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Procedimento investiga paradeiro de itens de Chico Mendes no AC: 'Acervo pessoal não faz parte da denúncia', diz viúva

Ambientalista Chico Mendes foi morto em 1988 no AC Reprodução O acervo cultural de Chico Mendes, da Biblioteca da Floresta Marina Silva, que fica em Rio Branc...

Procedimento investiga paradeiro de itens de Chico Mendes no AC: 'Acervo pessoal não faz parte da denúncia', diz viúva
Procedimento investiga paradeiro de itens de Chico Mendes no AC: 'Acervo pessoal não faz parte da denúncia', diz viúva (Foto: Reprodução)

Ambientalista Chico Mendes foi morto em 1988 no AC Reprodução O acervo cultural de Chico Mendes, da Biblioteca da Floresta Marina Silva, que fica em Rio Branco, passou a ser alvo de um procedimento do Ministério Público do Acre (MP-AC) para apurar onde o material está armazenado e em quais condições de preservação se encontra. A medida foi instaurada por meio de portaria publicada no Diário Eletrônico do MP-AC e prevê uma investigação inicial com prazo de até 90 dias. 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp De acordo com o documento, a iniciativa foi tomada após chegar ao conhecimento do órgão a existência de indícios da necessidade de apurar a situação do acervo, considerado parte do patrimônio cultural brasileiro por seu valor histórico, social e simbólico. A viúva do ambientalista, Ilzamar Mendes, que detém a posse de itens pessoais do Chico, disse ao g1 que foi chamada pelo MP-AC para prestar esclarecimentos e reforçou que o procedimento não se refere ao acervo pessoal do líder seringueiro, mas ao da Biblioteca da Floresta Marina Silva. Acre enfrenta extremos do clima e legado de Chico Mendes aponta caminhos para o futuro Ainda segundo ela, os itens pessoais de Chico Mendes seguem sob guarda da família e nunca integraram o patrimônio do Estado. Ela também afirmou que a casa do ambientalista, em Xapuri, permanece aberta para visitação. “Quando fui chamada pelo Ministério Público, eu expliquei que o acervo pessoal do Chico é da família e continua com a família. A casa não está abandonada, está aberta, funcionando e recebendo visitantes. O que não está exposto hoje é o acervo pessoal, e ele não faz parte dessa denúncia. O que está sendo apurado é outro material, que não é o acervo pessoal do meu marido”, afirmou. Ao g1, a Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM) informou que também já prestou esclarecimentos ao MP-AC e afirmou que não possui, sob sua responsabilidade, o acervo de Chico Mendes. Segundo o diretor de Patrimônio Histórico da fundação, Ítalo Facundes, o material é de caráter particular e permanece sob a guarda da família do líder seringueiro. Facundes frisou ainda que não há registro documental de que o acervo tenha sido oficialmente entregue à instituição. Já os materiais que já estiveram expostos em espaços ligados à fundação, como livros, fotografias e painéis, não integram o acervo original de Chico Mendes. LEIA MAIS: Com imersão à luta ambiental, exposição homenageia Chico Mendes na COP30 Chico Mendes: Casa de líder seringueiro morto é reaberta após cinco anos fechada em Xapuri O objetivo da apuração do MP é garantir que o acervo seja preservado e protegido, conforme previsto no artigo 129 da Constituição Federal, que atribui ao poder público e à sociedade a responsabilidade pela conservação do patrimônio cultural. A portaria também estabelece que servidores da Promotoria Especializada de Habitação, Urbanismo e Defesa do Patrimônio Histórico e Cultural ficarão responsáveis pelo acompanhamento administrativo do caso. Casa de Chico Mendes Melícia Moura/CBN Amazônia Rio Branco Procurada pelo g1, Angela Mendes, filha de Chico Mendes e presidenta do Comitê Chico Mendes, explicou que o procedimento foi motivado por uma preocupação antiga com o que ela classifica como 'apagamento cultural no estado'. Segundo ela, o tema foi levado ao conhecimento de autoridades durante uma conversa institucional, na qual falou sobre a ausência de espaços de memória ligados ao líder seringueiro. “O que desencadeou esse procedimento foi uma conversa em que externalizamos a nossa preocupação com esse apagamento cultural do estado, dos espaços e dos personagens, principalmente do meu pai. A Biblioteca da Floresta era um espaço muito importante, tinha uma exposição permanente sobre ele, e a gente não pode, nesse momento em que é cada vez mais necessário falar do legado que ele deixou, permitir que a memória dele seja apagada”, afirmou. Angela ressaltou ainda que a Biblioteca da Floresta cumpria um papel fundamental na preservação da história e da cultura dos povos tradicionais do Acre. “A Biblioteca da Floresta era um espaço extremamente rico, com diversas dimensões. As pessoas podiam pesquisar, havia espaços lúdicos, exposições permanentes. Era um conceito muito incrível”, completou. Casa Chico Mendes, em Xapuri Melícia Moura/CBN Amazônia Rio Branco Legado O líder ambientalista possui uma casa que fica localizada em Xapuri, interior do Acre, e que foi reinaugurada em 2023, após ficar cinco anos fechada para reforma. Ainda no local, está a maior reserva extrativista do Acre que leva o nome do seringueiro. O seringueiro é conhecido como ativista ambiental, que lutou pela preservação e a favor dos seringueiros. Conhecido internacionalmente, o legado de Chico Mendes hoje é mantido pelos filhos, por meio do Comitê Chico Mendes e também outras ações. O ativista ambientalista foi morto com um tiro de escopeta em 22 de dezembro de 1988 enquanto tomava banho nos fundos de casa, uma semana antes, o líder seringueiro havia completado 44 anos. Reveja os telejornais do Acre