Dia Mundial do Alzheimer: Como doença muda rotina de famílias; médico alerta sobre sinais

Neurocirurgião alerta para os primeiros sinais de Alzheimer e dá dicas de prevenção O primeiro alerta apareceu de forma aparentemente simples. Paula estava ...

Dia Mundial do Alzheimer: Como doença muda rotina de famílias; médico alerta sobre sinais
Dia Mundial do Alzheimer: Como doença muda rotina de famílias; médico alerta sobre sinais (Foto: Reprodução)

Neurocirurgião alerta para os primeiros sinais de Alzheimer e dá dicas de prevenção O primeiro alerta apareceu de forma aparentemente simples. Paula estava na cozinha, preparando um shimeji, comida de origem asiática, quando a mãe perguntou o que era aquilo. A filha respondeu que eram cogumelos, mas Marlene não reconheceu o alimento. O Alzheimer pode transformar a autonomia de quem recebe o diagnóstico e de quem passa a cuidar. A arquiteta Paula Dossa e a irmã, Patrícia, acompanharam a mãe, Marlene, durante por 12 anos, desde os primeiros sinais até a fase de dependência total. Marlene morreu em julho deste ano. 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp "Cada semana era algo novo que nós descobríamos que ela não lembrava mais o que era", relembra. No Dia Mundial do Alzheimer, nesta segunda-feira (21), a experiência da família Dossa ajuda a ilustrar uma das principais dúvidas relacionadas à doença: quando o esquecimento precisa de investigação médica? Arquiteta Paula Dossa relata como cuidou de sua mãe que tinha Alzheimer por 12 anos Arquivo pessoal Segundo o neurocirurgião Luan Messias Magalhães ao g1, os primeiros sinais do Alzheimer costumam envolver, principalmente, alterações na memória recente. Com isso, a pessoa pode começar a repetir a mesma pergunta várias vezes ou ter dificuldade nas tarefas que antes fazia normalmente. "O principal ponto de atenção é observar quanto essas alterações interferem na rotina. Também podem surgir dificuldade para encontrar palavras, mudanças de humor e comportamento além de problemas para tomar decisões, tudo isso é alerta, sobretudo aos filhos", diz. Esquecer ocasionalmente onde deixou uma chave, por exemplo, pode acontecer com qualquer pessoa. Não saber para que serve a chave, se perder em um caminho conhecido ou não conseguir administrar contas que antes administrava são situações que merecem avaliação. "O Alzheimer é uma doença progressiva que afeta memória, pensamento, linguagem, comportamento e atividades do dia a dia", explica Luan. A demência é uma síndrome que compromete progressivamente a memória, o pensamento, o comportamento e a capacidade de realizar atividades cotidianas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 57 milhões de pessoas viviam com demência no mundo. O Alzheimer é a forma mais comum da síndrome e responde por cerca de 60% a 70% dos casos. A doença não é considerada uma consequência normal do envelhecimento e fatores relacionados ao estilo de vida e à saúde também podem contribuir para o desenvolvimento de demências. Diagnóstico foi assustador Para Paula, receber o diagnóstico da mãe, em 2014, foi um momento de medo e incerteza. "Foi muito assustador e preocupante, pois não conhecíamos a doença e não sabíamos o que viria pela frente", destacou a arquiteta. À época, Marlene ainda mantinha parte da autonomia. Trabalhava, cuidava da casa, cozinhava e ajudava a cuidar dos filhos e dos netos, contudo, com o avanço do Alzheimer, atividades que antes eram simples passaram a exigir acompanhamento. Como morava com a mãe, Paula precisou aumentar a presença em casa, principalmente nos horários em que a cuidadora não estava. "Já não podia deixá-la sozinha, porque estava se tornando perigoso. Coisas simples como gás, escada, portão, poderiam ser um perigo para ela se estivesse sozinha", relata. Marlene foi diagnosticada em 2014 e passou a depender totalmente de ajuda Arquivo pessoal Inversão de papéis Uma das mudanças mais difíceis para Paula foi perceber que a mãe, que durante toda a vida havia cuidado da família, passou a precisar de ajuda para realizar tarefas básicas. "É