'O Rio pode mais': estradas e falta de energia travam crescimento econômico no Norte e Noroeste do estado

'O Rio pode mais': estradas e falta de energia travam crescimento econômico no Norte e Noroeste do estado As regiões Norte e Noroeste do Rio de Janeiro têm l...

'O Rio pode mais': estradas e falta de energia travam crescimento econômico no Norte e Noroeste do estado
'O Rio pode mais': estradas e falta de energia travam crescimento econômico no Norte e Noroeste do estado (Foto: Reprodução)

'O Rio pode mais': estradas e falta de energia travam crescimento econômico no Norte e Noroeste do estado As regiões Norte e Noroeste do Rio de Janeiro têm localização estratégica e atividades econômicas com potencial de expansão, mas ainda enfrentam problemas de infraestrutura que dificultam o crescimento. É o que mostra o segundo capítulo da série "O Rio pode mais", do RJ2. A um mês das eleições, a equipe do telejornal percorreu diferentes regiões do estado para identificar os principais entraves ao desenvolvimento e os potenciais de cada território. Em cinco capítulos, a série mostra como problemas de infraestrutura, mão de obra e outros gargalos afetam a economia local. No episódio desta terça-feira (1º) a série mostra que no Norte do estado, as más condições das estradas e a falta de acessos ao Porto do Açu aumentam custos e prejudicam o transporte de cargas. No Noroeste, a oferta e a qualidade da energia elétrica são apontadas como obstáculos para a indústria e a produção rural. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 RJ no WhatsApp Um dos principais exemplos está na Estrada dos Ceramistas, em Campos dos Goytacazes. Com 12 quilômetros de extensão, a RJ-238 liga a BR-101 à BR-356, rodovia que dá acesso ao Porto do Açu, em São João da Barra. Apesar da importância para o transporte regional, a estrada acumula problemas e obras de recuperação que, segundo caminhoneiros, não foram concluídas. O impacto chega diretamente ao porto. O Açu é o segundo maior porto do país em movimentação de cargas e reúne 30 empresas em 11 terminais, além de um complexo industrial. Somente um dos terminais recebe mais de 300 carretas por dia. Quando as estradas estão em más condições, caminhões quebram, viagens atrasam e o custo do transporte aumenta. Porto cresce, mas acessos não acompanham Porto do Açu Reprodução/RJ2 O complexo portuário movimentou 89 milhões de toneladas no ano passado e registrou a circulação de quase 155 mil caminhões em 2025. O Porto do Açu também abriga o terceiro maior terminal de minério de ferro do Brasil e responde por cerca de 40% do petróleo exportado pelo país, segundo dados apresentados na reportagem. Apesar do crescimento, ainda falta uma ligação rodoviária direta entre a Estrada dos Ceramistas e o porto. São 21 quilômetros previstos em um projeto que não saiu do papel. Atualmente, o fluxo de caminhões depende do acesso pela BR-356. O setor também defende a construção de uma ferrovia de aproximadamente 180 quilômetros entre o Açu e o Espírito Santo para ampliar as alternativas de transporte de cargas, especialmente de minério de ferro. Para o gerente-geral do Terminal Multicargas do Porto do Açu, Gustavo Amaral, os problemas de acesso podem limitar a expansão do complexo. Segundo ele, com o crescimento do porto, a tendência é que os gargalos aumentem caso não haja investimentos em infraestrutura. O desenvolvimento do porto também movimenta empresas da região. Uma delas presta serviços de locação de equipamentos pesados, como guindastes e empilhadeiras, e chegou a 50 funcionários acompanhando o avanço das atividades no complexo. Para empresários, a melhoria da infraestrutura é fundamental para atrair novos investimentos. Falta de energia reduz produção de indústria Fábrica de papel em Santo Antônio de Pádua Reprodução/RJ2 No Noroeste Fluminense, o problema aparece de outra forma. Em Santo Antônio de Pádua, um dos principais polos industriais da região, a falta de energia elétrica limita a capacidade de produção de uma fábrica de papel que está entre as maiores do país no segmento. A empresa investiu R$ 70 milhões em uma máquina mais moderna em 2016, mas não consegue utilizá-la em sua capacidade total por causa da falta de energia disponível. Segundo a direção da empresa, a produção opera cerca de 20% abaixo do potencial. A estimativa é de que, ao longo de dez anos, a limitação tenha provocado uma perda de aproximadamente R$ 450 milhões em faturamento. A empresa afirma ainda que perde o equivalente a um mês de produção por ano por causa das interrupções e da qualidade do fornecimento. Em períodos de falta de energia, chegou a ser necessário alugar geradores, com gastos de cerca de R$ 200 mil a R$ 250 mil por mês entre aluguel e combustível. Mesmo diante das dificuldades, a empresa continua investindo. No ano passado, foram destinados R$ 45 milhões a uma nova unidade, que também contratou cerca de cem funcionários. A expectativa é que a oferta de energia seja ampliada e tenha qualidade suficiente para permitir que os equipamentos operem conforme o projeto. Quedas de energia atingem produtores de leite Produção de leite em Itaperuna Reprodução/RJ2 O problema não se restringe às fábricas. Em Itaperuna, pequenos produtores de leite também sofrem com as interrupções no fornecimento de energia, principalmente durante períodos de chuva. Cerca de 300 produtores ligados a uma associação da região vendem leite para três grandes laticínios. A atividade depende de equipamentos elétricos para a ordenha, o resfriamento do leite e a preparação da alimentação do gado. Quando a energia cai por várias horas, o leite armazenado pode estragar, gerando prejuízo direto para o produtor. Segundo representantes dos agricultores, as interrupções se tornaram mais frequentes nos últimos anos e a situação piora durante as chuvas. “A gente precisa de investimentos em logística, principalmente no Norte do estado, para aproveitar essa vocação energética e logística", diz o gerente de infraestrutura da Firjan, Isaque Ouverney. No Noroeste, a melhoria da oferta e da qualidade da energia é apontada como condição para a expansão de atividades industriais e produtivas que já existem na região. O diagnóstico é de que o estado tem vantagens importantes, como localização estratégica, portos e grandes corredores rodoviários, mas gargalos pontuais impedem que esse potencial seja plenamente aproveitado. LEIA TAMBÉM 'O Rio pode mais': falta de mão de obra, estradas e energia são entraves ao desenvolvimento da Região Serrana e Centro-Sul do RJ

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