Genial identificou investigação da CVM contra empresário antes de operação para compra da Terrana, diz MP

3° fase da operação Carbono Oculto faz buscas contra executivos do Banco Genial e delator do Banco Master O Banco Genial identificou, durante procedimentos i...

Genial identificou investigação da CVM contra empresário antes de operação para compra da Terrana, diz MP
Genial identificou investigação da CVM contra empresário antes de operação para compra da Terrana, diz MP (Foto: Reprodução)

3° fase da operação Carbono Oculto faz buscas contra executivos do Banco Genial e delator do Banco Master O Banco Genial identificou, durante procedimentos internos de compliance, que o empresário Antonio Carlos Freixo Junior e a Entre Investimentos eram alvo de um processo da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) antes de participar da estrutura financeira usada para a compra da distribuidora de combustíveis Terrana, segundo investigação do Ministério Público de São Paulo (MPSP). Mesmo após a identificação, segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a operação prosseguiu. O processo citado pela investigação apurava operações envolvendo cotas do Brazil Realty Fundo de Investimento Imobiliário e tinha, além de Freixo e da Entre, o Banco Master, Daniel Vorcaro e a Viking Participações entre os acusados. A CVM afirma que a acusação envolvia a realização de operações fraudulentas no mercado de capitais. Em 8 de setembro deste ano, após anos de tramitação, a CVM condenou Freixo a multa de R$ 5 milhões e a Entre Investimentos, a R$ 10 milhões pela prática de operação fraudulenta. No mesmo processo, Daniel Vorcaro foi condenado a multa de R$ 20 milhões; o Banco Master, a R$ 12,5 milhões; e a Viking Participações, a R$ 10 milhões. Segundo a CVM, os punidos podem recorrer ao Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional, com efeito suspensivo. Freixo e Entre aparecem em nova investigação Antônio Carlos Freixo Júnior e Daniel Vorcaro Reprodução Na investigação sobre a Terrana, o Gaeco aponta a Entre Investimentos como uma das estruturas utilizadas para financiar a aquisição da distribuidora e atribui a Freixo participação na movimentação dos recursos. Segundo o Ministério Público, a compra teria sido feita, na prática, por Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, acusados de comandar esquema bilionário do PCC no setor de combustíveis. Formalmente, entretanto, foi montada uma estrutura envolvendo fundos de investimento, holdings e operações de crédito que, segundo os investigadores, teria servido para ocultar os verdadeiros beneficiários. O Gaeco sustenta que a Usina Itajobi recebeu R$ 20 milhões da Entre Investimentos em uma conta aberta na Credihome Sociedade de Crédito Direto em dezembro de 2024. Segundo a investigação, a conta foi usada apenas como passagem: o dinheiro teria sido posteriormente destinado ao fundo Radford. O Radford, por sua vez, foi peça central da estrutura usada para financiar a aquisição. As defesas de Roberto Leme e Mohamad Hussein informaram que seus clientes "não foram alvos da operação deflagrada pelo Gaeco na data de hoje e desconhecem os fatos em investigação”. Estrutura passou pelo Banco Genial O Radford havia sido constituído sob administração da Ruby Capital, ligada à Altinvest, e passou a ser administrado pelo Banco Genial em agosto de 2024. Segundo os documentos apresentados pelo próprio banco à investigação, o fundo aplicou recursos em Certificados de Depósito Bancário Vinculados (CDBVs) emitidos pelo Genial. O banco, por sua vez, concedeu empréstimos às empresas Berna Holdings e Branson Holdings, abertas em nome do empresário Paulo Narcélio Simões do Amaral, apontado pelo Gaeco como interposta pessoa na compra. As duas empresas utilizaram os recursos para adquirir ativos ligados à Terrana e ao fundo Derby 44, segundo a investigação. Para o Gaeco, a operação era circular: os recursos utilizados para financiar Berna e Branson estavam aplicados no Radford, cujo único cotista era a Usina Itajobi, empresa que a investigação atribui ao grupo de Beto Louco e Primo. O juiz classificou essa relação como “circular” ao autorizar as medidas solicitadas pelo Ministério Público. Processo da CVM também envolvia Banco Master O processo identificado pelo compliance do Genial aponta que, além de Freixo e da Entre, estavam no mesmo caso Banco Master e Daniel Vorcaro. Segundo a CVM, a Entre atuou como contraparte em negociações de cotas do Brazil Realty FII, enquanto Freixo era seu diretor responsável. O Banco Master — então denominado Banco Máxima — havia subscrito cotas do fundo; Daniel Vorcaro era diretor do banco e responsável pela Viking Participações. A área técnica da CVM propôs responsabilizá-los pela realização, em tese, de operações fraudulentas. O processo atravessou diversas tentativas de acordo. Em 2022, Freixo ofereceu pagar R$ 200 mil e a Entre, R$ 300 mil para encerrar administrativamente o caso. Banco Máxima, Vorcaro e Viking haviam oferecido conjuntamente R$ 1 milhão. As propostas não encerraram o processo. Em dezembro de 2025, depois de novas negociações, a Entre ofereceu R$ 4,95 milhões e Freixo, R$ 2,475 milhões. Master, Viking e Vorcaro ofereceram, juntos, R$ 13,86 milhões. O Colegiado da CVM rejeitou novamente a celebração dos termos de compromisso. O caso acabou levado a julgamento em setembro deste ano, quando ocorreram as condenações. R$ 20 milhões passaram pela Entre, diz investigação Na investigação da Terrana, o Gaeco também aponta outras movimentações envolvendo a Entre. Relatórios de inteligência financeira citados na decisão judicial mostram que a empresa recebeu R$ 32,48 milhões da Duvale Distribuidora e enviou R$ 2,84 milhões ao escritório Garcia Peres Advogados, apontado pelos investigadores como responsável por parte da estrutura jurídica e societária utilizada na aquisição da Terrana. A Entre também aparece como cotista do Rover FIDC, cujos ativos incluíam notas comerciais de empresas que a investigação atribui a Beto Louco e Mohamad. O Gaeco afirma que a Entre teria atuado na lavagem de recursos da organização criminosa. A conclusão ainda é objeto de investigação e não representa condenação de Freixo ou da empresa nesse caso. O que diz o Banco Genial O Banco Genial esclarece que Humberto Tupinambá não integra a Diretoria e não é sócio da instituição desde maio de 2026, quando ocorreu sua destituição. Todas as informações relacionadas às operações envolvendo o Fundo Radford, inclusive aquelas relacionadas às empresas Berna e Branson Holdings, que estavam em poder da instituição foram fornecidas pela própria Genial ao GAECO-SP. Em relação às operações mencionadas, também foram realizadas as comunicações cabíveis ao COAF, nos termos da legislação e da regulamentação aplicáveis. No âmbito dessas operações, a Genial atuou dentro das atribuições que lhe competiam, observando os procedimentos, normas e regulamentos aplicáveis, considerando as informações disponíveis à instituição à época. A partir do conhecimento dos fatos, a instituição adotou medidas adicionais de governança e controle, incluindo a instauração de processo de Inspetoria interna, a revisão da governança das operações de crédito, o afastamento do então diretor dos respectivos processos decisórios e sua posterior destituição. A Genial também contou com o apoio de especialistas externos para a revisão e o aprimoramento de seus processos e controles. Após a deflagração da Operação Carbono Oculto, a Genial renunciou à administração do Fundo Radford e manteve sua postura de colaboração com as autoridades, fornecendo as informações e os documentos solicitados. A instituição permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações e prestar todos os esclarecimentos que se façam necessários.

Fale Conosco