Kiwi, psyllium e pão de centeio entram em diretriz oficial contra prisão de ventre
Psyllium Oliwier Brzezinski/Divulgação Alimentos como kiwi e pão de centeio, além de suplementos de fibra como o psyllium e águas minerais ricas em magnés...
Psyllium Oliwier Brzezinski/Divulgação Alimentos como kiwi e pão de centeio, além de suplementos de fibra como o psyllium e águas minerais ricas em magnésio, passam a integrar, pela primeira vez, diretrizes clínicas oficiais para o tratamento da constipação crônica em adultos. As recomendações fazem parte de um guia elaborado por nutricionistas da British Dietetic Association, com base na análise de 75 ensaios clínicos randomizados, publicado em revista científica. Do genérico ao específico Os pesquisadores da British Dietetic Association reuniram evidências de quatro grandes revisões sistemáticas com meta-análises para construir 59 recomendações dietéticas práticas voltadas ao manejo da constipação crônica. O objetivo foi abandonar orientações vagas, como “aumente o consumo de fibras”, e indicar quais alimentos, suplementos e bebidas realmente mostraram benefício em estudos clínicos. As recomendações abrangem suplementos, alimentos e bebidas — e deixam claro que nem todas as fibras, frutas ou hábitos alimentares produzem o mesmo efeito sobre o intestino. Psyllium se destaca entre as fibras Entre os suplementos de fibra, o principal destaque das diretrizes ficou com o psyllium, uma fibra solúvel extraída da casca da semente da planta Plantago ovata. Segundo o documento, ele apresentou os resultados mais consistentes entre os suplementos avaliados, com melhora da frequência das evacuações, da consistência das fezes e redução do esforço para evacuar. Os autores ressaltam que os efeitos positivos foram observados em doses semelhantes às testadas nos ensaios clínicos e com uso regular. Outras fibras, como a inulina, mostraram benefícios mais modestos e maior risco de efeitos adversos, como gases e desconforto abdominal. Kiwi, pão de centeio e água mineral Entre os alimentos, o kiwi foi um dos que apresentaram melhor desempenho. De acordo com a diretriz, o consumo regular — em geral duas unidades por dia, por pelo menos quatro semanas — esteve associado à melhora da frequência intestinal e da textura das fezes, com resultados comparáveis aos observados com o psyllium em alguns estudos. O pão de centeio também mostrou efeito positivo, por conter fibras solúveis e fermentáveis que aumentam o volume das fezes e estimulam o trânsito intestinal, embora os estudos tenham usado quantidades elevadas, pouco factíveis na rotina da maioria das pessoas. Já entre as bebidas, as diretrizes apontam benefícios do consumo de águas minerais com alto teor de magnésio e sulfato, que têm efeito osmótico — ajudam a puxar água para o interior do intestino, facilitando a evacuação. O que perdeu protagonismo Frutas tradicionalmente associadas ao “intestino solto”, como ameixa e maçã, aparecem nas diretrizes com ressalvas. Embora saudáveis e ricas em fibras, os autores afirmam que não há evidência científica robusta de que o consumo regular dessas frutas, isoladamente, seja eficaz no tratamento da constipação crônica. Metodologia, pontos fortes e limitações A diretriz foi elaborada a partir de quatro revisões sistemáticas com meta-análises de ensaios clínicos randomizados, seguidas da formulação de recomendações com o método GRADE e validação por consenso Delphi entre especialistas multidisciplinares. Apenas intervenções com pelo menos dois ensaios clínicos foram consideradas. Apesar do rigor, a maior parte das recomendações foi classificada como de baixo ou muito baixo nível de evidência, refletindo a escassez de estudos grandes e homogêneos na área. Por esse motivo, os autores afirmam que não foi possível recomendar padrões alimentares completos, como dietas inteiras, apenas alimentos, suplementos e bebidas específicos. Prisão de ventre pode ser causada por má alimentação e sedentarismo