Nelson Wilians nega fraude bilionária no ICMS, apresenta documentos à investigação e responsabiliza 'escritório parceiro'

Nelson Wilians responsabiliza Mayra de Paula por executar compra e venda de ICMS investigados por fraude bilionária pela PF. Reprodução/Arquivo pessoal O adv...

Nelson Wilians nega fraude bilionária no ICMS, apresenta documentos à investigação e responsabiliza 'escritório parceiro'
Nelson Wilians nega fraude bilionária no ICMS, apresenta documentos à investigação e responsabiliza 'escritório parceiro' (Foto: Reprodução)

Nelson Wilians responsabiliza Mayra de Paula por executar compra e venda de ICMS investigados por fraude bilionária pela PF. Reprodução/Arquivo pessoal O advogado Nelson Wilians nega participação em uma fraude bilionária envolvendo créditos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e responsabiliza o antigo "escritório parceiro" De Paula Advogados e Consultoria Tributária pela execução da venda de créditos considerados fraudulentos que são investigados pelas autoridades. O g1 e a GloboNews tiveram acesso a documentos entregues por Wilians ao Ministério Público (MP) em 21 de agosto, três dias após ele procurar o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (Cira) para prestar depoimento (veja alguns deles abaixo). Em 15 de julho, Wilians e seu escritório foram alvos da Operação Distrato, que cumpriu mandados de busca e apreensão. Ele tem participação na Nelson Wilians Advogados (NWADV) e na Nelson Wilians Negócios e Investimentos (NWNI) — que depois se tornou NWGroup. O Cira reúne o MP, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e a Secretaria da Fazenda (Sefaz). O escritório De Paula, de Londrina, no Paraná, e a advogada Mayra Fahur de Paula também foram alvos: computadores e documentos acabaram apreendidos. O Cira apura crimes contra a ordem tributária, organização criminosa, estelionato, falsidade documental e lavagem de dinheiro. A compra de créditos de ICMS entre empresas para abater impostos é legal, desde que siga as regras da Sefaz. A suspeita é a de que tenham sido comercializados créditos falsos, sem comprovação e sem respaldo legal, para reduzir indevidamente o imposto. Segundo as autoridades, o esquema teria causado prejuízo de cerca de R$ 3,8 bilhões aos cofres públicos e envolvido 752 empresas. Ainda não houve indiciamento, denúncia ou condenação. Como funcionava a parceria Advogado Nelson Willians é alvo de operação da PF Segundo os documentos entregues ao MP, o Nelson Wilians Negócios e Investimentos foi procurado inicialmente em 2023 para firmar parceria com o De Paula. O escritório de Wilians indicaria clientes ao parceiro paranaense, responsável pela execução dos serviços relacionados à venda de créditos de ICMS. Dois vídeos mostram Mayra apresentando o trabalho. Em cláusulas do acordo, o De Paula assumia a responsabilidade por eventuais autuações fiscais e pela representação dos clientes em processos administrativos e judiciais. Os documentos indicam ainda que o escritório paranaense sustentava a legalidade das operações e se dizia responsável pela condução técnica dos créditos, até mesmo após o fim da parceria. O material reúne contratos, atas, e-mails e registros de compliance do escritório de Nelson Willians. Segundo a defesa do escritório paulista, o De Paula cuidava da parte técnica e operacional, enquanto empresas ligadas a Wilians faziam prospecção e aproximação de clientes. Os documentos também mostram profissionais da estrutura de Wilians participando da elaboração e revisão de contratos, acompanhamento de clientes e discussão dos riscos dos produtos. Um dos documentos enviado por Nelson Wilians ao MP mostra e-mail do advogado pedindo informações sobre o De Paula. Seu escritório responsabiliza o parceiro por problemas decorrentes do ICMS. Reprodução Em novembro de 2024, o compliance do grupo de Willians questionou a origem e a documentação dos créditos e os procedimentos para uso perante a Sefaz. Em 22 de novembro, o gestor determinou investigação interna e suspensão imediata da parceria; cinco dias depois, o acordo foi encerrado. Entre os questionamentos estavam a origem dos créditos, a documentação dos cedentes e o uso de créditos sem determinados registros no e-CredAc, sistema eletrônico da Sefaz para administrar operações