Relatório da PF tem imagens que mostram proximidade entre Daniel Vorcaro e Ciro Nogueira; veja FOTOS
PF aponta que Vorcaro pagava despesas de Ciro Nogueira A Polícia Federal enviou uma representação ao Supremo Tribunal Federal (STF) em que afirma que o ex-ba...
PF aponta que Vorcaro pagava despesas de Ciro Nogueira A Polícia Federal enviou uma representação ao Supremo Tribunal Federal (STF) em que afirma que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, dava um "tratamento privilegiado" e "diferenciado" ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), inclusive com o custeio de viagens internacionais de luxo. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia O documento traz imagens do parlamentar e do banqueiro em viagens e em situações de proximidade. Veja as fotos abaixo: PF envia imagem de Ciro Nogueira e Vorcaro em representação ao Supremo Tribunal Federal (STF) Reprodução Vorcaro e Ciro Nogueira em aeronave particular em Nova Jersey, em 16 de maio de 2024 Reprodução Vorcaro e Ciro Nogueira em Courchevel na França em 16 de janeiro de 2025 Reprodução Vorcaro e Ciro Nogueira em Courchevel na França em 21 de janeiro de 2025 Reprodução "Tratamento privilegiado" Na representação, a PF afirmou que o ex-banqueiro preso dava um "tratamento privilegiado" e "diferenciado" a Nogueira, inclusive com o custeio de viagens internacionais de luxo. A relação de Vorcaro com o parlamentar do Piauí chamou a atenção dos investigadores, pelo pagamento de acomodações de "elevado padrão", inclusive em hotéis de luxo no exterior. As conclusões constam de um documento da PF enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), cujo sigilo foi retirado nesta terça-feira (16). Esse relatório embasou decisões tomadas pelo magistrado no inquérito do caso Master. Conforme a representação da PF, o relacionamento entre os dois ia além da proximidade pessoal, sendo descrito pelos investigadores como uma "relação funcional e instrumental" voltada ao benefício mútuo. A representação destaca que, enquanto o parlamentar do PP atuava no Senado para defender interesses do banqueiro, Vorcaro retribuía com vantagens financeiras. Segundo os investigadores, essas vantagens incluíam: pagamento de valores mensais, classificados pela PF como uma espécie de "mesada" que, em alguns casos, atingia R$ 300 mil, chegando até a R$ 500 mil; aquisição de participação societária com expressivo deságio; custeio de viagens internacionais, incluindo passagens em jatos particulares, hospedagens em hotéis de luxo e despesas com eventos e restaurantes sofisticados. Além disso, a Polícia Federal aponta que o senador Ciro Nogueira teria utilizado o seu poder parlamentar para beneficiar os interesses do Banco Master, destacando a apresentação da "Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023", apelidada no mercado como "emenda Master". O texto da proposta teria sido elaborado pela própria assessoria do banco e entregue diretamente a Ciro Nogueira, inclusive com orientações de entrega do envelope no endereço residencial do senador. "O parlamentar apresentou a Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023, cujo conteúdo foi integralmente concebido por assessoria vinculada ao Banco Master, conforme evidenciado por comunicações obtidas no aparelho celular apreendido, metadados de arquivos e cotejo literal entre minutas privadas e o texto efetivamente protocolizado no Senado Federal", afirmam os investigadores. "A proposição legislativa detinha aptidão concreta para ampliar significativamente os negócios da instituição financeira vinculada ao grupo investigado, ao passo que transferia risco relevante ao Fundo Garantidor de Créditos, evidenciando potencial externalização de prejuízos ao sistema", completa a PF. O inquérito, que tramita no STF, aponta que o esquema contava com a atuação de terceiros e empresas interpostas para tentar mascarar a origem e a destinação dos recursos, dificultando a rastreabilidade financeira. Dono do Master, banco que foi liquidado pelo Banco Central, Daniel Vorcaro está preso em Brasília, onde tenta um acordo de delação premiada com as autoridades. No entanto, propostas de colaboração apresentadas pelo empresário já foram rejeitadas pela PF e pelo Ministério Público. Daniel Vorcaro está preso na Superintendência da Polícia Federal, acusado de irregularidades e fraudes financeiras. Viagens internacionais As investigações da Polícia Federal apontam que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro realizava o custeio sistemático de viagens de luxo e despesas pessoais do senador Ciro Nogueira nos anos de 2024 e 2025, utilizando frequentemente aeronaves particulares e serviços de luxo. O suporte incluía reserva de hotéis de prestígio, pagamentos em restaurantes sofisticados e até a compra de vestuário adequado para atividades como o esqui. Entre os destinos, estão Paris (França), Nova Iorque (EUA), Portugal, e Courchevel (França), destino dos Alpes franceses procurado por praticantes de esqui. Ciro Nogueira foi beneficiado em ao menos três ocasiões com voos internacionais em aeronaves particulares pertencentes a Vorcaro. Além de despesas, o ex-banqueiro custeou transportes nos destinos, reserva de chalés e atendeu a solicitações detalhadas de vestuário para a viagem de esqui de Ciro e de sua companheira. A Polícia Federal ressalta que o montante total gasto nessas ações de "mimos" e despesas de viagem ainda está em fase de apuração, mas afirma que, mesmo em um cálculo conservador, o valor supera R$ 500 mil. "O montante efetivamente pago por DANIEL VORCARO ao Senador CIRO NOGUEIRA em despesas de viagens internacionais, incluído o uso de jatos particulares, hotéis de luxo, restaurantes, entre outros itens ainda está em apuração, mas supera, com facilidade, a quantia de R$ 500.000,00, num cálculo extremamente conservador, ressaltando, mais uma vez, que citados pagamentos guardam relação direta com a atuação parlamentar de CIRO NOGUEIRA em prol dos interesses financeiros de DANIEL VORCARO", diz a PF. Ciro Nogueira nega irregularidades Em maio, quando Ciro Nogueira foi alvo de uma operação da PF relacionada às apurações sobre o caso Master, a defesa do senador afirmou que ele está comprometido "em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados", e está "à disposição para esclarecimentos". Os advogados acrescentaram que Ciro Nogueira repudia "qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar". "Medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas", diz um trecho da nota. Vorcaro e Ciro Nogueira em imagens do relatório da PF Reprodução