Justiça atende pedido e Jairinho será ouvido após Monique em processo sobre morte de Henry

Justiça do Rio retoma julgamento do caso Henry Borel A Sétima Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) aceitou um habeas corpus apresentado pela...

Justiça atende pedido e Jairinho será ouvido após Monique em processo sobre morte de Henry
Justiça atende pedido e Jairinho será ouvido após Monique em processo sobre morte de Henry (Foto: Reprodução)

Justiça do Rio retoma julgamento do caso Henry Borel A Sétima Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) aceitou um habeas corpus apresentado pela defesa do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e determinou que ele será ouvido depois de Monique Medeiros no processo em que ambos são réus pela morte do menino Henry Borel. O pedido foi feito pelos advogados Rodrigo Faucz e Alanis Matzembacher, que argumentaram que Monique acusa o ex-vereador de ter cometido o crime sozinho e, por isso, o depoimento dela antes do dele é essencial para que a defesa possa conhecer integralmente as acusações e se manifestar de forma adequada. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça 'Prazer em infligir dor em crianças' Jairinho durante o julgamento do caso, em março Divulgação/Brunno Dantas e Felipe Cavalcanti/TJRJ Nesta quarta-feira (27), ocorre o terceiro dia de julgamento do caso. O psiquiatra Rafael Bernardon é a terceira testemunha de acusação a prestar depoimento. Durante o depoimento, Bernardon afirmou que buscou identificar padrões de comportamento e de dinâmica de personalidade dos réus para auxiliar o Conselho de Sentença na compreensão do caso. "Eu percebi que há um padrão repetitivo de abuso infantil por parte do réu [Jairinho], um padrão de prazer em infligir dor em crianças", disse o psiquiatra. Em parecer anexado ao processo, o psiquiatra afirmou que Jairinho apresenta “características de uma personalidade narcisista, perversa e sádica”. Segundo o especialista, o réu demonstrava comportamento agressivo e violento em ambientes privados e teria prazer em “infligir dor nos filhos de suas companheiras”. Jairinho demonstrou inquietação durante o depoimento do especialista. Em determinado momento, uma parte da bancada da defesa do réu caiu no plenário, o que provocou uma pausa na sessão. Sobre Monique, Bernardon afirmou que ela não seria subjugada por Jairinho. Segundo o especialista, Monique “subordina sistematicamente o bem-estar de seu filho aos seus próprios interesses narcísicos e ambições materiais” e não afastou a criança da situação de abuso, apesar dos “múltiplos sinais de alarme”. O pisquiatra descreveu Monique como uma mulher "autocentrada, ambiciosa, vaidosa, e, ao longo da relação com o Henry, priorizava os seus interesses ao invés dos interesses de proteção da criança". "Ela desejava ascensão social", acrescentou. Enquanto ouvia o depoimento do psiquiatra, Monique escrevia em um papel. A assistência de acusação voltou a perguntar sobre as tendências de Jairinho para a psicopatia. Bernardon citou o caso de Enzo, filho de Déborah Mello Saraiva, ex-namorada de Jairinho, que teria tido o fêmur quebrado após ser supostamente jogado de um carro pelo ex-vereador. O psiquiatra também citou que Enzo foi pisoteado e torturado por Jairinho em outro episódio. "O Enzo estava precisando de ajuda psiquiátrica. A volta do caso à mídia fez com que isso ativasse gatilhos. Ele ainda não consegue falar do assunto." Bernardon afirmou que Monique comentou com a babá sobre a compra de câmeras para verificar se Henry sofria agressões quando ela não estava em casa. "Havia uma comunicação de mão única, dela dizendo pra babá que pensou em colocar câmeras na casa por desconfiança do que vinha acontecendo com o filho." O advogado Rodrigo Faucz criticou o depoimento do psiquiatra e afirmou que o médico não poderia se manifestar sobre pessoas que não entrevistou, por questões éticas da profissão. "Trata-se de uma pessoa que não presenciou, não entrevistou e apenas foi contratada para expor suas impressões pessoais", disse Faucz. O advogado também afirmou que, na primeira fase do processo, a juíza considerou irrelevante a oitiva do psiquiatra e proibiu seu depoimento. Babá promete ‘falar tudo’ Justiça retoma julgamento do caso Henry Borel; mãe e padrasto são acusados de tortura e homicídio qualificado Jornal Nacional/ Reprodução O depoimento da babá Thayná Ferreira foi remarcado após atrasos no andamento do julgamento. Inicialmente prevista para esta quarta, a oitiva da testemunha deve acontecer apenas nos próximos dias. Em entrevista ao g1, a advogada Juliana Nascimento, que representa Thayná, afirmou que a babá pretende esclarecer as diferentes versões apresentadas por ela ao longo do processo. Segundo a advogada, Thayná sofreu pressão para mentir durante a investigação do caso. “A Thayná responde a um processo de falso testemunho, ela foi coagida e pressionada a mentir pela Monique, que pediu a ela para apagar mensagens (do celular). Por medo, a Thayná não revelou tudo”, explicou a advogada. "Estou a acompanhando para que ela possa se retratar (sobre as diferentes versões do caso). Thayná está pronta para falar tudo", afirmou Juliana Nascimento. O g1 entrou em contato com a defesa de Monique, que ainda não se pronunciou sobre as declarações da advogada de Thayná. Em dois dias de julgamento, apenas o delegado Henrique Damasceno, responsável pela investigação do caso, e a delegada Ana Carolina Lemos foram ouvidos. O interrogatório dele se estendeu por horas e ainda atrasou o cronograma previsto para as demais testemunhas da acusação. 🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum episódio. Baixe o GloboPop. Atrasos devem ampliar duração do júri Os primeiros depoimentos previstos no júri são de testemunhas da acusação. Além dos delegados Henrique Damasceno e Ana Carolina Lemos, também serão ouvidos o perito do Ministério Público Luis Carlos Leal Prestes, e o médico-legista Luis Ayrton Saavedra. O g1 apurou que a demora nos depoimentos já deve provocar remarcações de outras testemunhas e pode ampliar a duração do julgamento, inicialmente previsto para durar entre cinco e sete dias. Sobre a mudança na data do depoimento da babá, a advogada Juliana Nascimento afirmou que sua cliente está aguardando a data da oitiva. “Estamos aguardando quando será remarcado o depoimento dela", disse. Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, usava uma camiseta com fotos do filho Jornal Nacional/ Reprodução Babá já apresentou três versões O depoimento de Thayná é considerado um dos mais importantes do processo porque a babá apresentou diferentes versões ao longo da investigação sobre a morte de Henry. Na primeira vez em que falou à polícia, em março de 2021, ela afirmou que nunca percebeu nada de anormal na relação de Jairinho e Monique com o menino. Em um segundo depoimento, dado no mês seguinte, Thayná disse que Monique sabia das agressões sofridas por Henry e que teria pedido para que ela mentisse à polícia. Na ocasião, a babá afirmou que soube de três episódios de agressão contra o menino. Já durante a audiência de instrução do caso, Thayná mudou novamente a versão e declarou que não sabia das agressões praticadas por Jairinho. Na mesma audiência, afirmou que se sentia manipulada por Monique.

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