MPF recomenda suspender venda de combustíveis em galões no Amazonas durante emergência por queimadas

MPF recomendou a suspensão da venda de combustível em galão no Amazonas. Divulgação/MPF O Ministério Público Federal (MPF) recomendou à Agência Naciona...

MPF recomenda suspender venda de combustíveis em galões no Amazonas durante emergência por queimadas
MPF recomenda suspender venda de combustíveis em galões no Amazonas durante emergência por queimadas (Foto: Reprodução)

MPF recomendou a suspensão da venda de combustível em galão no Amazonas. Divulgação/MPF O Ministério Público Federal (MPF) recomendou à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e ao governo do Amazonas que suspendam a venda de gasolina, etanol e diesel em galões, garrafas, bombonas e outros recipientes portáteis em todo o estado. A medida deve valer enquanto durar a emergência provocada pelas queimadas e tem o objetivo de dificultar o transporte de combustíveis para provocar ou ampliar incêndios florestais. A recomendação prevê que os combustíveis sejam vendidos diretamente nos tanques de veículos, embarcações, máquinas e equipamentos apresentados nos postos, incluindo os flutuantes. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp A ANP e o governo estadual têm cinco dias, a partir do recebimento do documento, para informar por escrito se vão seguir a recomendação e quais medidas pretendem adotar. Caso decidam não acatá-la, deverão apresentar justificativas técnicas e jurídicas. Agora no g1 O documento prevê exceções para: Serviços essenciais; moradores de comunidades sem acesso por estrada ou sem postos de combustíveis; e propriedades rurais cadastradas que precisem de diesel para abastecer máquinas agrícolas e geradores. Nesses casos, a venda deverá seguir regras de controle, como identificação do comprador, registro da finalidade e da quantidade adquirida, uso de recipientes certificados e limites diários, conforme cada situação. Segundo o MPF, a venda sem restrições e sem identificação do comprador pode facilitar o transporte de combustíveis para áreas de vegetação, margens de rios, várzeas e assentamentos sem acesso rodoviário. Isso dificultaria a fiscalização e poderia favorecer a ação de incendiários. “Restringir essa venda, com exceções para quem realmente precisa, é a forma mais rápida de dificultar a ação dos incendiários”, afirma o procurador da República André Luiz Porreca Ferreira Cunha, autor da recomendação. Mais de dez aviões, 390 horas de voo e 1 milhão de litros d'água: como foi o combate aéreo do fogo no AM Drone flagra suspeitos ateando fogo em vegetação no interior do Amazonas; VÍDEO A recomendação também destaca que os postos não podem, por iniciativa própria, recusar ou limitar a venda de combustíveis em recipientes. Segundo o documento, as normas da ANP e o Código de Defesa do Consumidor impedem a recusa de venda nessas condições. Por isso, o MPF defende que a restrição seja formalizada pela agência reguladora ou pelo governo estadual. A medida daria respaldo aos revendedores para negar a venda nos casos previstos, evitando multas e reclamações. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) citados na recomendação apontam que o Amazonas registrou 3.726 focos de calor em setembro de 2026. O número representa um aumento de 295,5% em relação ao mesmo mês de 2025. O governo do Amazonas já havia proibido o uso do fogo em todo o estado por 120 dias e decretado situação de emergência em 36 municípios. A medida foi reconhecida pelo governo federal. A recomendação também cita uma avaliação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima de que os incêndios têm origem humana intencional. O documento menciona ainda o reforço das investigações sobre uma possível atuação coordenada de incendiários. MPF alerta para possíveis medidas judiciais O MPF adverte que o descumprimento da recomendação poderá levar à adoção de medidas administrativas e judiciais. Entre as possibilidades está a apuração da responsabilidade pessoal de agentes públicos que deixarem de agir quando houver obrigação de fazê-lo. O caso é acompanhado pelo 13º Ofício da Procuradoria da República no Amazonas, responsável pela atuação relacionada à prevenção e ao combate às queimadas.

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