Empresas de Deolane e parentes de Marcola usavam os mesmos intermediários para dar aparência legal a recursos de origem ilícita, segundo a polícia

Deolane e parentes de Marcola usavam os mesmos intermediários, diz polícia A Polícia Civil de São Paulo diz ter rastreado movimentações financeiras milion...

Empresas de Deolane e parentes de Marcola usavam os mesmos intermediários para dar aparência legal a recursos de origem ilícita, segundo a polícia
Empresas de Deolane e parentes de Marcola usavam os mesmos intermediários para dar aparência legal a recursos de origem ilícita, segundo a polícia (Foto: Reprodução)

Deolane e parentes de Marcola usavam os mesmos intermediários, diz polícia A Polícia Civil de São Paulo diz ter rastreado movimentações financeiras milionárias envolvendo a advogada e influenciadora Deolane Bezerra. Ela está presa por suspeita de lavar dinheiro do PCC. As redes sociais de Deolane Bezerra mostram carros de luxo, viagens e uma rotina de alto padrão. O Jornal Nacional teve acesso a mais de 2,6 mil páginas do inquérito que apura o envolvimento de Deolane e outras 22 pessoas físicas e jurídicas com o esquema de lavagem de dinheiro do PCC. A polícia descobriu que Deolane recebeu 742 transferências bancárias não identificadas, no valor total de R$ 1 milhão. Um relatório de peritos em tecnologia e finanças ilegais da Polícia de São Paulo concluiu, ainda, que de 2018 a 2022, Deolane Bezerra recebeu, em contas pessoais, mais de R$ 13,6 milhões. E, depois, esse mesmo valor saiu das contas dela. Em outra movimentação, contas de três empresas da influencer receberam R$ 14,3 milhões. No mesmo período, R$ 13,9 milhões saíram dessas empresas. Ainda segundo as investigações, Deolane e Leonardo Camacho, sobrinho de Marco Camacho, o Marcola, chefe do PCC, receberam dinheiro de uma transportadora, apontada como empresa de fachada da facção. A investigação não aponta relação pessoal entre Deolane Bezerra e Marcola. Segundo a polícia, a relação era outra: as empresas dela e parentes de Marcola usavam os mesmos intermediários para dar uma aparência legal a recursos de origem ilícita. O total movimentado nesse complexo esquema seria de R$ 70 milhões. Foi no Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro da Polícia Civil de São Paulo que os investigadores cruzaram os dados bancários das empresas de Deolane Bezerra. A pergunta que orientou o trabalho era simples: o dinheiro que entrou nessas contas faz sentido com o que essas empresas declaram fazer? A resposta da polícia: não. Um dos pontos centrais da apuração é um repasse de R$ 636.418 de uma empresa de fachada - criada a partir de um laranja na Bahia - para a “Bezerra Publicidade e Comunicação”. Os investigadores não encontraram nenhum contrato ou serviço prestado que justifique essa transferência. Segundo o Ministério Público e a Polícia Civil, esse é um indício de que o dinheiro circulava por diversas contas com um único objetivo: esconder a origem ilícita dos recursos. “São essas circulações de dinheiro que nos levaram a crer que ela teve a participação, nos trouxeram indício de que ela tenha participação, de fato, com a organização criminosa. Tanto que fomos, representamos pela prisão, o Ministério Público atuou no caso e a Justiça decretou a prisão, e manteve ela presa também na prisão preventiva”, diz o delegado-geral de São Paulo, Artur Dian. Empresas de Deolane e parentes de Marcola usavam os mesmos intermediários para dar aparência legal a recursos de origem ilícita, segundo a polícia Jornal Nacional/ Reprodução O inquérito indica, ainda, que a circulação do dinheiro está ligada à compra de bens de alto valor. Algo que Deolane não fazia questão de esconder. Além da casa onde foi presa, na Grande São Paulo, com registro de compra no valor de R$ 1,6 milhão, o relatório da polícia aponta que ela tem dois imóveis menores. Mas nas redes sociais a influencer já apresentou uma mansão de R$ 15 milhões na Riviera de São Lourenço, no litoral paulista. Deolane também registrou ou declarou pelo menos quatro carros de luxo. Mas já postou muito mais. Na quinta-feira (21), durante audiência de custódia, Deolane disse que é inocente: “Eu quero deixar bem claro, mesmo sabendo que aqui não se trata de mérito, mas que eu fui presa por estar advogando, por uma quantia de R$ 24 mil depositada em minha conta por um cliente que consta no próprio relatório da polícia o acompanhamento meu como advogada ao cliente. Ou seja, fui presa no exercício da profissão”. Nesta sexta-feira (22) cedo, Deolane foi transferida da Penitenciária Feminina de Santana, na Zona Norte de São Paulo, para Tupi Paulista, a 670 km da capital. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional LEIA TAMBÉM Operação que prendeu Deolane Bezerra partiu de bilhetes achados em cela da Penitenciária de Presidente Venceslau (SP) Deolane processou banco após irmã ser impedida de sacar R$ 1 milhão por suspeita de lavagem Quem é Deolane Bezerra, a advogada e influencer com 21 milhões de seguidores presa pela 2ª vez em SP

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