No segundo trimestre de 2026, número de empresas que pediram recuperação judicial aumenta 20% em relação a 2025

Quase mil empresas varejistas brasileiras entraram em recuperação judicial, no segundo trimestre Quase mil empresas do comércio varejista entraram recentemen...

No segundo trimestre de 2026, número de empresas que pediram recuperação judicial aumenta 20% em relação a 2025
No segundo trimestre de 2026, número de empresas que pediram recuperação judicial aumenta 20% em relação a 2025 (Foto: Reprodução)

Quase mil empresas varejistas brasileiras entraram em recuperação judicial, no segundo trimestre Quase mil empresas do comércio varejista entraram recentemente em recuperação judicial. O setor tem passado por crises e transformações. São tempos desafiadores para o varejo brasileiro. No segundo trimestre de 2025, 819 empresas - de diferentes tamanhos - pediram recuperação judicial. No mesmo período de 2026, esse número aumentou 20% - foram 986. O Grupo Casas Bahia e as Lojas Marabraz protocolaram pedidos de recuperação judicial nos últimos dias por causa de dívidas. Em maio, foi o Grupo Toky, dono da Tok&Stok e da Mobly. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia No segundo trimestre de 2026, número de empresas que pediram recuperação judicial aumenta 20% em relação a 2025 Jornal Nacional/ Reprodução O pedido de recuperação judicial serve para evitar a falência. As empresas pedem autorização da Justiça para renegociar dívidas, reestruturar a operação, sem deixar de funcionar. Em março de 2026, o Grupo Pão de Açúcar anunciou um pedido de recuperação extrajudicial, quando é feito um acordo com os credores antes da validação do juiz. Os especialistas explicam que tantos varejistas em apuros ao mesmo tempo, têm causas comuns, independentemente da gestão de cada empresa. As lojas fechadas na pandemia e um cenário de juros altos para conter a inflação. “A taxa de juros explica a restrição de crédito tanto por parte das empresas hoje quanto por parte do consumidor. Outra variável importante é o endividamento das famílias. Hoje, não tem mais espaço para elas comprarem bens ali de consumo ou bens semiduráveis - uma televisão, uma geladeira, um forno micro-ondas. Isso aí para elas já não é condição primária. Elas deixam isso para segundo plano porque não sobra dinheiro no final do mês para subsistência”, diz Ahmed El Khatib, professor de Finanças da Fecap. O economista Ricardo Meirelles, professor da FGV, avalia que a falta de controle dos gastos públicos pressiona o inflação, comprometendo o poder de compra das famílias, e que o governo precisa ajustar as contas para permitir a queda dos juros. “Essa questão fiscal tem que ser endereçada para que as taxas de juros possam baixar a patamares razoáveis, a patamares naturais de uma economia de mercado. E assim, esse custo de capital baixa o varejo, obviamente, pode respirar. Com custo de dívidas mais razoáveis, consumidores que tenham também um custo do crédito mais razoável e dos dois lados. Então, tanto do custo da pessoa jurídica quanto o custo da pessoa física, elas consigam viver em um mercado de crédito”. Um problema que está batendo na porta: "Então, assim, nós não podemos dizer que esse problema possa ser endereçado no médio prazo. Ele vai ter que ser endereçado no curto prazo, eu diria, até na semana de pós-eleição. Isso acho que é um ponto de concordância entre todos os economistas e todos os empresários", diz Ricardo Meirelles. O modelo tradicional de varejo tinha muita loja física, era um patrimônio. Isso mudou bastante, porque o consumidor aprendeu de vez que não precisa ir para a rua, pode comprar de casa mesmo. E ainda que o varejo tradicional também venda pela internet, a concorrência online é bem maior. O consumidor, então, tem hoje as duas opções com vantagens diferentes. Na rua, pode pegar e testar a mercadoria no ato e, em casa, pode comprar com comodidade de onde estiver. Os varejistas tradicionais precisam saber como oferecer a experiência que cada indivíduo busca. Para reencontrar o caminho após um desequilíbrio, às vezes a recuperação judicial é o único recurso, como explica o economista Luiz Alexandre: “Um país forte é feito de empresas fortes. Então, a empresa tem que estar no mercado, ela tem que estar gerando emprego, ela tem que estar recolhendo imposto, para fazer o Brasil desenvolver”, afirma Luiz Alexandre Cristaldo, vice-presidente do Instituto Brasileiro da Insolvência. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional LEIA TAMBÉM Juros altos, crédito caro e marketplaces: os choques que pressionam o varejo brasileiro Efeito dominó: crises de Casas Bahia e Marabraz podem deixar crédito mais difícil ao varejo Casas Bahia pede recuperação judicial: entenda a crise da varejista e quem faz parte do grupo

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