Nova unidade de conservação é proposta para proteger Fernando de Noronha
Golfinho é uma das espécies encontradas em de Fernando de Noronha O coordenador do Projeto Golfinho Rotador, José Martins, vai apresentar na quarta-feira (25...
Golfinho é uma das espécies encontradas em de Fernando de Noronha O coordenador do Projeto Golfinho Rotador, José Martins, vai apresentar na quarta-feira (25) a criação de uma nova unidade de conservação para proteger Fernando de Noronha e áreas próximas. A proposta será debatida na 15ª Conferência Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias (COP15), realizada em Campo Grande (MS). Noronha abriga um ecossistema rico, com aves, tartarugas e golfinhos (veja vídeo acima). A proposta prevê a integração de áreas que vão do litoral do Ceará ao Rio Grande do Norte, ao longo de cerca de 1,3 mil quilômetros da margem equatorial brasileira. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE As Unidades de Conservação (UCs), especialmente as de proteção integral, possuem normas de preservação mais rígidas comparadas a outras áreas, visando proteger a biodiversidade. Segundo José Martins, embora a nova unidade se estenda por centenas de quilômetros, apenas dois pontos aparecem acima da água: o Atol das Rocas e o arquipélago de Fernando de Noronha. Já a cadeia Norte Brasileira, mais ao norte, fica totalmente submersa. Fernando de Noronha pode fazer parte de uma nova unidade de conservação Cristiano Régis/Acervo pessoal COP 15 A COP 15 reúne representantes de 133 países para discutir estratégias globais de proteção da biodiversidade. O foco está nas espécies migratórias e nos ecossistemas que garantem seus ciclos de vida. Organizada pela Organização das Nações Unidas (ONU), a conferência começou na segunda-feira (23) e segue até domingo (29). Reforço na proteção José Martins destacou a importância da conexão entre áreas protegidas. “Não basta proteger apenas os destinos. As espécies migratórias dependem de um oceano conectado. Precisamos garantir corredores ecológicos para permitir deslocamento seguro, reprodução e adaptação às mudanças climáticas”, afirmou. Segundo o pesquisador, a nova unidade de conservação pode integrar os montes submarinos das cadeias de Fernando de Noronha e da cadeia Norte. Essas formações ficam no fundo do oceano e são como montanhas submersas no Atlântico tropical, ao largo do Nordeste. Elas funcionam como áreas de abrigo e têm papel essencial para a biodiversidade marinha. Para Martins, a proposta vai além da proteção de áreas isoladas. Ela inclui a conservação das rotas migratórias e dos pontos de conexão entre diferentes habitat. O pesquisador afirmou que diversas espécies dependem desses corredores para se alimentar, se reproduzir e se adaptar às mudanças ambientais. José Martins disse que a ideia de conectividade ultrapassa fronteiras. Por isso, a conservação precisa integrar diferentes territórios, instituições e estratégias. Especialistas destacam que áreas marinhas protegidas são importantes, mas só funcionam bem quando estão conectadas entre si. A proteção isolada não garante a manutenção dos ciclos ecológicos. É preciso conectar essas áreas para que as espécies possam se deslocar e responder às mudanças climáticas. “É uma área estratégica para várias espécies que usam esses ambientes para nascer, se reproduzir e se alimentar. A proteção garantiria a conexão necessária para baleias, golfinhos, aves, tartarugas, raias, tubarões, corais e outros animais”, disse Martins. O pesquisador avaliou que, além do impacto ambiental, a proposta também tem importância econômica. A criação dessas áreas pode ajudar na pesca sustentável, principalmente de peixes e lagostas que dependem desses ambientes. Do ponto de vista técnico, a nova unidade de conservação deve considerar a diversidade de habitats dos montes submarinos. Também precisa ter tamanho, distância e níveis de proteção adequados para garantir a conexão ecológica em toda a região. Caso proposta ganhe adesão, a criação da nova unidade de conservação pode ser oficializada pelo Ministério do Meio Ambiente com por meio de um decreto ou lei. Nova unidade de conservação proposta unirá as áreas circuladas no mapa Projeto Golfinho Rotador/Divulgação Projeto O Projeto Golfinho Rotador foi criado em 1990 e realiza pesquisas e ações de conservação dos golfinhos e preservação do meio ambiente Fernando de em Noronha, com apoio do Programa Petrobras Socioambiental. No início deste mês o projeto venceu o ITB Earth Award, um dos principais prêmios internacionais de turismo sustentável. A cerimônia de premiação aconteceu durante a Internationale Tourismus-Börse (ITB), em Berlim, na Alemanha. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias