Novo tarifaço dos EUA é mais sério e tem potencial eleitoral
EUA alegam práticas 'irrazoáveis' e propõem tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras O relatório do Escritório de Comércio dos EUA (USTR) sugerindo 25%...
EUA alegam práticas 'irrazoáveis' e propõem tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras O relatório do Escritório de Comércio dos EUA (USTR) sugerindo 25% de tarifas gerais a produtos brasileiros é mais grave que o tarifaço anunciado no ano passado e deve ser alvo dos discursos eleitorais das principais campanhas à presidência no Brasil. Desta vez, as novas tarifas chegam com a roupagem de uma investigação, que começou em 2025, antes do estreitamento das relações entre os presidentes norte-americano Donald Trump e presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O Brasil teve tempo de apresentar suas alegações, os ministérios brasileiros e escritórios profissionais contratados por empresas e setores atuaram com argumentos e explicações para as autoridades americanas, que parecem não ter ouvido explicações. No caso do PIX — sistema de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central (BC) —, alvo da investigação em que o Brasil é acusado de prática desleal, o Brasil levou números mostrando como ele ampliou a bancarização de brasileiros e, como isso, no médio e longo prazo, são bons também para empresas de cartão de crédito de bandeiras americanas (leia mais abaixo). Lula e Trump se encontram na Casa Branca Ricardo stuckert/Presidência da República Desmatamento Dados científicos sobre a queda no desmatamento, com comprovação por satélite, também foram apresentados. Uma reclamação antiga sobre o tempo que o Brasil leva para registrar patentes foi ainda respondida detalhada na resposta de empresas brasileiras, com queda nesta espera. Já a tarifa para entrada de etanol dos EUA no Brasil, que chegou a ser citada publicamente por Trump, é um entrave de longa data que o Brasil queria discutir, mas não levou proposta concreta. Pontos da decisão do USTR dão pistas do conteúdo ideológico da decisão: a cotação das medidas judiciais contra empresas de tecnologia, e até a retirada do ar do X. Medidas tomadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Nos próximos dias, o Brasil terá pouco espaço para discutir o mérito do novo tarifaço. Exportadores poderão pedir modulação de tarifas. Poderão também, em conjunto com o governo, apelar à justiça dos EUA ou mesmo ampliar sua queixa na Organização Mundial do Comércio (OMC)). Pode, também, escalar o embate e aprovar medidas de reciprocidade na Câmara de Comércio Exterior (Camex). Na prática, a decisão do USTR parece mostrar um retrocesso nas relações entre Brasil e Estados Unidos. Desde que mergulhou nos problemas trazidos pela guerra com o Irã, Trump parece ter se desligado da América Latina e, por consequência, da sua química com Lula. Quem toca as decisões do USTR e do Departamento de Estado é um grupo com base ideológica, basicamente os mesmos que encontraram Flávio Bolsonaro na semana passada. Se o novo tarifaço tem a ver com relações de parte ideológica do governo Trump com a família do ex-presidente Jair Bolsonaro, ainda não se sabe ao certo. É algo que vai aparecer em breve. A medida é ruim para parte do setor produtivo brasileiro. O que já é certo é que a nova decisão invadirá os argumentos eleitorais de direita e esquerda daqui até agosto. Transformado em discurso eleitoral, o novo tarifaço tem ainda menos chance de ser resolvido de forma rápida e com menor prejuízo à economia.