Midterms: apostas para as eleições já movimentam mais de R$ 8 bilhões nos EUA; dá para confiar nas previsões?

Por que Trump está preocupado com as midterms? As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos (midterms) serão um grande teste para os mercados de previs...

Midterms: apostas para as eleições já movimentam mais de R$ 8 bilhões nos EUA; dá para confiar nas previsões?
Midterms: apostas para as eleições já movimentam mais de R$ 8 bilhões nos EUA; dá para confiar nas previsões? (Foto: Reprodução)

Por que Trump está preocupado com as midterms? As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos (midterms) serão um grande teste para os mercados de previsão. Kalshi e Polymarket, que já somam mais de US$ 1,48 bilhão (R$ 8,13 bilhões) em apostas eleitorais, precisam mostrar que suas previsões são confiáveis, em meio à crescente pressão sobre o setor. As plataformas ganharam destaque em 2024, quando contrariaram as pesquisas de opinião tradicionais ao apontar a vitória de Donald Trump na eleição presidencial dos EUA. Desde então, ganharam espaço entre veículos de comunicação e investidores em todo o mundo. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Nesta terça-feira (3), os números reunidos pela empresa de análise BetInt pouco haviam mudado em relação à tarde de segunda. Os mercados apontavam 94% de chance de os democratas conquistarem a maioria na Câmara dos Deputados e 75% de ficarem com o Senado. Apesar do histórico de acertos, as plataformas também colecionam erros de grande repercussão. Isso ocorreu nas primárias dos EUA e, mais recentemente, na eleição presidencial do Brasil. Se o resultado das midterms ficar muito distante do que apontam as plataformas, a reputação do setor poderá sair abalada, segundo analistas. O risco é ainda maior diante do volume recorde de dinheiro em jogo. A pressão não vem apenas dos resultados. Kalshi e Polymarket, as maiores plataformas do setor, também enfrentam questionamentos sobre possíveis manipulações e condutas indevidas. Candidatos chegaram a apostar nas próprias disputas, enquanto um levantamento da Anti-Corruption Data Collective (ACDC), organização sem fins lucrativos de Washington, mostrou que apostas relativamente pequenas podem influenciar esses mercados. “A terça-feira representa, de fato, um verdadeiro teste para a nova onda de mercados de previsão”, disse Yesha Yadav, reitora associada da Faculdade de Direito da Universidade de Vanderbilt. Segundo ela, as disputas pelo Congresso neste ano ajudarão a medir o desempenho geral do setor. Polymarket e Kalshi afirmam ter reforçado os controles para evitar irregularidades. A Kalshi, por exemplo, proíbe políticos e integrantes de campanhas de fazer apostas eleitorais. As empresas também dizem que os mercados se ajustam rapidamente quando apostas de grande valor alteram as probabilidades. Sean Patrick Maloney, presidente-executivo da Coalizão para Mercados de Previsão, reconhece que esses mercados não são perfeitos. Segundo ele, porém, em “um mundo cheio de caos e fontes de notícias tendenciosas”, eles oferecem uma maneira imparcial de prever eventos. Midterms - Eleitora preenche cédula de votação em Harrisburg, na Pensilvânia (EUA) REUTERS/Mike Segar Bilhões em jogo: o que dizem os estudos sobre as previsões? A Kalshi informou na segunda-feira que já havia movimentado US$ 1,33 bilhão em apostas nas eleições de meio de mandato. Na Polymarket, o valor chegava a cerca de US$ 145 milhões, segundo a ACDC. Mais de 28 mil mercados de apostas foram abertos para as midterms. Apesar do número elevado, boa parte do dinheiro está concentrada em poucas disputas, como as eleições para o Senado no Texas, Michigan, Maine e Carolina do Sul, de acordo com a organização. No Texas, por exemplo, os mercados apontavam nesta terça-feira 71% de chance de vitória do democrata James Talarico sobre o republicano Ken Paxton na disputa por uma vaga no Senado, segundo a BetInt. A ACDC aponta que só essa disputa já movimentou mais de US$ 60 milhões em apostas. Em Michigan, mais de US$ 20 milhões foram apostados na corrida pelo Senado. Os mercados apontavam 78% de chance de vitória do democrata Abdul El-Sayed sobre o republicano Mike Rogers, segundo a BetInt. Mas, afinal, essas previsões são confiáveis? Estudos acadêmicos indicam que, no geral, sim. Uma pesquisa da Universidade de Vanderbilt publicada em 2025 analisou quase 2.500 mercados ligados às eleições de 2024 e concluiu que as probabilidades apresentadas eram, em geral, bem calibradas. Isso não significa simplesmente acertar quem vai vencer. A calibração mede se as probabilidades apresentadas correspondem ao que acontece na prática. Já a precisão considera se o mercado acertou ou não o vencedor. Há, porém, outra ressalva. Como a maioria das eleições não é apertada, o bom desempenho geral não mostra necessariamente se esses mercados funcionam tão bem em disputas acirradas, segundo Joshua Clinton, professor de ciência política da Vanderbilt que liderou o estudo. Outra característica ajuda a explicar como essas previsões funcionam. Um pequeno grupo de apostadores mais experientes — em busca de lucro — concentra boa parte do dinheiro nesses mercados, segundo Harry Crane, professor de estatística da Universidade Rutgers. Eles usam pesquisas de opinião e outros dados para orientar as apostas e, com isso, ajudam a corrigir preços. Ainda assim, mesmo os operadores mais experientes podem errar, acrescenta Clinton. Kalshi e Polymarket chegaram a apontar apenas 20% de chance de vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial brasileira — resultado que se confirmou em 25 de outubro. Segundo Clinton, os apostadores podem ter superestimado as chances de Flávio Bolsonaro ao tentar compensar um problema observado em outras eleições: pesquisas que subestimaram a força de candidatos de direita. As empresas de previsões ressaltam, porém, que uma chance de 20% não significa que determinado resultado seja impossível. Eventos com essa probabilidade acontecem o tempo todo, afirmaram porta-vozes, e reviravoltas políticas não são diferentes. “Mas não devem ser confundidos com certeza.”

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