Democratas barram projeto de R$ 5,15 trilhões à Defesa em protesto contra guerra no Irã

Vista da cúpula do Capitólio dos Estados Unidos. Kent Nishimura / Reuters Os senadores do Partido Democrata bloquearam nesta terça-feira (14) um projeto de l...

Democratas barram projeto de R$ 5,15 trilhões à Defesa em protesto contra guerra no Irã
Democratas barram projeto de R$ 5,15 trilhões à Defesa em protesto contra guerra no Irã (Foto: Reprodução)

Vista da cúpula do Capitólio dos Estados Unidos. Kent Nishimura / Reuters Os senadores do Partido Democrata bloquearam nesta terça-feira (14) um projeto de lei que autoriza US$ 1 trilhão (R$ 5,15 trilhões) em gastos anuais com defesa nos Estados Unidos. A proposta, negociada entre republicanos e democratas, prevê um aumento expressivo no orçamento do Pentágono e reajuste salarial para militares, mas acabou barrada em meio à oposição à guerra iniciada pelo presidente Donald Trump contra o Irã. O líder da bancada democrata no Senado, Chuck Schumer, anunciou que votaria contra o texto. Outros senadores do partido também disseram que não poderiam apoiar o projeto enquanto o conflito com o Irã entra no quinto mês, sem perspectiva de fim. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A proposta, conhecida como Lei de Autorização da Defesa Nacional (NDAA, na sigla em inglês), recebeu 50 votos favoráveis e 46 contrários. O resultado ficou abaixo do número necessário para que o texto avançasse. "O projeto não pode servir como autorização para a imprudência que estamos vendo no Irã", afirmou Schumer antes da votação. Segundo o senador, Trump não pode aprofundar o envolvimento dos Estados Unidos em uma guerra "que não consegue explicar nem sabe como terminar" e esperar que o Congresso simplesmente aprove os recursos. A votação ocorreu um dia depois de a Casa Branca informar oficialmente ao Congresso que retomou os bombardeios contra o Irã. A decisão rompeu o frágil cessar-fogo que havia sido estabelecido no conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. A guerra já provoca impactos na economia, como a alta e a instabilidade dos preços dos combustíveis. LEIA TAMBÉM Trump envia ao Congresso dos EUA notificação formal de que guerra com Irã foi retomada Irã quer transformar conflito militar com EUA em guerra econômica, diz especialista Forças Armadas dos EUA lançam novos ataques contra Irã antes de bloqueio naval contra o país entrar em vigor Nos últimos meses, o Congresso votou mais de dez propostas para limitar os poderes do presidente e interromper as operações militares. Nenhuma delas foi aprovada. A maioria dos republicanos na Câmara e no Senado continua apoiando Trump. O líder da maioria republicana no Senado, John Thune, defendeu a aprovação da medida. Segundo ele, o Congresso tem a obrigação de garantir que as Forças Armadas tenham os recursos necessários para cumprir qualquer missão. Depois que o projeto foi rejeitado, Thune mudou seu voto por uma questão regimental. A manobra permite que a proposta volte à pauta em outro momento. Há décadas, o Congresso aprova anualmente a Lei de Autorização da Defesa Nacional, que define as prioridades do Departamento de Defesa e autoriza os recursos que serão destinados a equipamentos, sistemas e operações militares. Novas tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros deve ter forte impacto político Neste ano, porém, a proposta enfrenta resistência por dois motivos. Além da oposição à guerra contra o Irã, parlamentares também criticam o pedido da Casa Branca para elevar os gastos do Pentágono para US$ 1,5 trilhão em 2027. No ano passado, o orçamento foi de cerca de US$ 900 bilhões. O governo afirma que o aumento é necessário para modernizar as Forças Armadas. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, que passou a chamar o órgão de "Departamento da Guerra", tinha uma reunião marcada com deputados republicanos ainda nesta terça para discutir novos recursos. A Casa Branca pediu ao Congresso mais US$ 350 bilhões por meio de um projeto de orçamento separado. No entanto, líderes republicanos na Câmara indicaram que o valor deve ser reduzido para algo próximo de US$ 87 bilhões, montante solicitado no mês passado como verba emergencial para a guerra contra o Irã. LEIA TAMBÉM Equipe de Trump testa mensagem anticomunista para eleições de meio de mandato Brasil seria 2º país com maiores tarifas dos EUA se Trump confirmar novo tarifaço Trump diz ter desistido de cobrar pedágio de 20% a embarcações no Estreito de Ormuz Mesmo entre os republicanos, há parlamentares preocupados com o aumento dos gastos públicos. Alguns também questionam a necessidade de novos recursos, já que o Pentágono recebeu outros US$ 150 bilhões no ano passado por meio da lei de cortes de impostos aprovada por Trump, verba que, segundo críticos, ainda não foi totalmente utilizada ou prestou contas. O Senado também quer impor restrições a Hegseth caso ele não forneça informações solicitadas pelos parlamentares sobre procedimentos internos e gastos do Departamento de Defesa. Pela proposta, o secretário poderá perder recursos destinados a viagens oficiais se deixar de entregar relatórios pedidos pelo Congresso, incluindo informações sobre um ataque a uma escola no Irã que deixou mortos no início da guerra. Os democratas defendem regras ainda mais rígidas. Eles querem incluir no projeto medidas que obriguem o governo a interromper as operações militares. A senadora Tammy Duckworth, veterana da Guerra do Iraque, afirmou que votará contra a proposta caso ela não inclua uma emenda apresentada por ela para encerrar o conflito. "Simplesmente colocar mais dinheiro em uma operação militar fora de controle não é uma estratégia. É uma receita para uma guerra sem fim", disse.

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