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‘Peço que cessem os comentários’: áudio revela que síndico pediu silêncio sobre desaparecimento de corretora em grupo de condomínio

Áudio de síndico em grupo do condomínio pedia para não falarem sobre corretora morta O Fantástico revelou novos detalhes sobre a morte da corretora Daiane ...

‘Peço que cessem os comentários’: 
áudio revela que síndico pediu silêncio sobre desaparecimento de corretora em grupo de condomínio
‘Peço que cessem os comentários’: áudio revela que síndico pediu silêncio sobre desaparecimento de corretora em grupo de condomínio (Foto: Reprodução)

Áudio de síndico em grupo do condomínio pedia para não falarem sobre corretora morta O Fantástico revelou novos detalhes sobre a morte da corretora Daiane Alves, assassinada pelo síndico do prédio onde morava. Até confessar o crime, Cléber Rosa de Oliveira mostrava frieza ao falar sobre o desaparecimento da corretora. Em um áudio enviado na semana passada no grupo do condomínio, o síndico alertava os moradores para não falarem sobre ela. “Bem chato esse negócio aqui. Eu vou pedir que cessem esses comentários sobre esse assunto no grupo”. Em um crime tão brutal, investigadores buscam entender o quebra-cabeça que transformou um conflito em uma morte anunciada. Segundo a família, tudo começou em novembro de 2024, quando Daiane passou a administrar os imóveis da família, que antes estavam sob responsabilidade de Cléber. Depois disso, outros condôminos também transferiram a gestão de seus imóveis para a corretora. “Essa questão da disputa de aluguéis é a questão de ele se sentir afrontado, de a Daiane nunca ter baixado a cabeça para ele e não aceitar as imposições dele. Eu acredito que isso mexeu com o ego dele. Aí as brigas ficaram mais acirradas”, afirma Fernanda Souza, irmã da vítima. O Fantástico mostrou como uma sequência de imagens, áudios e contradições levou à prisão de Cléber Rosa de Oliveira (saiba mais abaixo). LEIA TAMBÉM: Vídeos feitos por corretora foram fundamentais para a solução do caso e prisão de síndico, diz polícia Investigação Depois de 43 dias de investigação, a polícia de Goiás conseguiu desvendar a morte da corretora Daiane Alves, de 43 anos. A última imagem de Daiane com vida é de 17 de dezembro de 2025. Foi captada pela câmera do elevador do prédio onde ela morava, em Caldas Novas, no interior de Goiás. A corretora desceu ao subsolo e sumiu, sem deixar rastros. O mistério só acabou com a prisão de Cléber Rosa de Oliveira, que confessou o crime. O filho de Cléber, Maicon Douglas, também foi preso, segundo a polícia, por ter acobertado o crime e obstruído as investigações. "Quarenta e três dias esperando um resultado do que aconteceu com ela, e o síndico andando normalmente, aparando grama ali, cuidando da grama, sabendo que a minha filha estava jogada no meio do mato”, diz Nilse Pontes, mãe de Daiane. Cléber levou a polícia até o corpo e deu detalhes do que fez naquele dia. Ele contou no depoimento que abandonou a corretora já morta a uns 15 metros da rodovia, em área de mata mais fechada. Até confessar o crime, Cléber agia com frieza sobre o sumiço da corretora. Vídeos feitos por corretora foram fundamentais para a solução do caso e prisão de síndico, diz polícia Fantástico/ Reprodução Em um crime tão brutal, é preciso entender o quebra-cabeça que fez deste conflito a história de uma morte anunciada. A família conta que tudo começou em novembro de 2024, quando Daiane passou a administrar os imóveis da família dela, que antes eram cuidados por Cléber. Em seguida, outros condôminos também transferiram a administração de seus imóveis para a corretora. Segundo a família, o síndico se sentia dono do prédio, porque ajudou a concluir a obra que tinha sido abandonada pela construtora, e impunha regras criadas por ele, com aplicação de multas e punições para quem descumpria. Entre as restrições impostas