Mãe que atribui morte do filho a vício em jogos comemora proibição de bets no Brasil: ‘É apenas o começo’

Mãe busca responsabilizar bets e influenciadores após morte do filho em MG Por quase dois anos, Vânia de Souza Borges transformou o luto pela morte do filho ...

Mãe que atribui morte do filho a vício em jogos comemora proibição de bets no Brasil: ‘É apenas o começo’
Mãe que atribui morte do filho a vício em jogos comemora proibição de bets no Brasil: ‘É apenas o começo’ (Foto: Reprodução)

Mãe busca responsabilizar bets e influenciadores após morte do filho em MG Por quase dois anos, Vânia de Souza Borges transformou o luto pela morte do filho em uma campanha contra as apostas on-line. Nesta sexta-feira (25), ao saber que o governo federal anunciou medidas para proibir as bets e os jogos virtuais on-line no Brasil, a professora de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, diz ter sentido alívio, mas não considera a luta encerrada. Ela atribui a morte do filho às bets. A medida veio poucos dias depois dela se sentar frente a frente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em Brasília. No encontro, no domingo (13), Vânia levou a história do filho, Rafael Borges Amaral, morto em 2024 aos 26 anos, e fez um pedido direto: que o governo não se limitasse a regulamentar o setor. ✅ Clique aqui e siga o perfil do g1 Triângulo no WhatsApp “Estou aliviada, mas sei que é apenas o começo da luta”, afirmou Vânia ao g1. Na ocasião, a professora junto com mais sete pessoas que se declaram dependentes de apostas, foram compartilhar com o presidente da República a realidade de quem é impactado pelos danos causados por esse tipo de vício. “Falei que a solução é cortar o mal pela raiz, é acabar com as bets. Falei que regulamentar não basta, teria que acabar definitivamente”, contou à época. Agora, diante do anúncio do governo, ela diz enxergar um primeiro resultado concreto de uma mobilização que começou depois da morte de Rafael. “Ao longo dessa trajetória eu mudei muito, a Vânia de antes que muitas vezes não foi ouvida, comemora em saber que finalmente algo começa a ser feito. Sinto que o Lula entendeu quando eu disse que é preciso cortar o mal pela raiz”, afirmou. ENTENDA: A luta da mãe que busca responsabilizar influenciadores e bets após a morte do filho Como funciona a medida O governo anunciou nesta sexta um pacote que determina a interrupção das apostas on-line no país. Segundo o governo, os apostadores poderão retirar voluntariamente os valores disponíveis nas plataformas até as 23h59 de 5 de outubro. A partir de 6 de outubro, os sites e aplicativos deverão sair do ar. Até 23:59 de 5 de outubro: Apostadores vão ter que retirar saldos das plataformas A partir do dia 6 de outubro: Os sites e aplicativos saem do ar Entre os dias 7 e 8 de outubro: Informação dos saldos por CPF Entre os dias 9 a 14 de outubro: Devolução integral dos saldos A partir do dia 14 de outubro: Em caso de impedimento, a Caixa Econômica Federal intermediará a devolução aos apostadores O Executivo também prepara um projeto de lei para criar crimes relacionados à exploração e operação das chamadas bets, além de punições para atividades como publicidade, recrutamento de apostadores e determinadas formas de intermediação financeira. A proposta ainda precisa ser analisada pelo Congresso. Saiba mais abaixo. Para Vânia, a mudança anunciada ultrapassa a história da própria família. “Essa não é uma conquista apenas para mim, mas de todas as mães que passam ou passaram pelo que passei”, disse. Ela afirma que ainda pretende entender os detalhes das medidas anunciadas pelo governo antes de definir os próximos passos da mobilização. “Agora quero entender melhor como tudo vai funcionar”, afirmou. Rafael morreu em 2024 Rafael Borges Amaral morreu em 23 de março de 2024, em Uberlândia. O boletim de ocorrência registrou a morte como suicídio. Vânia sustenta que a dependência em apostas on-line teve papel determinante no desfecho. Segundo a mãe, as apostas passaram a ocupar uma parte cada vez maior da rotina do filho, afetando o trabalho, a renda e as relações pessoais. Pouco antes de morrer, ele teria enviado um áudio a um amigo dizendo que não conseguia mais controlar as apostas e as perdas financeiras. Vânia também afirma ter encontrado uma transferência de R$ 30 feita por Rafael, na madrugada do dia da morte, para uma conta vinculada à empresa responsável pelo chamado 'Jogo do Tigrinho'. Depois da morte, ela procurou o Ministério Público e a Polícia Civil para pedir investigação. Em maio de 2025, segundo a família, o Ministério Público de Minas Gerais determinou o arquivamento da investigação. A professora, porém, continuou reunindo documentos, áudios e e-mails do filho e cobrando medidas contra as plataformas e os influenciadores que promovem apostas. Uma carta escrita por ela chegou a ser anexada aos documentos da CPI das Bets no Senado. Após acessar o celular e a caixa de e-mails de Rafael, Vânia encontrou dezenas de mensagens promocionais de plataformas de apostas Reprodução/Redes Sociais Atualmente, as apostas de quota fixa são reguladas pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda; desde janeiro de 2025, somente empresas autorizadas pelo governo podem operar nacionalmente. A nova ofensiva, segundo o governo, faz parte de um pacote voltado ao combate ao endividamento das famílias e inclui também medidas contra o mercado ilegal de apostas. Para Vânia, porém, o anúncio desta sexta não encerra a história. É, como ela própria resumiu, o começo de uma nova etapa. Leia mais: Mulher que ficou dependente de remédio após venda sem receita procurou farmácia depois de engordar 50 kg na gravidez Homem que ligou 60 vezes para a ex em um dia é condenado por stalking Mãe manda filho trabalhar e acaba agredida com voadora e pedradas Crimes e penas O g1 teve acesso à minuta do projeto que deve ser enviado ao Congresso pelo Executivo. 🚔De acordo com a minuta da proposta, explorar ou operar as chamadas 'apostas de quota fixa', por qualquer meio, passará a ser crime punido com reclusão de 4 a 6 anos, além de multa. A punição será aplicada mesmo que o agente tenha autorização de uma autoridade estrangeira. A proposta prevê estender as mesmas penas a quem oferece, recebe, registra, faz a intermediação, disponibiliza ou administra canais e estabelecimentos de apostas. A punição, se o texto for aprovado pelo Congresso, será aumentada de um terço caso o objeto da aposta seja um evento virtual de jogo on-line, como os populares cassinos virtuais, caso do 'jogo do tigrinho'. Além da exploração direta, o projeto que deve ser enviado ao Legislativo criminaliza atividades relacionadas às bets: Divulgação e publicidade: fazer propaganda, publicidade ou marketing para incentivar apostas terá pena de reclusão de 2 a 4 anos, e multa. A mesma sanção será aplicada sobre quem recruta apostadores ou monetiza esse tipo de publicidade. O texto ressalta, contudo, que o formato não se aplicará a conteúdos de natureza jornalística, informativa, educativa, acadêmica, científica ou crítica. Uso de dados pessoais: o fornecimento, comercialização ou segmentação de listas de dados pessoais com a finalidade de direcionar publicidade de apostas também será punido com reclusão de 2 a 4 anos, com agravantes caso os dados envolvam o histórico de perdas dos apostadores, transtornos de jogo diagnosticados ou informações de crianças e adolescentes. Facilitação financeira e plataformas: instituições ou agentes que realizem transações, processamento ou armazenamento de pagamentos de apostas, sabendo de sua proveniência, bem como desenvolvedores e distribuidores de aplicativos e plataformas de apostas online, também poderão ser submetidos a penas de 2 a 4 anos de reclusão. Rafael com a família Reprodução/Redes Sociais 'PL Rafael' A deputada federal Dandara (PT-MG) protocolou uma representação no Ministério da Justiça e Segurança Pública para que a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor apurem possíveis práticas de publicidade enganosa, estratégias digitais consideradas predatórias e falhas na proteção de usuários das plataformas de apostas. Além da representação ao Ministério da Justiça, a deputada também apresentou dois projetos de lei relacionados ao mercado de apostas, apelidados de 'PLs Rafael'. Um deles proíbe que influenciadores e afiliados sejam remunerados com base nas perdas financeiras dos apostadores atraídos por suas publicidades. Pela proposta, eles só poderão receber valores fixos por campanhas, sem vínculo com depósitos, apostas ou prejuízos dos usuários. O segundo projeto obriga as plataformas de apostas a monitorar o comportamento dos usuários para identificar sinais de compulsão. Caso sejam detectados indícios de dependência, as empresas deverão comunicar a Secretaria de Prêmios e Apostas, que poderá determinar o bloqueio temporário da conta por, no mínimo, 60 dias. Durante esse período, o apostador não poderá receber publicidade ou bônus de incentivo e deverá ser orientado sobre canais de apoio psicológico. Os dois projetos aguardam o início da tramitação na Câmara dos Deputados. VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo e

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