Senado dos EUA confirma ex-advogado de Trump para o cargo de procurador-geral

Todd Blanche, ex-advogado pessoal de Trump, foi confirmado como procurador-geral dos Estados Unidos. Rod Lamkey Jr./AP Photo O Senado dos Estados Unidos confirm...

Senado dos EUA confirma ex-advogado de Trump para o cargo de procurador-geral
Senado dos EUA confirma ex-advogado de Trump para o cargo de procurador-geral (Foto: Reprodução)

Todd Blanche, ex-advogado pessoal de Trump, foi confirmado como procurador-geral dos Estados Unidos. Rod Lamkey Jr./AP Photo O Senado dos Estados Unidos confirmou na madrugada deste sábado (8) Todd Blanche, ex-advogado pessoal de Donald Trump, como procurador-geral do país. A indicação foi aprovada por margem apertada: 50 senadores votaram a favor e 49, contra. Antes de ingressar no governo, Blanche atuou como advogado de defesa de Trump em diversos processos criminais. Desde abril, ele ocupava interinamente o cargo de procurador-geral dos Estados Unidos. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A confirmação ocorreu apesar das preocupações manifestadas por senadores republicanos sobre uma possível politização do Departamento de Justiça. Os críticos temem que Blanche atenda aos interesses de Trump, que desde a volta à Casa Branca defende o uso da estrutura federal para investigar adversários políticos. Embora já comandasse o departamento de forma interina, a confirmação pelo Senado deve ampliar a autonomia de Blanche para implementar a agenda do governo Trump. Agora no g1 Em publicação nas redes sociais, Blanche afirmou estar "profundamente honrado pela confiança" que o presidente Trump depositou nele e agradeceu aos senadores por permanecerem em sessão até tarde para concluir sua confirmação. A votação encerrou um processo de confirmação marcado por intensos embates políticos e por questionamentos, de republicanos e democratas, sobre a indicação de um aliado próximo de Trump para liderar o Departamento de Justiça, que tradicionalmente é visto como um órgão independente da Casa Branca. No fim, Blanche foi confirmado por margem mínima. Todos os democratas votaram contra sua indicação, assim como as senadoras republicanas Susan Collins, do Maine, e Lisa Murkowski, do Alasca. O principal obstáculo à confirmação de Blanche foi um acordo controverso firmado no âmbito de uma ação movida por Trump contra a Receita Federal dos Estados Unidos (IRS), que gerou forte resistência entre parlamentares republicanos. Sob pressão dos senadores, Blanche se comprometeu por escrito a abandonar a proposta de criação de um fundo de US$ 1,8 bilhão destinado a indenizar aliados de Trump (entenda mais abaixo). Ele também prometeu limitar uma cláusula do acordo que previa proteção a Trump e seus familiares contra auditorias da Receita Federal. As garantias apresentadas por Blanche convenceram o senador republicano Bill Cassidy, cujo apoio foi considerado decisivo para a aprovação da indicação. Cassidy argumentou que nenhum outro indicado teria melhores condições de conduzir o Departamento de Justiça em um governo Trump. Segundo ele, a experiência de Blanche como advogado de defesa do presidente pode ajudá-lo a lidar com eventuais pressões da Casa Branca. Já o senador Dick Durbin, democrata de Illinois e principal representante de seu partido na Comissão Judiciária do Senado, classificou a confirmação de Blanche como um "erro grave". “Se existe algum momento na história em que precisamos de um Procurador-Geral acima de qualquer suspeita, claramente dedicado a acabar com a corrupção, mesmo no mais alto nível do nosso governo, esse momento é agora”, disse Durbin. Lealdade a Trump A proximidade de Blanche com Trump permaneceu como uma das principais preocupações dos parlamentares contrários à sua nomeação e esteve no centro das discussões no Senado. Blanche assumiu interinamente o comando do Departamento de Justiça em abril, após Trump demitir a então procuradora-geral Pam Bondi. Desde que assumiu o cargo, Blanche adotou medidas alinhadas às prioridades políticas de Trump, incluindo o avanço de investigações envolvendo adversários políticos e o anúncio de um acordo que previa a criação de um fundo de US$ 1,8 bilhão para indenizar pessoas que alegam ter sido prejudicadas pelo sistema de Justiça criminal. O mesmo acordo também oferecia proteção a Trump e seus familiares contra