Governo do Nepal volta atrás e aceita ajuda internacional; cerca de 3 mil seguem desaparecidos
JN direto do Nepal: enviados especiais mostram regiões devastadas por avalanche O governo do Nepal voltou atrás e passou a aceitar ajuda da comunidade interna...
JN direto do Nepal: enviados especiais mostram regiões devastadas por avalanche O governo do Nepal voltou atrás e passou a aceitar ajuda da comunidade internacional para reforçar as operações de busca e salvamento após as enchentes provocadas pelo colapso de uma geleira na região do Himalaia. A mudança ocorreu horas depois de as autoridades anunciarem que conseguiriam conduzir sozinhas os resgates. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 As operações, que chegaram a ser suspensas temporariamente por causa da chuva intensa e do nevoeiro, foram retomadas neste sábado (29) após melhora das condições climáticas. Enquanto isso, cerca de 3 mil pessoas continuam desaparecidas entre Nepal e China, segundo as autoridades. São 2.426 desaparecidos em território nepalês e 554 no Tibete chinês, entre moradores, turistas, peregrinos e trabalhadores de obras de hidrelétricas. Pelo menos 540 dos desaparecidos são estrangeiros. ➡️ O governo informou que equipes especializadas da Índia já participam das buscas, enquanto outro grupo de resgate é aguardado da China. As operações seguem concentradas na retirada de sobreviventes isolados e na tentativa de alcançar um túnel de uma usina hidrelétrica onde cerca de 100 pessoas permanecem presas. Número de mortos sobe para 676 no Nepal Policiais nepaleses observam máquinas removendo os destroços após enchentes repentinas no distrito de Nuwakot, Nepal, em 27 de agosto de 2026 Niranjan Shrestha/AP O balanço mais recente divulgado neste sábado (29) aponta que 669 pessoas morreram no Nepal em decorrência das enchentes. No Tibete chinês, outras sete mortes foram confirmadas, elevando para 676 o número total de vítimas da tragédia. Segundo as autoridades, o número de mortos pode aumentar à medida que novas áreas se tornam acessíveis às equipes de resgate. O desastre começou na quarta-feira (26), quando o colapso de uma geleira lançou uma grande quantidade de gelo, rochas, lama e detritos sobre os rios da região de fronteira entre Nepal e China, destruindo vilarejos, pontes, estradas, escolas, hospitais e usinas hidrelétricas. Corpos serão enterrados após coleta de DNA Três dias após a tragédia, as autoridades informaram que parte dos corpos recuperados já está em avançado estado de decomposição, impossibilitando a identificação visual. Segundo a administração do distrito de Chitwan, amostras de DNA serão coletadas antes que os corpos sejam enterrados em áreas abertas, como medida para reduzir riscos sanitários e preservar a possibilidade de identificação futura. Familiares de desaparecidos seguem procurando informações em hospitais e centros de atendimento. Em Katmandu, parentes tentam reconhecer vítimas por meio de fotografias afixadas nos muros do Campus Médico de Maharajgunj, para onde parte dos corpos foi levada. Sobreviventes aguardam resgate Na cidade de Bidur, a cerca de duas horas de Katmandu, centenas de moradores seguem à espera de helicópteros para retornar às comunidades atingidas. Uma base militar foi transformada em centro de atendimento aos sobreviventes resgatados por via aérea. As aeronaves têm priorizado a retirada de pessoas que ainda permanecem isoladas, enquanto familiares buscam informações sobre desaparecidos. As autoridades também começaram a reabrir algumas estradas para permitir a retirada de moradores por terra, diante da limitação do número de helicópteros disponíveis. O risco de novas enchentes, porém, continua sendo monitorado. Dois lagos formados após o colapso da geleira permanecem sob observação das autoridades nepalesas e chinesas. Um deles começou a escoar lentamente neste sábado, reduzindo o risco imediato de novos transbordamentos, mas especialistas alertam que o perigo só diminuirá completamente quando ambos estiverem esvaziados. Reconstrução deve custar bilhões de dólares Nesta fotografia divulgada pela agência de notícias Xinhua, uma imagem de drone mostra uma área afetada por inundações na quinta-feira, 27 de agosto de 2026, em Nuwakot, Nepal Sulav Shrestha/Xinhua via AP O ministro das Relações Exteriores, Shisir Khanal, afirmou que, embora a prioridade seja salvar vidas, o Nepal precisará de apoio internacional para reconstruir as áreas destruídas. O ministro das Finanças, Swarnim Wagle, estima que a reconstrução custará entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões (cerca de R$ 20,8 bilhões a R$ 26 bilhões, na cotação atual), embora ressalte que os prejuízos ainda estão sendo contabilizados. Além de recursos financeiros, o governo solicitou assistência técnica para resgatar pessoas presas em túneis, restaurar estradas e comunicações interrompidas pela destruição de pontes, identificar vítimas, realizar exames de DNA e ampliar a capacidade de armazenamento de corpos. A Índia já enviou cerca de 60 toneladas de suprimentos de emergência, incluindo alimentos, medicamentos e cobertores, além de oferecer equipes técnicas e pontes pré-fabricadas para ajudar na recuperação da infraestrutura. Segundo a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, aproximadamente 93 mil pessoas foram afetadas pela tragédia. *Com informações da agência Reuters, AFP e RFI