Fazenda estima que impacto de pautas-bomba supera R$ 2 trilhões em 10 anos; aprovação pressionaria dívida e taxa de juros
Cálculos iniciais do Ministério da Fazenda apontam para um efeito trilionário da eventual aprovação das chamadas "pautas-bomba" em análise no Congresso Na...
Cálculos iniciais do Ministério da Fazenda apontam para um efeito trilionário da eventual aprovação das chamadas "pautas-bomba" em análise no Congresso Nacional. Segundo interlocutores da pasta, as quatro principais propostas explosivas em análise no Legislativo podem gerar um aumento de gastos, ou perda de arrecadação, superior a R$ 2 trilhões nos próximos 10 anos (veja detalhamento abaixo). Para se ter uma ideia, o efeito é mais do que duas vezes a economia de R$ 855 bilhões em 10 anos estimada pela reforma da Previdência Social, aprovada em 2019 — fruto de mobilização de anos no Congresso Nacional e de amplo debate com a sociedade. 🔎 Uma pauta-bomba é um termo usado no Congresso Nacional para designar projetos de lei ou propostas que criam despesas bilionárias ou reduzem a arrecadação. Essas medidas causam um forte impacto negativo nas contas públicas. CCJ do Senado aprova PEC sobre aposentadoria para agentes de saúde e endemias Veja o impacto estimado pela área econômica Dívidas Rurais (PL 5122/23): R$ 1,4 trilhão em dez anos; PEC das Igrejas (PEC 5/23): perda de R$ 100 bilhões em dez anos, elevando o imposto que todos pagam na mesma proporção; Aposentadoria dos Agentes Comunitários de Saúde (PEC 14/21): cerca de R$ 500 bilhões para a União em dez anos, fora o efeito para os municípios; Piso de Médicos e Dentistas (PL 1365/22): cerca de R$ 500 bilhões para o governo federal em dez anos, além de impacto adicional para as prefeituras. Com exceção da PEC das igrejas, que não gera perda de arrecadação, pois tanto as pessoas físicas quanto as empresas teriam de arcar com esse prejuízo, as demais propostas implicam em aumento de despesas e, consequentemente, da dívida pública brasileira — que já está em patamar elevado para países emergentes. O ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, explicou, no passado, que a taxa de juros é alta no Brasil por conta do atual nível de endividamento – considerado elevado para o padrão de países emergentes. "Juro é alto porque a dívida é alta', e não o contrário", disse, na ocasião. Por conta disso, analistas pedem o contrário, que o governo e o Congresso Nacional aprovem propostas para reduzir os gastos públicos e, com isso, permitir uma contenção do endividamento brasileiro. O objetivo é frear a inflação e permitir uma queda sustentável da taxa de juros brasileira, beneficiando toda sociedade. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem demonstrado preocupação nos últimos dias com as "pautas-bomba". Segundo ele, as propostas em análise têm de ser avaliadas "à luz da lei de responsabilidade fiscal, que não vale só pro governo, vale também pro Congresso". "É preciso que a gente, todos nós, seja o governo, seja o Congresso, tenha a responsabilidade fiscal", disse o ministro nesta quarta-feira (10). O ministro Durigan, segundo blog do jornalista Valdo Cruz, do g1 e da GloboNews, ganhou o apoio do ministro Gilmar Mendes em sua luta. Nos últimos dias, o decano do Supremo publicou mensagens criticando as pautas-bomba, destacando que os parlamentares não podem criar despesas para União, Estados e municípios sem determinar as fontes de recursos para tapar rombos nos cofres públicos. Ministro da Fazenda, Dario Durigan Cadu Gomes/VPR