Órgão ambiental de MG suspende operações da maior produtora de lítio do país

Sigma Lithium atua nos municípios de Araçuaí e Itinga Divulgação/Sigma Lithium A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de MG...

Órgão ambiental de MG suspende operações da maior produtora de lítio do país
Órgão ambiental de MG suspende operações da maior produtora de lítio do país (Foto: Reprodução)

Sigma Lithium atua nos municípios de Araçuaí e Itinga Divulgação/Sigma Lithium A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de MG (Semad) suspendeu parte das atividades da Sigma Lithium, maior produtora de lítio do Brasil, na região do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. A medida atinge as licenças das duas frentes de extração que abastecem a fábrica da empresa, em Araçuaí e Itinga. Segundo a Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam), órgão da secretaria que determinou a suspensão, a fiscalização apontou danos a cursos d'água em áreas de preservação, desmatamento irregular, uso de água subterrânea e início da exploração antes do previsto pelas licenças. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsApp 🔎O lítio é essencial para baterias de carros elétricos e eletrônicos. O Vale do Jequitinhonha, dono da maior reserva do mineral no país, virou alvo de investimentos bilionários (entenda o contexto ao final da reportagem). A suspensão das atividades da Sigma Lithium está registrada em autos de infração assinados por técnicos da Semad em julho. A empresa foi formalmente comunicada em 13 de julho, data em que a penalidade passou a valer. Em um dos documentos, a Feam determina o embargo das atividades ligadas às licenças das cavas Norte e Sul, únicas em operação no complexo Grota do Cirilo. A suspensão foi revelada pelo portal "O Fator" e confirmada pelo g1. Saiba como o Brasil está explorando o lítio, usado nas baterias de celulares, laptops e veículos elétricos Empresa nega irregularidades O governo afirma que o embargo foi aplicado de imediato e que permanece em vigor até que a empresa corrija os problemas apontados ou firme um acordo com o poder público. A Sigma Lithium nega irregularidades. Em comunicado a investidores divulgado nesta quarta-feira (22), afirma que a suspensão é "parcial e temporária" e que negocia um acordo com o governo de Minas para retomar as atividades. O comunicado diz, ainda, que a empresa pagará multas de cerca de US$ 540 mil (R$ 3 milhões), parte relativa a fatos de 2013 a 2022, e nega ter prestado informações falsas ou vendido lítio antes de maio de 2023, ano referente ao qual as irregularidades se referem (saiba mais abaixo). Água, mata e uma extração antecipada De acordo com a Semad, uma fiscalização feita no fim de maio encontrou intervenções em quatro cursos d'água e em suas áreas de preservação para a instalação de estruturas da mineradora. Os técnicos também apontaram supressão de vegetação sem autorização, extração de água subterrânea e impactos a comunidades vizinhas. O órgão sustenta ainda que, com base no histórico de imagens de satélite, a empresa teria iniciado a extração do minério antes de obter as licenças do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam). Custo para fazer ajustes Para colocar em prática os ajustes exigidos, a Sigma estima gastar cerca de US$ 1 milhão, além do valor das multas - que, segundo a empresa, só vencem em, no mínimo, 120 dias. A companhia afirma que o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) é um tipo de acordo comum no Brasil, em que a empresa se compromete a corrigir falhas dentro de prazos definidos com o órgão ambiental. A empresa afirmou ainda que foi alvo de uma "campanha de informações falsas" após a notificação, que teria coincidido com o anúncio de resultados positivos de produção no segundo trimestre. A Sigma diz estar em contato com autoridades reguladoras, incluindo o regulador do mercado dos Estados Unidos. Região do Vale do Jequitinhonha é rica na produção de lítio. TV Globo/Reprodução Entenda o contexto A Sigma Lithium é uma mineradora canadense-brasileira que começou a operar no Vale do Jequitinhonha em 2023 e é hoje a maior mineradora de lítio do país em volume de produção. Antes dela, a Companhia Brasileira de Lítio (CBL) já atuava na região desde 1991, enquanto a AMG produz o minério em outra parte de Minas. O lítio é um mineral estratégico, usado principalmente na fabricação de baterias de carros elétricos e de aparelhos eletrônicos. A demanda mundial cresceu nos últimos anos, e o Vale do Jequitinhonha, que concentra a maior reserva conhecida do mineral no Brasil, passou a atrair investimentos bilionários, no projeto que o governo estadual batizou de "Vale do Lítio". Ao mesmo tempo, a expansão da mineração na região tem gerado preocupação em comunidades locais e em pesquisadores de universidades, que apontam impactos sobre o acesso à água e sobre povos tradicionais. Interior de MG na mira da corrida pelo lítio g1 Vídeos mais assistidos do g1 MG

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