Guerra no Oriente Médio completa seis meses com impacto no petróleo, alimentos e mercados

Prazo de 60 dias do Memorando de Entendimento para terminar guerra entre EUA e Irã se aproxima do fim com um impasse A guerra no Oriente Médio completa seis m...

Guerra no Oriente Médio completa seis meses com impacto no petróleo, alimentos e mercados
Guerra no Oriente Médio completa seis meses com impacto no petróleo, alimentos e mercados (Foto: Reprodução)

Prazo de 60 dias do Memorando de Entendimento para terminar guerra entre EUA e Irã se aproxima do fim com um impasse A guerra no Oriente Médio completa seis meses nesta sexta-feira (28), com efeitos que ultrapassaram as fronteiras da região e atingiram os mercados de energia, alimentos e investimentos em todo o mundo. O conflito começou em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã. Desde então, as restrições à passagem de petróleo e outros produtos pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas comerciais do mundo, provocaram forte impacto nos mercados de energia. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Petróleo e combustíveis mais caros A guerra afetou a produção de petróleo nos países do Golfo e reduziu fortemente o transporte de cargas pelo Estreito de Ormuz. O petróleo Brent chegou a ultrapassar US$ 120 por barril em abril. O impacto também chegou aos combustíveis produzidos a partir do petróleo, como diesel e querosene de aviação. O diesel sofreu uma pressão ainda maior sobre os preços. Além da redução das exportações do Golfo, ataques ucranianos a refinarias russas diminuíram a oferta de combustíveis no mercado internacional. O combustível de aviação também foi afetado no início do conflito. Depois, o aumento da produção e das exportações das refinarias dos Estados Unidos ajudou a aliviar parte das preocupações com o abastecimento. Com a aproximação do inverno no Hemisfério Norte, quando a demanda por energia tende a aumentar, novos problemas no Estreito de Ormuz ou na infraestrutura energética russa podem voltar a pressionar os combustíveis e a inflação. Ilustração mostra bandeira dos EUA e do Irã REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração Bolsas resistem ao impacto da guerra Apesar do choque no setor de energia, as bolsas globais resistiram aos efeitos da guerra e continuaram avançando. O valor das empresas que fazem parte do índice mundial de ações da MSCI, que reúne mercados de 47 países, atingiu neste mês o recorde de US$ 105 trilhões. São quase US$ 7 trilhões a mais, uma alta de 9%, desde o início da guerra. Um dos principais fatores que sustentaram as bolsas foi o forte volume de investimentos em empresas ligadas à inteligência artificial. A valorização das empresas de tecnologia ajudou a compensar parte das perdas provocadas pela guerra em outros setores e regiões, especialmente nos mercados do Golfo. Premiê de Israel chama governantes do Irã de 'selvagens': 'Um acordo não pode ser alcançado' Dólar, ouro e títulos não foram refúgios tão seguros Em momentos de crise, investidores costumam procurar ativos considerados mais seguros, como dólar, ouro e títulos do governo americano, na tentativa de proteger o patrimônio das oscilações dos mercados. Desta vez, porém, esses investimentos não tiveram um comportamento uniforme. O dólar acumula alta de cerca de 1,4% em relação a um conjunto das principais moedas do mundo desde o início da guerra. Já os títulos do governo dos Estados Unidos acumularam perda de cerca de 3,5%, considerando tanto a variação de preço quanto os rendimentos pagos aos investidores. O desempenho foi pressionado principalmente pela alta da inflação e pelas expectativas para os juros americanos. O ouro também oscilou bastante. Caiu quase 25% entre o início da guerra e julho, mas subiu mais de 15% somente neste mês, em meio às preocupações com o dólar. Guerra aumenta pressão sobre alimentos e fertilizantes Os efeitos do conflito também chegaram à produção de alimentos. A redução dos embarques pelo Estreito de Ormuz afetou o comércio internacional de fertilizantes, produtos usados nas lavouras para fornecer nutrientes às plantas e aumentar a produtividade. O problema se somou aos efeitos do El Niño e às interrupções no transporte de grãos provocadas pela guerra na Ucrânia. A combinação desses fatores aumentou a pressão sobre os preços dos alimentos. Segundo a Reuters, os preços globais da alimentação atingiram em julho o maior nível em mais de três anos, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). O JPMorgan estima que, mesmo sem considerar os efeitos da guerra, um El Niño forte poderia acrescentar cerca de 0,7 ponto percentual à inflação global dos alimentos no momento de maior impacto. O impacto tende a ser maior em países da Ásia, América Latina e África, onde as famílias gastam uma parcela maior da renda com alimentação. Países do Golfo são os mais atingidos Os países produtores de petróleo e gás do Golfo estão entre os mais afetados economicamente pela guerra. As exportações da Arábia Saudita caíram 10% do primeiro para o segundo trimestre. No Catar, a Oxford Economics estima que a economia encolha quase 30% neste ano, em razão dos danos ao complexo de gás de Ras Laffan. As bolsas do Catar e dos Emirados Árabes Unidos caíram cerca de 14%, enquanto o mercado global de ações avançou no período. O mercado imobiliário de Dubai também sofreu forte impacto. Segundo estimativa do JPMorgan, as vendas de imóveis caíram entre 70% e 80%.

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