Petróleo é termômetro que mede a temperatura das tensões globais; entenda

Barril de petróleo cai quase 5% e fica em US$ 83,77 O barril de petróleo caiu nesta segunda-feira (3) quase 5%. Apesar do impasse entre o Irã e os Estados Un...

Petróleo é termômetro que mede a temperatura das tensões globais; entenda
Petróleo é termômetro que mede a temperatura das tensões globais; entenda (Foto: Reprodução)

Barril de petróleo cai quase 5% e fica em US$ 83,77 O barril de petróleo caiu nesta segunda-feira (3) quase 5%. Apesar do impasse entre o Irã e os Estados Unidos, o preço refletiu o cancelamento do ataque americano no fim de semana e a expectativa pela evolução do diálogo. Tem sido assim desde o começo da guerra: a cotação reage a cada desdobramento do conflito. O petróleo é um termômetro que mede a temperatura das tensões globais. A disparada em julho deixou evidente a fragilidade dos acordos entre Estados Unidos e Irã. E os ataques dos houthis do Iêmen aos petroleiros sauditas no Estreito de Bab-el-Mandeb agravaram a situação. Agora, o mercado ainda lida com mais uma incerteza, explica o economista Sérgio Vale. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia “O momento da guerra agora, de certa forma, é até pior do que a gente estava ali no final de fevereiro, começo de março, porque a gente está em uma situação mais complicada de estoques, não há sinal muito claro e concreto, de fato, de solução crível dessa guerra nas próximas semanas, nos próximos dias. E a tensão que se coloca é: quanto mais tempo dessa guerra, mais o risco de você ter quedas mais intensas de estoque e ver esse preço de petróleo começar a buscar números mais complicados”, diz Sérgio Vale, economista da MB Associados. Já aconteceu antes: o gráfico do valor do barril é uma linha do tempo dos conflitos. Em 2003, os Estados Unidos invadiram o Iraque e começou uma escalada de preços que durou cinco anos - impulsionada também pelo crescimento da China. A máxima histórica dos últimos 40 anos foi atingida em 2008 - quase US$ 144 o barril. Na pandemia, o mundo parou e os preços despencaram. O próximo pico foi em 2022, com a invasão da Ucrânia pela Rússia. Depois, veio um período de estabilidade até o ataque dos Estados Unidos ao Irã, no fim de fevereiro. Desde então, mesmo com alguns recuos, o valor do barril mudou de patamar: o preço mínimo não baixou de US$ 71. Petróleo é termômetro que mede a temperatura das tensões globais Jornal Nacional/ Reprodução Os especialistas explicam que o preço do petróleo não sobe toda vez que tem um conflito no mundo. Depende muito de quais são os países envolvidos e qual a importância de cada um deles na produção mundial. E é aí está outro problema do cenário atual. Dos dez maiores produtores de petróleo do mundo, sete estão envolvidos direta ou indiretamente em confrontos - seja a guerra no Irã ou na Ucrânia. Não dá para dizer que é por acaso, explica o professor de Relações Internacionais da USP Feliciano Guimarães: “Não é à toa que você tem muitas guerras em áreas que têm muito petróleo. Porque a taxa de lucro é muito alta, você tem uma dependência energética desse material. Todos os países do mundo dependem disso. O petróleo atrai as guerras”. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional LEIA TAMBÉM Brasil bate recorde na produção de petróleo em junho, diz ANP Alta do petróleo ajuda e arrecadação federal soma R$ 264,4 bilhões em junho, novo recorde para o mês

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