Com novo nome e sem bandeira racista, festa que celebra migração norte-americana ao Brasil volta após 7 anos em cidade de SP

Sem bandeira racista, festa que celebra migração norte-americana volta após 7 anos A celebração dos descendentes de imigrantes norte-americanos voltará a ...

Com novo nome e sem bandeira racista, festa que celebra migração norte-americana ao Brasil volta após 7 anos em cidade de SP
Com novo nome e sem bandeira racista, festa que celebra migração norte-americana ao Brasil volta após 7 anos em cidade de SP (Foto: Reprodução)

Sem bandeira racista, festa que celebra migração norte-americana volta após 7 anos A celebração dos descendentes de imigrantes norte-americanos voltará a ser realizada em Santa Bárbara d’Oeste (SP) após sete anos de interrupção. A principal novidade desta edição após o hiato é a mudança de nome do evento, que deixou de ser chamada “Festa dos Confederados” e passou a se chamar “Festa dos Americanos”. Ao g1, a Fraternidade Descendência Americana, responsável pela realização do evento, informou que não haverá mais uso de símbolos que possam ser interpretados como apologia ao racismo, incluindo a bandeira confederada. A decisão atende a uma lei municipal aprovada em 2022 que proíbe a utilização de simbologias consideradas racistas. 📲 Siga o g1 Piracicaba no Instagram 🔎 A festa realizada em Santa Bárbara d’Oeste celebra a história e as tradições dos estadunidenses que imigraram para a cidade após perderem a Guerra de Secessão, em 1865. Em edições anteriores, a exposição da bandeira dos Confederados — grupo que lutou pela manutenção da escravidão nos Estados Unidos — foi alvo de investigação devido à possível apologia ao movimento racista. A FDA também afirma que a mudança de nome foi resultado de "um processo de reflexão da entidade sobre a melhor forma de representar a história que queremos preservar". "Entendemos que 'Festa dos Americanos' expressa com mais clareza o foco na imigração, nas famílias descendentes e na dimensão cultural e histórica dessa trajetória na região", completou. Descendentes de americanos seguram bandeira confederada em Santa Bárbara d'Oeste Thomaz Fernandes/g1 'Narrativa respeitosa', diz fraternidade Segundo a entidade, o foco do evento não está na adoção de simbologias como elemento de celebração, mas sim na valorização da história da comunidade descendente em um formato considerado mais adequado ao presente. "A história será apresentada com mais contexto e atenção ao seu caráter histórico. O nosso interesse está em preservar a memória da imigração, das famílias, do cemitério, da capela e da presença desses descendentes na região, sempre com cuidado para que essa narrativa seja conduzida de forma respeitosa a todos os envolvidos e contextualizada", afirmou a FDA. A edição de 2026 está marcada para o dia 4 de julho, a partir das 10h da manhã, no Cemitério do Campo. Os ingressos custam R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia) e as vendas ocorrem pela internet. Crianças até 5 anos têm entrada gratuita, e até 12 anos pagam meia. Uso da bandeira confederada Cemitérios dos imigrantes norte-americanos com bandeiras dos confederados, em Santa Bárbara d'Oeste (SP). Thomaz Fernandes/g1 A controvérsia em torno da presença da bandeira confederada na celebração em Santa Bárbara d’Oeste está ligada ao conflito de visões sobre o seu significado. De um lado, o símbolo representa os estados do sul que lutaram na Guerra Civil Americana pela manutenção do sistema escravagista, sendo associado a grupos racistas e à ideia de supremacia branca. Nesse entendimento, tanto a bandeira quanto os uniformes militares confederados remetem a práticas discriminatórias. Por outro lado, os descendentes defendiam que o uso da bandeira não deveria ser interpretado como uma declaração política pró-escravidão. Para eles, o símbolo expressava apenas uma identidade étnica e uma herança cultural vinculada à memória dos antepassados que imigraram para o Brasil após a guerra. A polêmica levou a Defensoria Pública de São Paulo a abrir, em 2020, uma apuração para investigar se o evento configurava apologia a grupos racistas. ✍🏿 Dois anos depois, em 2022, a cidade aprovou uma legislação municipal que proíbe a realização de eventos com símbolos considerados racistas. Essa medida foi diretamente relacionada a Festa dos Confederados. A norma impede a concessão de licença para festas públicas que exponham bandeiras, nomes, emblemas, ornamentos ou outras formas de expressão que incitem ou representem ofensa à diversidade racial, cultural ou religiosa. Também veta manifestações que façam apologia a movimentos ou instituições identificadas com ideais racistas, ou segregacionistas. Festa no cemitério e roupas típicas Descendentes de americanos com roupas típicas em Santa Bárbara d'Oeste (SP). Divulgação/Fraternidade Descendência Americana Segundo a FDA, além de marcar a retomada da tradição após sete anos de hiato, a edição de 2026 será considerada “histórica”. O evento vai celebrar os 160 anos da imigração norte-americana para o Brasil e os 250 anos da independência dos Estados Unidos. "Toda mudança gera um período de adaptação, o que é natural. Mas entendemos que esta edição representa um amadurecimento da festa e uma volta à sua essência. A expectativa é que o público compreenda esse momento como uma retomada marcada por memória, cultura, convivência e reencontro", disse a fraternidade. A celebração dos descendentes de imigrantes norte-americanos é realizada no Cemitério dos Americanos, que abriga os restos mortais de soldados e generais que lutaram pelos estados do sul na Guerra Civil Americana. Durante o evento, os descendentes costumam se vestir com roupas que remetem ao período da imigração. As mulheres usam vestidos rodados, enquanto os homens aparecem com uniformes que lembram os soldados confederados, reforçando a ambientação histórica. A programação inclui apresentações de square dance — estilo semelhante à quadrilha brasileira — e música country. O cardápio traz pratos típicos como frango frito, milho assado e hot-dog, reforçando a atmosfera cultural da festa. Festa Confederada, em Santa Bárbara d'Oeste, celebrou memórias de descendentes *Com supervisão de Cláudia Assencio Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Piracicaba

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