cerca de 70 residências médias", ou o correspondente a apenas 0,045% da demanda residencial total do município de Caucaia. A Omnia disse que a maior parte do consumo de água será para uso humano e predial, e "apenas cerca de 10% desse total utilizado para a refrigeração". O Conselho Nacional das ZPEs (CZPE) já concedeu ao projeto os benefícios fiscais usualmente concedidos às empresas exportadoras instaladas em ZPEs. O conselho estima que, em operação, o data center vai gerar 550 empregos diretos e indiretos. Nas obras de infraestrutura, 3.800. O sinal verde do CZPE veio com algumas condicionantes: todo data center instalado em uma ZPE, como o do TikTok, é obrigado a utilizar energias renováveis. As empresas devem construir um novo parque eólico e uma rede de transmissão de alta tensão, atividades especializadas da Casa dos Ventos. Data centers instalados em áreas de ZPE são obrigados a usar energias renováveis Thiago Gadelha/SVM Comunidade questiona dimensão do projeto Pelas suas dimensões, o data center gerou controvérsia entre ambientalistas, órgãos de fiscalização e comunidades indígenas do povo Anacé, que vivem nas proximidades e reivindicam a área como território indígena. Um dos pontos levantados é que o projeto recebeu uma licença prévia da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) apresentando um estudo ambiental simplificado, o mesmo que é exigido de obras de pequeno e médio porte. Além disso, há preocupações sobre os níveis de consumo de água da estrutura – e de onde essa água vai ser retirada. Os Anacé temem que o modelo de resfriamento exija grandes volumes de água e que esta seja retirada da Lagoa do Cauípe, principal corpo hídrico da região. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará: