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Lesão grau 4: entenda problema que pode deixar Estêvão fora da Copa do Mundo

Estêvão comemora gol do Brasil sobre a Tunísia amistoso internacional 2025 Fifa FRANCK FIFE / AFP Uma grave lesão na coxa direita pode deixar o atacante Est...

Lesão grau 4: entenda problema que pode deixar Estêvão fora da Copa do Mundo
Lesão grau 4: entenda problema que pode deixar Estêvão fora da Copa do Mundo (Foto: Reprodução)

Estêvão comemora gol do Brasil sobre a Tunísia amistoso internacional 2025 Fifa FRANCK FIFE / AFP Uma grave lesão na coxa direita pode deixar o atacante Estêvão fora da Copa do Mundo. Novos exames realizados pelo jogador na quarta-feira (22), em Londres, indicaram que se trata de uma lesão grau 4, segundo informações do site The Athletic. ➡️A lesão grau 4 acontece quando há uma ruptura completa ou praticamente completa do músculo. Nesses casos, há uma perda da continuidade das fibras musculares. (entenda mais abaixo) "Nos jogadores de futebol, explosivos como o Estêvão, isso geralmente acontece nos movimentos de arrancada, aceleração ou desaceleração brusca, quando a demanda sobre o músculo é muito mais alta", detalha o ortopedista e traumatologista do esporte, Bruno Canizares. Com o diagnóstico da ruptura quase total do músculo posterior da coxa direita, a indicação do Chelsea, time pelo qual o jogador atua, foi de operação imediata – um tratamento bastante comum nessas situações. Caso Estêvão optasse pela cirurgia, não haveria tempo suficiente para uma recuperação total até a Copa do Mundo. O brasileiro negocia para retornar ao Brasil e realizar um tratamento conservador, que possibilite a participação no Mundial. O que acontece em uma lesão grau 4? Lesões musculares na região posterior da coxa, como foi o caso do Estêvão, estão entre as mais comuns no futebol. O que varia é a gravidade do problema. Adriano Marques de Almeida, médico ortopedista e presidente do Comitê de Artroscopia e Traumatologia da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), explica que o músculo pode apresentar lesões parciais, em que apenas parte das fibras musculares é atingida, até lesões com ruptura completa das fibras. No caso de uma lesão grau 4, a mais grave, há esse rompimento total. Canizares detalha que, quando há uma ruptura muscular grande e extensa, o músculo perde parte importante da capacidade de gerar força, absorver carga e controlar o movimento. "No futebol isso vai impactar exatamente no que define o desempenho: aceleração, mudança de direção, sprint, chute, potência. E, muitas vezes, o atleta vai sentir uma dor súbita e perceber que não vai mais conseguir continuar o movimento que ele estava fazendo", exemplifica. De acordo com os especialistas, esse tipo de quadro desencadeia uma reação inflamatória no corpo. Nesse cenário, os principais sintomas de que se trata de uma lesão grau 4 são: Sangramento local e interno Inchaço Dor Perda de força muscular "Nas lesões de grau 4, não se trata apenas de um estiramento, mas sim de uma falha de grau bem maior, com a perda da continuidade das fibras musculares reais, em espessura total", completa Bruno. Como é e quanto dura o tratamento? Por se tratar de uma lesão grave, o tempo de recuperação é longo, o que justifica a preocupação sobre a possível ausência do jogador na Copa do Mundo. "Após essa lesão, é necessário tratamento adequado para permitir a cicatrização do músculo, evitando a formação de fibrose, permitindo a recuperação da mobilidade e da força muscular, sem dor ou qualquer sintoma", recomenda Adriano Almeida. ‼️O médico ainda acrescenta que o período de tratamento vai de oito a doze semanas. Em caso de cirurgia, o tempo de retorno pode ser superior a 4 meses. Os especialistas ainda comentam que o tratamento depende diretamente de fatores como a localização da lesão e o quanto desse músculo foi acometido. Quando a lesão é somente muscular, sem envolver tendões, há a possibilidade de iniciar a recuperação de forma conservadora, com controle da dor e do inchaço, proteção da região e reabilitação progressiva com fisioterapia. Mas na grande maioria das lesões de grau 4, pelo nível de gravidade e com acometimento do tendão, a opção costuma ser a cirurgia. "Nessas lesões que são muito graves, o retorno pode demorar vários meses porque o atleta não tem só que tirar a dor e pronto, está recuperado. Tem que recuperar toda a força que ele tinha naquele músculo, recuperar potência, velocidade", analisa Canizares. Estêvão fora da Copa? Os médicos analisam que, por se tratar de uma lesão considerada bem grave, a 50 dias do início da Copa do Mundo, é possível que o problema tire o atleta da lista de convocados. Uma vez que o atleta precisa recuperar toda a funcionalidade do músculo, e não apenas deixar de sentir dor, é difícil quantificar quanto tempo será necessário para o retorno da qualidade dos movimentos a ponto de poder competir em alto nível. "Um grande problema nesses casos é acelerar o retorno. Quando a gente tem uma lesão muscular grave desse jeito, pode ser o pior dos erros, porque aí você vai começar a criar lesões de repetição", alerta Bruno. Os especialistas ainda ponderam que é cedo para cravar a ausência do atacante na competição, porque o tratamento também depende muito da localização da lesão, algo que só pode ser observado no laudo.

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