Suspeito de usar IA para criar crianças doentes e forjar vaquinhas online é preso em MS

Grupo usava IA para forjar vaquinhas online com imagens de crianças doentes Um homem, de 26 anos, foi preso em Dourados (MS) na manhã desta terça-feira (14),...

Suspeito de usar IA para criar crianças doentes e forjar vaquinhas online é preso em MS
Suspeito de usar IA para criar crianças doentes e forjar vaquinhas online é preso em MS (Foto: Reprodução)

Grupo usava IA para forjar vaquinhas online com imagens de crianças doentes Um homem, de 26 anos, foi preso em Dourados (MS) na manhã desta terça-feira (14), durante uma operação da Polícia Civil do Rio Grande do Sul que investiga um grupo criminoso suspeito de criar falsas campanhas de doação na internet usando imagens de crianças com câncer. A prisão foi feita por intermédio da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira (DEFRON). O nome do suspeito não foi divulgado pela polícia. Segundo o delegado João Vitor Heredia, da Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos (DRCPE) do Rio Grande do Sul, o suspeito preso em Dourados é investigado por integrar o núcleo tecnológico da organização. Até a última atualização desta reportagem, 16 pessoas haviam sido presas em cidades de Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Paraná, São Paulo e do estado gaúcho. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp "Ele teria atuado na criação de sites falsos, administração de domínios e servidores e produção de vídeos manipulados com inteligência artificial e deepfake", afirmou o delegado. 🔍 O que é deepfake? Deepfake é uma técnica que usa inteligência artificial (IA) para alterar vídeos, fotos ou áudios, criando conteúdos que parecem reais. O delegado informou ainda que o investigado estaria vinculado a uma conta compartilhada por vários integrantes do grupo e teria recebido valores do principal núcleo financeiro da organização. A Operação Sophia cumpre 19 mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão. As ordens judiciais são cumpridas no Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Pernambuco. Suspeito forjava vaquinhas para aplicar golpe nas redes sociais. PCRS/Reprodução Núcleo digital Segundo a polícia, os suspeitos tinham funções específicas. Eles criavam e hospedavam sites falsos, registravam domínios e configuravam servidores. Também produziam páginas de pagamento e QR Codes Pix, além de vídeos, áudios e anúncios fraudulentos. Conforme a investigação, o grupo usava ferramentas de inteligência artificial, deepfake e clonagem de voz para tornar os golpes mais convincentes. Os suspeitos ainda compravam e administravam contas no Facebook e no Instagram, impulsionavam anúncios falsos e utilizavam recursos para ocultar a identidade e dificultar o rastreamento. Durante a investigação, a polícia identificou ferramentas usadas para manipular áudios e vídeos, sincronizar movimentos labiais, criar avatares, clonar vozes, remover metadados e esconder páginas fraudulentas. A investigação também encontrou indícios de que o grupo buscava novas vítimas em situação de vulnerabilidade, principalmente crianças com doenças graves. Segundo a polícia, isso indica que o esquema era contínuo e atuava de forma organizada. Como funcionava o golpe A investigação começou após a mãe de uma menina em tratamento contra o câncer, chamada Sophia, denunciar que fotos e vídeos da filha estavam sendo usados sem autorização. O material aparecia em anúncios patrocinados no Facebook e no Instagram para arrecadar dinheiro, mas a família nunca recebeu os valores. Segundo o delegado, o grupo usava inteligência artificial, deepfake e clonagem de voz para modificar campanhas verdadeiras e dar aparência de autenticidade aos anúncios. As publicações eram feitas por páginas falsas com nomes como "Clube de Doadores" e "Unidos pelo Amor". Ao clicar nos anúncios, as vítimas eram direcionadas para sites que imitavam plataformas de arrecadação, como o Vakinha. Nessas páginas, era gerado um código Pix, e o dinheiro era transferido para contas de empresas de fachada controladas pelo grupo. Apenas na campanha falsa que usava a imagem da menina que deu nome à operação, a polícia identificou o desvio de R$ 294,5 mil. A investigação também apontou uma empresa que funcionava como núcleo financeiro da organização e movimentou mais de R$ 1,7 milhão durante o período investigado. A Polícia Civil orienta que a população confirme a veracidade de campanhas de arrecadação antes de fazer qualquer doação. A recomendação é verificar as informações diretamente com a família ou instituição responsável e conferir se o nome do destinatário do Pix corresponde ao beneficiário da campanha. Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:

Fale Conosco