determinadas auditorias da Receita Federal. A proposta provocou forte reação entre senadores republicanos e quase inviabilizou a confirmação de Blanche. Sob pressão de John Cornyn, do Texas, e Thom Tillis, da Carolina do Norte, ele formalizou por escrito a revogação do acordo. A medida destravou sua tramitação no Senado e permitiu que a indicação fosse aprovada pelo Comitê Judiciário no início da semana. Mesmo após a revogação do plano, alguns republicanos mantiveram resistência à indicação de Blanche, citando preocupações tanto com o fundo bilionário quanto com as salvaguardas oferecidas a Trump e seus familiares em questões tributárias. Na manhã de sexta-feira, Lisa Murkowski anunciou que votaria contra a confirmação de Blanche, juntando-se à também republicana Susan Collins. Segundo a senadora do Alasca, o país precisa de um procurador-geral capaz de "conter os piores impulsos desta administração". As dúvidas sobre a independência de Blanche em relação a Trump continuaram dominando o debate até a votação final. A preocupação decorre, sobretudo, da forte ligação profissional construída entre os dois nos últimos anos. De promotor federal a principal defensor de Trump Ex-promotor federal em Nova York, Blanche ganhou projeção nacional ao assumir a defesa de Trump em diversos processos judiciais. Entre eles estava o caso relacionado aos pagamentos feitos para silenciar uma ex-atriz pornô durante a campanha presidencial de 2016. No ano passado, Blanche assumiu o cargo de vice-procurador-geral durante a gestão de Pam Bondi. Na função, passou a supervisionar as operações diárias do Departamento de Justiça e ganhou protagonismo em temas de grande repercussão, incluindo a divulgação de milhões de documentos ligados às investigações sobre Jeffrey Epstein. Democratas afirmam que Blanche colocou sua proximidade com Trump acima da tradição de independência do Departamento de Justiça. Eles apontam como exemplos a abertura de investigações envolvendo adversários políticos do presidente, entre eles o ex-diretor do FBI James Comey, além das mudanças promovidas na estrutura da pasta. Durante a gestão de Bondi e Blanche, o Departamento de Justiça também registrou a saída de milhares de funcionários, entre demissões, pedidos de desligamento e aposentadorias antecipadas. Aliados de Blanche argumentam que sua experiência como promotor federal e a relação de confiança construída com Trump durante batalhas judiciais o tornam mais preparado para explicar à Casa Branca os limites legais das ações pretendidas pelo governo. Republicanos também destacam sua atuação em iniciativas voltadas ao combate ao crime violento, à imigração irregular e às organizações criminosas envolvidas com tráfico de drogas. Antes da votação, o senador republicano Chuck Grassley, presidente do Comitê Judiciário, manifestou apoio firme à confirmação de Blanche. Segundo ele, o procurador interino conduziu o Departamento de Justiça com competência desde que assumiu o cargo. "O Sr. Blanche é a escolha certa", declarou. Ainda não está claro se Blanche conseguirá atender às expectativas de Trump de maneira mais eficaz do que sua antecessora. Bondi acabou demitida após enfrentar resistência dentro e fora do Departamento de Justiça, em meio a disputas judiciais e questionamentos sobre a condução de investigações envolvendo adversários políticos do presidente. Pouco depois de Blanche assumir o comando do departamento, promotores formalizaram uma acusação contra o ex-diretor do FBI James Comey. O caso teve origem em uma publicação nas redes sociais que mostrava conchas organizadas de forma a formar os números "86 47", interpretados pelos investigadores como uma ameaça ao presidente. A defesa de Comey nega essa interpretação e pede o arquivamento do processo, alegando falhas e irregularidades na condução da investigação. Blanche também designou Joseph diGenova, ex-integrante do Departamento de Justiça no governo Ronald Reagan, para supervisionar uma investigação na Flórida que apura se integrantes de órgãos de segurança e inteligência atuaram de forma coordenada para prejudicar Trump ao longo da última década. Até o momento, não há indicação clara de que a apuração resulte em acusações criminais. *Com informações das agências de notícias Reuters, Associated Press e France Presse.

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