relacionadas ao crédito acumulado de ICMS. Os documentos também registram discussões sobre a utilização de créditos como “Outros Créditos” na Guia de Informação e Apuração (GIA) do ICMS. Segundo o material, empresas de Willians faziam prospecção, indicação e intermediação de clientes, enquanto o De Paula cuidava da execução técnica, documentação dos créditos e procedimentos na Secretaria da Fazenda. A parceria foi rompida por "falta de transparência" do escritório paranaense, após reclamações de clientes do escritório de Willians levarem o compliance a analisar e sugerir a dissolução do acordo. O que dizem as defesas Em documento entregue por Nelson Wilians ao MP, advogada Mayra de Paula informa que seu escritório é responsável por negócios sobre ICMS. Reprodução A defesa de Nelson Wilians confirmou a entrega dos documentos ao MP. A defesa de Mayra de Paula não respondeu até a última atualização desta reportagem. "Ao que diz respeito aos documentos encaminhados ao Ministério Público, estes demonstram de forma clara a inocência do doutor Nelson, bem como a idoneidade do escritório, não pairando dúvidas que o escritório em momento algum compactuou ou permitiu qualquer tipo de irregularidade, agindo de forma célere nos primeiros indícios de falta de transparência por parte do escritório parceiro", informa nota do advogado José Roberto Soares Lourenço. Em outro trecho, a defesa afirma: "Os documentos também demonstram que toda gestão e execução era de responsabilidade exclusiva do escritório De Paula". Outras investigações Operação da PF investiga grupo suspeito de lavar dinheiro de apostas esportivas ilegais Natural de Cianorte (PR), Wilians é proprietário de um dos maiores escritórios de advocacia empresarial do Brasil e da América Latina em número de profissionais e presença nacional. Tem mais de 1,4 milhão de seguidores no Instagram e já foi capa da revista "Forbes", que chegou a estimar fortuna dele em R$ 1,7 bilhão. O advogado ganhou notoriedade nas redes sociais ao exibir uma vida de luxo ao lado da esposa e da família. Também atuou na disputa pela herança de Gugu Liberato, morto em 2019 nos Estados Unidos (EUA), representando Rose Miriam Di Matteo e as filhas gêmeas Marina e Sofia Liberato. Informações levadas ao MP mostram que escritório De Paula procurou clientes para informar que não havia mais parceria com Nelson Wilians e reclamava sobre informação de que trabalhavam com 'créditos inseguros'. Reprodução Além do ICMS, Wilians aparece como investigado em dois casos independentes. Em 12 de setembro de 2025, a Polícia Federal (PF) apreendeu carros de luxo, arma, esculturas eróticas e quadros em sua casa durante a Operação Sem Desconto, que apurava crimes contra a administração pública, como organização criminosa, estelionato previdenciário e ocultação e dilapidação patrimonial envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em 13 de agosto, o advogado voltou a ser alvo da PF na Operação Arena, que investigava evasão de divisas, lavagem de dinheiro e outros crimes contra o sistema financeiro nacional por meio de apostas esportivas. O escritório do advogado Nelson Wilians emitiu notas que somam R$ 37,8 milhões para uma empresa fantasma sediada em Curaçao, no Caribe, em esquema de lavagem de dinheiro envolvendo jogos de azar online e evasão de divisas, segundo a Polícia Federal. Secretaria da Fazenda enviou e-mail ao escritório de Nelson Wilians informando sobre problemas referentes ao ICMS. Abaixo, o grupo do advogado informa em um comunicado interno que a responsabilidade pelos créditos é de Mayara De Paula. Reprodução Wilians não foi indiciado, denunciado ou condenado em nenhum dos casos e nega irregularidades. Apesar disso, se afastou do próprio escritório após as três operações contra ele. Sobre a operação envolvendo o INSS, sua defesa afirma que as investigações continuam e que já foram "jurados" documentos que comprovariam o vínculo lícito entre Wilians e Maurício Camisote [que chegou a ser preso na Operação Sem Desconto]. A respeito da investigação envolvendo a empresa de apostas esportivas, afirma que aguarda acesso à íntegra dos documentos para se manifestar. O advogado Nelson Wilians durante Operação Distrato, que faz buscas em seu escritório Divulgação/Secretaria da Fazenda de SP

Fale Conosco