muito difícil você ver a pessoa que te ensinou tudo na vida não saber mais fazer o básico, o essencial", lamenta. No início, a família tentava fazer com que Marlene entendesse quando estava cometendo algum erro. Com o avanço da doença, porém, perceberam que discutir ou cobrar comportamentos anteriores só aumentava o desgaste. "No começo você quer brigar, fazer a pessoa entender que aquilo está errado, mas quando entendemos que a pessoa está doente, e que, diferente de uma criança, ela não vai aprender mais nada, só vai regredir em tudo, e que não tem mais volta, aí começamos a lidar com mais amor", afirma. Compreender a doença é uma etapa fundamental para mudar a maneira de cuidar do familiar. "A partir do momento que eu entendi que minha mãe só precisava de amor e carinho, que não adiantava querer que ela voltasse a ser como era, tudo ficou mais leve", acrescenta Paula. Estudo revela que células de defesa do cérebro podem ajudar a combater o Alzheimer O que pode ser feito para reduzir os riscos? Messias destaca que não existe uma medida isolada capaz de impedir o Alzheimer, mas alguns hábitos estão associados à redução do risco de demência e à preservação da capacidade funcional. Entre eles estão: Controlar pressão arterial, diabetes e colesterol; Praticar atividade física regularmente; Não fumar; Evitar consumo excessivo de álcool; Manter uma alimentação saudável; Dormir bem; Tratar depressão; Manter contato social; Ler, estudar e realizar atividades que estimulem o cérebro; Manter atividades manuais, música e jogos. "O que mais tem respaldo é um conjunto de hábitos, e não uma medida isolada. Sempre falo aos pacientes que a atividade física aparece de forma recorrente entre as medidas importantes tanto para prevenção quanto para manutenção da autonomia", explica o neurologista. O diagnóstico começa com uma conversa detalhada entre médico, paciente e familiares. O profissional busca identificar quando os sintomas começaram, como evoluíram e de que maneira estão interferindo na vida cotidiana. Além disso, também podem ser realizados testes de memória, exames de sangue e exames de imagem, como tomografia ou ressonância magnética. Esses exames ajudam a investigar outras possíveis causas para alterações cognitivas, como deficiência de vitaminas e até depressão. Identificar o problema precocemente permite organizar melhor os cuidados, orientar a família, prevenir acidentes e planejar o futuro do paciente. Com a progressão da doença, a família passa a ter um papel cada vez maior na rotina do paciente. O médico recomenda manter uma rotina simples, organizar os medicamentos, acompanhar alimentação e hidratação, prevenir quedas e observar se a pessoa ainda tem condições de cozinhar, dirigir ou administrar dinheiro com segurança. "É importante conversar com calma, usar frases simples e evitar brigas. Muitas vezes, a pessoa com Alzheimer não percebe que está esquecendo ou fazendo algo errado", orienta o neurologista acreano. A família deve procurar atendimento médico quando os esquecimentos ou mudanças de comportamento começarem a atrapalhar a rotina. Confusão repentina, quedas, agressividade, alucinações, insônia intensa, risco de fuga também são situações que precisam de atenção. Eles não esquecem Depois de 12 anos acompanhando a mãe, Paula diz que o maior aprendizado deixado pela experiência foi entender a importância das relações e do cuidado. "Não somos nada sem as pessoas, não nascemos sozinhos e nem morremos sozinhos. Em algum momento da vida sempre vamos precisar de alguém", pontua. Para quem acaba de receber o diagnóstico de Alzheimer de um pai ou de uma mãe, Paula aconselha a não transformar o cuidado em uma tentativa de fazer a pessoa voltar a ser como era antes. "Não brigue, não queira que essa pessoa faça as coisas como antes, porque não vai fazer. Vai ser só um desgaste para todos. Dê amor, carinho, atenção enquanto estiver aqui. Isso tenho certeza que eles não esquecem e entendem muito bem", finaliza. Reveja os telejornais do Acre

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