Justiça bloqueia R$ 429 milhões ligados à facção Tren de Aragua em investigação da polícia em Roraima
Operação contra Tren de Aragua apreende dólares e Porsche A Justiça bloqueou R$ 429 milhões em contas bancárias e ativos financeiros ligados a investigado...
Operação contra Tren de Aragua apreende dólares e Porsche A Justiça bloqueou R$ 429 milhões em contas bancárias e ativos financeiros ligados a investigados apontados como integrantes da estrutura financeira da facção criminosa venezuelana Tren de Aragua. A medida foi obtida pela Polícia Civil de Roraima durante a operação "Rota do Norte" contra o grupo criminoso. Segundo a Civil, o bloqueio atinge diretamente o núcleo responsável pela movimentação, ocultação e lavagem de recursos conseguidos por meio de atividades criminosas atribuídas à organização, como tráfico de drogas e tráfico internacional de armas. As investigações identificaram 34 pessoas físicas e jurídicas suspeitas de integrar o esquema financeiro da facção. Alvo da operação, a Tren de Aragua é investigada pela polícia por abastecer o Comando Vermelho com armas adquiridas nos Estados Unidos, Colômbia e Venezuela. De acordo com as investigações, a facção utilizava Roraima como rota de entrada e distribuição dos armamentos destinados aos integrantes do grupo criminoso no Amazonas e no Rio de Janeiro. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp A operação foi deflagrada no dia último dia 16 em Roraima, Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná. O objetivo era desarticular os braços operacional e financeiro da organização criminosa. O delegado titular da Delegacia de Repressão às Organizações Criminosas Organizadas (Draco), Hugo Cardias, afirma que o bloqueio R$ 429 milhões representa um duro golpe contra a capacidade financeira do grupo. “Esse bloqueio representa um duro golpe contra a facção criminosa, especialmente contra o seu braço financeiro. Essa estrutura era responsável por receber recursos provenientes do tráfico de drogas e do tráfico de armas, promovendo a ocultação e a lavagem desses valores para manter o funcionamento da organização”, destacou. As investigações apontam que os investigados utilizavam empresas, contas bancárias, veículos de alto valor comercial e outros mecanismos para ocultar patrimônio e dissimular a origem ilícita dos recursos movimentados pela facção. A operação é resultado de mais de um ano de investigação conduzida pela Draco e teve origem após a operação Kapok, em novembro de 2024. A partir disso, a polícia identificou que a facção fornece armamento de guerra, como metralhadoras calibre .50 e lança-granadas, a facções como o Comando Vermelho no Amazonas e no Rio de Janeiro. Resumo das prisões e apreensões Até esta quinta-feira (18), 13 mandados de prisão preventiva foram cumpridos nos seis estados alcançados pela operação. As investigações continuam para localizar os demais investigados e cumprir todas as medidas judiciais. Além de empresas, contas bancárias e veículos de alto valor, a investigação identificou o uso de criptomoedas para movimentar e ocultar recursos da facção. Para rastrear e bloquear esses ativos digitais, a polícia teve o apoio de uma empresa de inteligência dos Estados Unidos especializada na análise de transações em blockchain. Segundo a polícia, a estratégia busca enfraquecer organizações criminosas não apenas por meio da prisão de integrantes, mas também atingindo suas fontes de financiamento e impedindo a circulação de recursos usados para sustentar atividades ilícitas e ampliar a atuação dos grupos criminosos. A operação mobilizou equipes das polícias civis de Roraima, Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná, com apoio da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim). Equipamentos apreendidos pela Polícia Civil em operação contra Tren de Aragua em Roraima. João Gabriel Leitão/g1 RR Principal operador preso Entre os alvos alcançados pela operação está Gustavo Vieira Rufino, apontado como principal operador financeiro da facção venezuelana no Brasil. Ele foi preso na terça-feira (16) no Rio de Janeiro. Segundo a polícia, Gustavo Rufino exercia um papel estratégico no gerenciamento, movimentação e ocultação dos recursos do Tren de Aragua no país. A ofensiva da Polícia Civil teve como alvos principais os próprios estrangeiros que migraram para gerenciar o crime. Foram expedidos 18 mandados de prisão preventiva contra criminosos venezuelanos e sete contra brasileiros. A atuação da facção em Roraima é monitorada desde 2018. ➡️ Fundada em uma prisão na Venezuela, a Tren de Aragua atua em países como Colômbia, Bolívia, Peru e Chile com crimes que incluem sequestro, extorsão, mineração ilegal e tráfico de drogas e de pessoas. No ano passado, os Estados Unidos classificaram o grupo como organização terrorista estrangeira, a mesma designação aplicada ao PCC e ao Comando Vermelho. 'Simbiose' com Comando Vermelho A necessidade de lavar o dinheiro no ambiente virtual ocorre devido ao volume financeiro gerado pela aliança entre o Tren de Aragua e o CV. O elo é classificado pela polícia como uma "simbiose" motivada pelo alto poder de compra da facção brasileira e pelo acesso a armas pesadas que os estrangeiros possuem. O grupo venezuelano usa Roraima como corredor estratégico para trazer metralhadoras calibre .50, fuzis e lança-granadas oriundos dos Estados Unidos, da Colômbia e da Venezuela. O destino final do arsenal são os membros do CV no Rio de Janeiro e no Amazonas. "Há um conjunto probatório robusto de que essas armas eram enviadas para o estado do Amazonas e, em um segundo momento, para o estado do Rio de Janeiro. Armas oriundas dos Estados Unidos, da Colômbia e da Venezuela", informou o delegado, Wesley Costa, responsável por parte das investigações. LEIA MAIS: Gustavo Rufino: Polícia prende suspeito de lavar R$ 300 milhões para facção venezuelana Armas dos EUA: Tren de Aragua fornece armamentos para CV, revela investigação Blockchain: Entenda o que é blockchain, a tecnologia por trás do bitcoin Rota do Norte: Tren de Aragua usa RR como corredor para tráfico internacional de armas Dólares apreendidos com alvo de operação contra facção Tren de Aragua em Boa Vista Arquivo pessoal Operação Rota do Norte Além das 15 prisões e do congelamento dos ativos financeiros, as equipes apreenderam cerca de R$ 350 mil em valores convertidos. Foram recolhidos R$ 76.725 em espécie, além de US$ 48.285 (dólares) e € 35 (euros). Três máquinas de contar dinheiro e 17 aparelhos celulares também foram confiscados. A polícia apreendeu ainda 11 veículos, incluindo carros de luxo como um Porsche no Rio de Janeiro e um Land Rover em São Paulo. Em Roraima, os agentes confiscaram uma caminhonete S10, um Creta, um HR-V e um HB20. Foram recolhidas porções de metanfetamina, ecstasy, maconha, cocaína e loló, além de munições e uma pistola calibre 380. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.