Suspeita de 'rachadinha' no Corpo de Bombeiros de Manacapuru é alvo de denúncia; militares deixariam posto no Balneário do Miriti

Batalhão do Corpo de Bombeiros em Manacapuru. Vinicius Assis/Rede Amazônica Uma denúncia encaminhada às corregedorias da Secretaria de Segurança Pública d...

Suspeita de 'rachadinha' no Corpo de Bombeiros de Manacapuru é alvo de denúncia; militares deixariam posto no Balneário do Miriti
Suspeita de 'rachadinha' no Corpo de Bombeiros de Manacapuru é alvo de denúncia; militares deixariam posto no Balneário do Miriti (Foto: Reprodução)

Batalhão do Corpo de Bombeiros em Manacapuru. Vinicius Assis/Rede Amazônica Uma denúncia encaminhada às corregedorias da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) e do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) aponta um possível esquema de "rachadinha" envolvendo bombeiros militares que atuam no Balneário do Miriti, em Manacapuru, no interior do Amazonas. Segundo o documento, ao qual a Rede Amazônica teve acesso, militares eram escalados para trabalhar no local, mas deixavam o posto antes do fim do turno. Ainda conforme a denúncia, parte do pagamento recebido pelos bombeiros seria repassada ao comando do batalhão. O Balneário do Miriti fica na entrada de Manacapuru, município localizado a quase 100 quilômetros de Manaus. O local é o principal balneário público da cidade e possui placas alertando para o risco de ataques de piranhas. Mesmo assim, recebe banhistas com frequência. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Moradores afirmam que a presença dos bombeiros no local é rara. Um deles, que preferiu não se identificar, relatou que os militares costumam aparecer apenas nos fins de semana. "Tá sempre vazio. Eles vêm pela parte da manhã... Final de semana. Vêm, batem uma foto e vão embora", afirmou. A Rede Amazônica também teve acesso a vídeos em que pessoas reclamam da ausência de bombeiros no balneário. Não foi possível localizar os autores das gravações. "Eu to aqui no Miriti, já é 12h30 quase, vai dar quase 13h e não tem um bombeiro aqui. Ainda agora teve uma situação que a gente teve que se virar 'nos trinta', não tem um bombeiro aqui pra salvar ninguém se acontecer alguma coisa." Local onde bombeiros deveriam ficar no balneário do Miriti está vazio. Vinicius Assis/Rede Amazônica Denúncia aponta escalas falsas e repasse de pagamentos De acordo com a denúncia enviada às corregedorias, bombeiros eram escalados oficialmente para atuar no Balneário do Miriti, mas não permaneceriam no local durante todo o período previsto. Segundo o documento, os militares recebiam normalmente pelas horas trabalhadas, porém parte do valor deveria ser repassada ao comando do batalhão. Um áudio anexado à denúncia reforça a suspeita. De acordo com a denúncia, a voz seria de uma tenente, que não foi localizada pela Rede Amazônica. "É para pagar, para comprar alguma coisa, não sei se é notebook, alguma coisa. É para a caixinha. Entendeu? Por isso que ele só pediu o nome de alguém, porque, quando receber o dinheiro... o dinheiro é do notebook, é da caixinha." O documento também afirma que o esquema teria sido organizado pelo comando do batalhão de Manacapuru, especialmente entre janeiro e abril deste ano. Ainda conforme a denúncia, a escala falsa de trabalho teria sido elaborada pelo comandante da unidade, tenente Emerson de Oliveira Silva. Um trecho do documento relata que os bombeiros envolvidos "vão só bater a foto no local do serviço e logo depois vão embora, adulterando data e hora das fotos georreferenciadas, por meio das configurações dos celulares". Lancha da corporação foi furtada A denúncia também relaciona a ausência de bombeiros no balneário ao furto de uma lancha da corporação, ocorrido no dia 14 de março. A reportagem teve acesso ao boletim de ocorrência que registra o desaparecimento da embarcação. A equipe da Rede Amazônica procurou o delegado responsável pelo caso, mas ele não quis conceder entrevista. Outro ponto citado na denúncia envolve doações de madeira feitas pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) ao Corpo de Bombeiros de Manacapuru. O documento pede que o destino do material também seja investigado, sob a suspeita de que a madeira doada tenha desaparecido. A denúncia apresenta dois comprovantes de doação, emitidos em junho e agosto de 2024, além de fotografias que, segundo o documento, registram a entrega da madeira. Um morador ouvido pela reportagem cobrou providências. "O governo, o governador, tinha que tomar uma atitude, porque isso não pode acontecer aqui no nosso município."

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