Como é feita a previsão do tempo? Entenda o trabalho dos meteorologistas

Como é feita a previsão do tempo? Entenda o trabalho dos meteorologistas Calor, chuva e frio podem se alternar no mesmo dia. Para entender o que está acontec...

Como é feita a previsão do tempo? Entenda o trabalho dos meteorologistas
Como é feita a previsão do tempo? Entenda o trabalho dos meteorologistas (Foto: Reprodução)

Como é feita a previsão do tempo? Entenda o trabalho dos meteorologistas Calor, chuva e frio podem se alternar no mesmo dia. Para entender o que está acontecendo na atmosfera e antecipar mudanças, meteorologistas cruzam dados de satélites, radares e modelos numéricos. No Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), parte desse trabalho é feita com o supercomputador Jaci. O CPTEC é ligado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A história do centro começou na década de 1980, e as obras da sede foram concluídas em 1995. Desde então, os equipamentos usados pelos meteorologistas passaram por várias mudanças. No início, as previsões eram feitas com o supercomputador SX-3, que tinha um processador. Em 1998, entrou em operação o SX-4, com oito processadores. A partir de 2004, o SX-6, com 96 processadores, passou a ser a principal ferramenta de trabalho. Em 2025, o Inpe colocou em operação o Jaci, com 29 mil processadores, cerca de 302 vezes maior que o do SX-6, e capacidade de armazenamento de 24 petabytes. O equipamento é refrigerado com água das nascentes do centro. 🔎 O nome Jaci é uma referência à deusa da Lua na mitologia tupi-guarani. José Antônio Aravéquia, coordenador-geral de Ciências da Terra do Inpe, acompanhou a evolução dos computadores. “Com essa inovação, dessa nova máquina que o CPTEC Inpe conseguiu em 2025, nos permite a incorporação de melhores modelos, com mais ciência e nos permite avançar com o conhecimento científico dessas previsões”, afirma. Super computador Jaci, utilizado no CPTEC Reprodução / TV Diário Dos dados à previsão As informações observadas por satélites são transformadas em dados numéricos e processadas pelos modelos. Meteorologistas e pesquisadores analisam os resultados das simulações para elaborar as previsões. “ A partir das previsões que são geradas com a simulação do modelo sobre essas observações, nós conseguimos produzir informações que são úteis para diversos setores. Para a Marinha, para o planejamento de segurança de navegação, para a Aeronáutica, para a segurança em voo, para a agricultura, para projeção de safras, para a Defesa Civil, para prevenção e mitigação de desastres naturais”, diz Aravéquia. Painel de monitoramento do INPE-CPTEC Reprodução / TV Diário Essas informações também são usadas por empresas de consultoria meteorológica, como a Climatempo, em São Paulo. O meteorologista Gustavo Verardo acompanha telas de radar e modelos numéricos e cruza dados de umidade, vento e pressão para interpretar as previsões. Verardo afirma que os eventos extremos estão mais intensos e relaciona esse cenário ao aquecimento da atmosfera. “Se a Terra tem um aquecimento maior, a gente tem uma disponibilidade de energia maior na atmosfera, uma umidade mais alta, e isso acaba intensificando sistemas de chuva, que por sua vez intensificam, por exemplo, rajadas de vento, ondas de calor, ondas de frio, condições extremas como estiagens, enchentes. Então, o clima, ele... ele tá literalmente bagunçado”, diz. Como a Defesa Civil usa as previsões Quando há previsão de chuva forte em São Paulo, a Defesa Civil estadual pode reunir diferentes órgãos em um gabinete de crise no Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), no Palácio dos Bandeirantes. “O gabinete de crise é montado aqui no Centro de Gerenciamento de Emergências da Defesa Civil do Estado sempre que nós temos previsão de chuvas fortes no Estado de São Paulo”, explica o tenente Roncatto, chefe de operações do CGE. Centro de Gerenciamento de Emergências da Defesa Civil do Estado Reprodução / TV Diário Segundo ele, o grupo intensifica o monitoramento e coordena a resposta em caso de ocorrências. O tenente também relembra o temporal que atingiu o Litoral Norte em fevereiro de 2023 e deixou 65 mortos. Depois da tragédia, segundo ele, a Defesa Civil ampliou a equipe e modernizou o espaço de monitoramento. Temporal que atingiu o Litoral Norte em fevereiro de 2023 Reprodução / TV Diário No CGE, seis meteorologistas acompanham a evolução do tempo. William Minhotto, que trabalha no centro há 12 anos, explica que os alertas são escalonados conforme a chuva ganha força. “Conforme a chuva vai ficando mais moderada, aí a gente começa a emitir os nossos alertas mais, vamos dizer, mais tranquilos, entre aspas. E conforme ela vai se intensificando, a gente vai escalonando os nossos alertas até chegar num alerta mais extremo”, diz. Para Minhotto, a principal satisfação no trabalho é saber que os avisos ajudam a proteger a população. “Poder alertar a pessoa, saber que as pessoas tão ficando mais conscientes com os nossos alertas, e a gente sabe que a gente tá salvando vidas também”, afirma. Assista a mais notícias sobre o Alto Tietê

Fale Conosco