Belchior é revivido com reedição em LP de álbum de 1988 em que citou poetas, Bob Dylan, Freud e Martin Luther King

Imagem promocional da reedição em LP do álbum 'Elogio da loucura', de Belchior (1946 – 2017) Divulgação ♫ NOTÍCIA ♬ A reedição em LP do 11º álbu...

Belchior é revivido com reedição em LP de álbum de 1988 em que citou poetas, Bob Dylan, Freud e Martin Luther King
Belchior é revivido com reedição em LP de álbum de 1988 em que citou poetas, Bob Dylan, Freud e Martin Luther King (Foto: Reprodução)

Imagem promocional da reedição em LP do álbum 'Elogio da loucura', de Belchior (1946 – 2017) Divulgação ♫ NOTÍCIA ♬ A reedição em LP do 11º álbum de Belchior, “Elogio da loucura”, gravado em julho de 1988 com produção musical de Antonio Foguete e lançado naquele mesmo ano pela gravadora PolyGram, oferece oportunidade aos seguidores do artista de conhecer mais a fundo uma obra que, a rigor, costuma ser cultuada somente pela discografia lançada por Antonio Carlos Belchior (26 de outubro de 1946 – 30 de abril de 2017) ao longo dos anos 1970, década áurea do cantor e compositor cearense nascido há 80 anos. Nenhuma das dez músicas do repertório inteiramente autoral do álbum “Elogio da loucura” sobressaiu ao longo do tempo. Talvez porque as composições tenham sido embaladas na moldura eletrônica que caracterizava a produção musical da década de 1980, mas que não se afinava com a alma da obra do artista. Contudo, a veia crítica de Belchior pulsou forte e com certa acidez nas letras de músicas como “Balada de Madame Frigidaire”, “Kitsch metropolitanus” (Belchior e Jorge Mello, 1988) e “Os profissionais” (Belchior, 1988), entre outras, em versos repletos de citações e referências que iam de Bob Dylan a Martin Luther King Jr. (1949 – 1968), passando pelo poeta Álvares de Azevedo (1831 – 1852) e pelo psicanalista Freud (1856 – 1939). Do poeta paulistano, Belchior tomou emprestado o título de antologia de 1853 para batizar “Lira dos vinte anos”, parceria do artista com Francisco Casaverde que abre o lado B do LP reeditado com vinil fumê translúcido esfumaçado. Detalhe: a mesma dupla de compositores assinava a música que abre o lado A, “Amor de perdição”, cujo título vem do nome do livro publicado em 1862 por outro poeta do século XIX, o português Camilo Castelo Branco (1825 – 1890). Com o parceiro conterrâneo Graccho Silvio Braz Peixoto da Silva, o Graco, o artista cearense assinou nada menos do que quatro das dez músicas do álbum “Elogio da loucura”. O lote de composições dos parceiros é formado por “Tambor tantã”, “No maior jazz”, “Recitanda” – música cuja letra cita versos de alguns dos maiores sucessos de Belchior na década de 1970 – e “Arte final”, esta também assinada por Jorge Mello. O álbum “Elogio da loucura” foi lançado um ano após o disco de 1987, “Melodrama”, que marcou a volta de Belchior à gravadora pela qual o cantor apresentara em 1976 o álbum que o consolidou na música brasileira, “Alucinação”, disco que completa 50 anos em 2026 com o disco mais referencial da obra fonográfica de Belchior, cantor que sempre pareceu andar cansado do peso da própria cabeça, motor de canções e álbuns que lhe garantiram a imortalidade na música brasileira.

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