Julgamento expõe contradições de condenado por matar motorista de aplicativo em acidente com Porsche

Como foi o julgamento do empresário Fernando Sastre, condenado a 17 anos de prisão Imagens inéditas do julgamento de Fernando Sastre, condenado na última qu...

Julgamento expõe contradições de condenado por matar motorista de aplicativo em acidente com Porsche
Julgamento expõe contradições de condenado por matar motorista de aplicativo em acidente com Porsche (Foto: Reprodução)

Como foi o julgamento do empresário Fernando Sastre, condenado a 17 anos de prisão Imagens inéditas do julgamento de Fernando Sastre, condenado na última quinta-feira (29) a 17 anos de prisão pela morte do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, mostram depoimentos que expõem contradições sobre o que aconteceu depois da batida do Porsche. Os vídeos, aos quais o Fantástico e o g1 tiveram acesso, registram mais de dez horas de depoimentos de 11 pessoas. Entre os relatos, há versões diferentes sobre a tentativa de prestar socorro e a saída de Fernando do local. Uma testemunha afirmou que o empresário a mandou sair e calar a boca quando ela perguntou se ele estava bem. Fernando negou ter tratado alguém dessa maneira durante o julgamento. Outra contradição envolve a ida de Fernando para o hospital. A mãe do empresário pediu autorização à polícia para levá-lo a uma unidade de saúde, mas os dois não foram ao local e voltaram para casa. Diante dos jurados, Fernando admitiu pela primeira vez que havia consumido bebida alcoólica na noite do acidente, ocorrido em 30 de março de 2024. "Eu quero aproveitar aqui em plenário para fazer uma confissão: no dia dos fatos, eu ingeri bebida alcoólica", afirmou. A noite do acidente Fernando contou que estava em casa com a namorada, Giovanna, quando combinou de encontrar os amigos Marcos Vinícius Machado Rocha e Juliana de Toledo Simões, que eram namorados na época. O grupo foi a um restaurante, onde pediu comida e drinks. Durante a conversa, surgiu a ideia de seguir para uma casa de pôquer, que ficava a pouco mais de um quilômetro do estabelecimento. Segundo Fernando, o local funcionava no sistema all inclusive, com comida e bebidas disponíveis para os frequentadores. O grupo permaneceu no estabelecimento até depois das duas horas da manhã. Na saída, Juliana percebeu que Fernando estava alterado. Um vídeo gravado naquele momento mostra uma conversa sobre jogar sinuca. Em depoimento, ela confirmou que os amigos discutiram porque não queriam que ele dirigisse. Antes do acidente, amigos de Fernando Sastre discutiram porque não queriam que ele dirigisse Reprodução/TV Globo Marcos também contou que Fernando decidiu assumir o volante. Os amigos seguiram em carros separados: o empresário dirigia o Porsche, com Marcos como passageiro, enquanto Giovanna e Juliana estavam em outro veículo. O destino era a casa de Fernando, mas o trajeto foi interrompido pela colisão. Em seu depoimento, o empresário disse que se lembrava de ter visto um carro à sua frente e que, depois disso, não se lembrava de mais nada. Testemunhas relatam o que aconteceu após a batida Fernando atingiu o carro de Ornaldo da Silva Viana, motorista de aplicativo de 52 anos que voltava para casa depois do trabalho. Pessoas que passavam pelo local pararam para ajudar. Uma das testemunhas, disse que decidiu prestar os primeiros socorros e se concentrou em atender Ornaldo. Outra, que também prestou auxílio, disse que se aproximou de Fernando para perguntar se ele estava bem. "Ele me manda eu sair e calar a boca", contou. O relato foi contestado por Fernando. "Eu jamais faria isso", disse o empresário. Fernando atingiu o carro de Ornaldo da Silva Viana, motorista de aplicativo de 52 anos Reprodução/TV Globo O resgate e a polícia chegaram ao local, e testemunhas afirmaram para os policiais que os envolvidos tentavam deixar a área. Uma delas disse que as pessoas precisaram segurá-los para impedir a saída. Outro homem que presenciou a ocorrência disse que a mãe de Fernando, Daniela Cristina de Medeiros, chegou pouco depois e tentou tirá-lo do local. "Eu virei de costas ali e falei para a policial: 'Viu? Eles estão indo embora'", lembrou. Uma policial perguntou se Fernando era o motorista do Porsche, e a mãe do empresário pediu para levá-lo ao hospital para fazer uma tomografia. A agente colheu os dados e liberou o Fernando. Em seguida, a mãe disse que o levaria ao Hospital São Luiz e chamou o filho para ir embora. Apesar do pedido, os dois voltaram para casa em vez de ir para o hospital. "Minha mãe me medica. E, com esse medicamento, eu simplesmente apaguei no sofá onde eu estava", disse Fernando. Contradições no caso Para o promotor Rodolfo Morais, a defesa de Fernando apresentou inúmeras contradições. "O perito contratado pela família afirma que o veículo teria alguns defeitos, os quais, diversamente do afirmado pela Porsche, não eram verdade", afirmou. O promotor também destacou que a defesa contratou um perito para afirmar que não havia elementos suficientes para afirmar que o empresário tinha ingerido bebida alcoólica. "Aquele vídeo espanta quaisquer dúvidas acerca da embriaguez dele", disse. Fernando não fez o teste do bafômetro no local do acidente. Por esse motivo, os policiais envolvidos na ocorrência respondem a processos administrativos. Para o promotor Rodolfo Morais, porém, o teste não é o único meio de comprovação que o motorista havia bebido. Ao longo do processo, testemunhas disseram ter percebido Fernando cambaleando e mencionaram fala pastosa do empresário. O amigo Marcos confirmou que todos haviam consumido bebidas alcoólicas naquela noite, incluindo Fernando. A comanda do primeiro restaurante registrava oito drinks, uma caipirinha e duas águas. Questionado se o consumo de dois drinks explicaria a fala pastosa registrada em vídeo, o empresário disse que não sabia responder. Fernando Sastre, condenado por matar motorista de aplicativo em acidente com Porsche Reprodução/TV Globo A velocidade do Porsche também foi discutida durante o processo. A primeira perícia apontou que o carro estava a quase 115 km/h no momento da colisão. Na época, Fernando contestou o resultado e pediu uma segunda análise. Duas semanas depois, uma nova perícia indicou que o veículo trafegava a uma velocidade ainda maior, de 136 km/h. Com a força do impacto, o motorista Ornaldo não teve chances de sobreviver. Apesar da ajuda imediata e do socorro médico, ele morreu. Condenação e recursos Antes da sentença, Lucas Morais da Silva, filho de Ornaldo, falou aos jurados sobre a perda do pai. Ele pediu que a pena correspondesse à gravidade do caso. Fernando Sastre está preso desde maio de 2024. Ao fim do julgamento, foi condenado por homicídio qualificado, com reconhecimento de dolo eventual, quando se assume o risco de matar. A pena foi fixada em 17 anos, 1 mês e 10 dias de prisão. O Ministério Público informou que vai recorrer para tentar aumentar a punição. A defesa declarou que recebeu a decisão com serenidade, mas discorda do resultado. Os advogados também disseram que vão recorrer para tentar reverter a condenação. Após o julgamento, Lucas e Luan, filhos de Ornaldo, falaram sobre a ausência do pai e a maneira como a família tenta seguir em frente. "O meu pai gostaria que a gente agisse assim, inclusive ele nos ensinava a ser fortes", disse Luan. Ornaldo da Silva Viana, motorista de aplicativo que morreu em acidente causado por Fernando Sastre Reprodução/TV Globo GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Fantástico Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.

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