pelo síndico estava a proibição de circulação pelas áreas comuns do prédio. O embate se agravou ao ponto de Daiane ser expulsa do condomínio, com denúncias, segundo a família, sem provas. Daiane conseguiu voltar ao prédio com uma liminar da Justiça. O inquérito sobre o assassinato traz imagens de Cléber, às 18h45, na área externa, cuidando de uma obra. Dois minutos depois, ele vai em direção à porta que dá acesso às escadas – é a última imagem dele pouco antes de Daiane desaparecer. Enquanto isso, Daiane vai fazendo registros reclamando de mais uma falta de luz. Ela entra no elevador às 18h57 e desce com um morador. Ela vai até a portaria e não encontra ninguém. Retorna ao elevador três minutos depois, ainda gravando, e sai no subsolo na sequência. A partir daí não existem mais registros porque a única câmera do subsolo não estava funcionando no dia. A perícia ainda está analisando se as imagens foram manipuladas, apagadas ou se a câmera tinha sido desligada. Das dez câmeras do condomínio, apenas três foram entregues pelo síndico à polícia. Vídeos feitos por corretora foram fundamentais para a solução do caso e prisão de síndico, diz polícia Fantástico/ Reprodução A Delegacia de Homicídios assumiu as investigações e concluiu que os vídeos feitos por Daiane foram fundamentais para a solução do caso. Quando ela desce ao subsolo, ela grava dois vídeos e encaminha à amiga Georgiana dos Passos Silva, que mora em Uberlândia, Minas Gerais. "Ela já foi gravando em tempo real e me encaminhando. Ela ia descer até a recepção para poder questionar o que estava acontecendo", conta Georgiana dos Passos Silva, amiga de Daiane. "O que é que se mostrou para os investigadores? Que ela gravou um primeiro vídeo e enviou. Gravou um segundo vídeo e enviou. Ela está claramente gravando um terceiro vídeo. Esse terceiro vídeo nunca chegou a ser enviado. Então, mostrou para nós, investigadores, que ela não queria desaparecer e que, de alguma forma, esse vídeo foi interceptado antes de chegar ao seu destinatário. Esse foi o elemento crucial para que a gente entendesse que estávamos diante de um homicídio", afirma o delegado André Barbosa. As imagens do carro do síndico a caminho da rodovia, primeiro com a capota fechada e depois aberta, ajudaram no quebra-cabeça. "Ele faz esse deslocamento, volta para cidade, é captado por outra imagem já com a capota aberta, 48 minutos depois, em um trecho que duraria mais ou menos 15”, diz o delegado André Barbosa. As imagens do carro do síndico a caminho da rodovia, primeiro com a capota fechada e depois aberta, ajudaram no quebra-cabeça. Fantástico/ Reprodução As testemunhas também ajudaram a traçar o cenário. "E a primeira pessoa que acessa o S1 é às 19h08. É uma moradora do prédio, uma senhora. Ela diz: ‘Doutor, eu não ouvi nada’. Qualquer pessoa que praticou esse crime teria que ter praticado ele em oito minutos. Qual outro autor poderia acessar o prédio, tirar a Daiane de lá, sair de lá e retornar, e detalhe, trancar a porta que Daiane deixou aberta?", diz o delegado André Barbosa. A defesa de Cléber disse que o cliente está contribuindo para o esclarecimento dos fatos. Os advogados do filho negam o envolvimento de Maicon. Uma reconstituição foi feita no condomínio. O Fantástico apurou que o corpo da corretora tinha uma bala alojada na cabeça, mas não ficou claro onde Daiane foi morta. Ninguém ouviu tiros no dia do desaparecimento. A perícia também procurou sangue no chão e no carro do síndico. O celular dela estava na tubulação de esgoto da garagem. A arma do crime ainda não foi apresentada. Veja a reportagem completa no vídeo abaixo: Fantástico reconstitui últimos passos de corretora morta no interior de Goiás Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo. PRAZER, RENATA O podcast 'Prazer, Renata' está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts. 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