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Para depender menos do petróleo, China aposta em energias renováveis e nos carros elétricos

JN na China: série especial mostra Cantão, cidade que virou polo da produção de carros elétricos Para depender menos do petróleo, a China aposta cada vez ...

Para depender menos do petróleo, China aposta em energias renováveis e nos carros elétricos
Para depender menos do petróleo, China aposta em energias renováveis e nos carros elétricos (Foto: Reprodução)

JN na China: série especial mostra Cantão, cidade que virou polo da produção de carros elétricos Para depender menos do petróleo, a China aposta cada vez mais em energias renováveis e nos carros elétricos. Cantão é a cidade que está no centro dessa transformação. “Estamos no quarto dia da nossa viagem, que começou por Xangai, a gente foi até Hangzhou, depois Pequim e ontem, depois de entrar ao vivo aqui no Jornal Nacional do alto da Muralha da China, pegamos um avião e viemos até o sul. Quando os portugueses saíram de barco pelo mundo na época das navegações, foram tanto para o Brasil, quanto deram a volta lá embaixo da África, entraram aqui no mar da Ásia e foram parar em uma ilha que fica na foz desse rio. A Ilha de Macau. Até hoje, o português é lá um dos idiomas oficiais. Quando os chineses viram os portugueses chegando ali, disseram: 'Não. Se vocês quiseram fazer comércio com a gente, vão ter que subir aqui o Rio das Pérolas e ir até a cidade de Guangzhou'. Os portugueses ouviram essa palavra e falaram: 'Ah, tá. Cantão'. Por isso, ficou até hoje o nome dessa cidade aportuguesada para a gente", conta o correspondente Felipe Santana. O Porto de Cantão é um porto mítico para os europeus porque foi a única porta de entrada na China por séculos. Para os chineses era conveniente porque o rio vai para o interior da China e descia por lá chá, porcelana, seda. Com o passar do tempo, os ocidentais obrigaram os chineses a abrirem outros porto de comércio - depois de guerras. Os chineses entraram na pobreza por séculos. Mas, agora, Cantão está de volta. Mantém a vocação portuária, mas agora exportando um outro tipo de produto: placas solares, turbinas eólicas, baterias mais eficientes. Cantão exporta hoje para o mundo uma ideia: que a gente pode depender menos do petróleo. O que pode estar, nesse momento, decidindo o futuro. Cantão Cantão, na China Jornal Nacional/ Reprodução É impressionante ouvir as cidades chinesas. E o som vem da cor das placas dos carros. “Vamos aproveitar aqui que o sinal fechou. Olha só. Placa verde. Atrás, outra placa verde. Ali, mais uma placa verde. Cada vez mais, a gente vê placas verdes na China. Sabe qual é a diferença? Se você quiser uma placa verde, é grátis. Agora, se quiser uma azul, como a desse carro aqui, tem que pagar R$ 60 mil. Qual você quer?”, diz o correspondente Felipe Santana. O porém é que placa verde é só para carros elétricos, e a placa azul é para os carros a combustão. Muita gente que ganhou dinheiro na China nos últimos anos ainda sonha com um carro a gasolina importado. Mas cada vez mais gente troca o roncar do motor pela suavidade da energia limpa. É parte de um grande plano ambicioso chinês: de trocar os postos de gasolina pelas tomadas. São mais de 30 milhões de carros elétricos rodando pelo país hoje - a maior frota do mundo. A cidade de Cantão já foi para a China o que Detroit foi para os Estados Unidos: o grande polo automobilístico. A cidade que abriu a China para o mundo foi a mesma que abraçou o carro como símbolo de modernidade, quando os chineses começaram a fazer parcerias com montadoras internacionais para fabricar lá modelos estrangeiros. Com o tempo, eles passaram a copiar os modelos desses carros que fabricavam. Mas quando o país entrou na Organização Mundial do Comércio, precisava obedecer a regras internacionais de propriedade intelectual. Mas não é só isso. A China importa 70% de todo o petróleo que consome. Percebeu que ficaria muito dependente do exterior se todos os seus habitantes tivessem que colocar gasolina no carro. Desde os anos 2000, o governo chinês considera o petróleo um risco geopolítico e depois, em 2015, virou plano econômico: depender menos do petróleo e eletrificar ao máximo a economia chinesa. Para depender menos do petróleo, China aposta em energias renováveis e nos carros elétricos Jornal Nacional/ Reprodução É como se eles estivessem prevendo o futuro. Em janeiro de 2026, os Estados Unidos atacaram a Venezuela e prenderam Nicolás Maduro, que exportava petróleo para a China. Menos de dois meses depois, com Israel, bombardearam o Irã, que também exporta petróleo para a China. Com o Estreito de Ormuz fechado, países como Sri Lanka e Mianmar têm que fazer racionamento de combustível. As Filipinas instituíram semanas de trabalho de quatro dias no serviço público para economizar gasolina. Bangladesh fechou as universidades para conservar energia para as casas das pessoas. O preço das passagens aéreas no mundo inteiro disparou. A China continua exposta ao impacto da alta do barril de petróleo. Mas agora menos do que antes. Por causa dos carros elétricos, mas também pelo desenvolvimento de placas solares e turbinas eólicas, e na produção de baterias que duram mais e são mais eficientes. A avaliação das três maiores empresas de baterias elétricas do país subiu 20% com a guerra. E com as tecnologias mais baratas, o mundo corre atrás de comprá-las para se proteger da dominância histórica do petróleo. Por exemplo, o Paquistão gerava apenas 3% de sua energia de placas solares em 2020. Agora já são 30%. Além de ser um guarda-chuva geopolítico, o plano chinês de eletrificação pega bem para o resto do mundo. Imagina que um dia você poderia acordar e ver o céu de Cantão sem poluição. Agora, eles resolveram o problema da poluição. Ou quase, porque mandaram as usinas de carvão para longe das cidades. A queima do carvão ainda é a principal fonte de toda essa energia elétrica - e continua aumentando. Para depender menos do petróleo, China aposta em energias renováveis e nos carros elétricos Jornal Nacional/ Reprodução Mas a China quer, hoje, se apresentar como o eletroestado, em comparação aos Estados Unidos, que se firmam como o grande petroestado. Mas o verde que queremos ver não é só por fora. A China ainda é a maior emissora de gases do efeito estufa no mundo todo. São esses gases que fazem o planeta ficar mais quente e causam as mudanças climáticas. Mais de 60% da energia gerada no país vêm de combustíveis fósseis, que impulsionam esse processo, como o carvão e o petróleo. Ainda há um longo caminho a ser seguido se a proposta for não só estar mais protegido das ações de Donald Trump, mas também garantir um futuro melhor para a humanidade. Para isso, o trabalho continua em Cantão, como motor da transição energética e polo de exportação na foz do Rio das Pérolas. De ancestral porta histórica para o mundo, à porta de saída de um novo modelo econômico, com cada vez mais placas verdes. Nesta sexta-feira (1º), o Jornal Nacional chega a Shenzhen, cidade é considerada o Vale do Silício da China e está na dianteira da fabricação de robôs. 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