Arruda pode ser candidato no DF ou está barrado pela Lei da Ficha Limpa? Entenda a disputa

Arruda se filiou ao PSD em 2025 para disputar governo do DF Partidos políticos têm até o próximo dia 15 para apresentar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE)...

Arruda pode ser candidato no DF ou está barrado pela Lei da Ficha Limpa? Entenda a disputa
Arruda pode ser candidato no DF ou está barrado pela Lei da Ficha Limpa? Entenda a disputa (Foto: Reprodução)

Arruda se filiou ao PSD em 2025 para disputar governo do DF Partidos políticos têm até o próximo dia 15 para apresentar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a lista de candidatos que pretendem concorrer às eleições de outubro. No DF, o PSD deve lançar ao governo o ex-governador José Roberto Arruda. A pré-candidatura foi anunciada ainda em 2025 e, desde então, gera dúvidas: afinal, Arruda não está inelegível por ter sido condenado no esquema do mensalão do DEM (relembre abaixo)? ⚖️Faltando menos de dois meses para o primeiro turno, a resposta ainda é: "depende". ⚖️A análise será feita pela Justiça Eleitoral quando o partido registrar a candidatura, a partir desta semana. 🔎A defesa de Arruda diz que o candidato está plenamente elegível. 🔎O problema: esse cálculo leva em conta uma lei de 2025 que alterou a contagem da Lei da Ficha Limpa – e que está sendo questionada no Supremo Tribunal Federal. PSD lança José Roberto Arruda como candidato ao governo do Distrito Federal TV Globo ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. Entenda abaixo: o que levou à condenação de Arruda por improbidade; o que diz a Lei da Ficha Limpa (no original, e na nova versão); como uma decisão do STF pode impactar a candidatura. 'Caixa de Pandora' e a condenação de Arruda Caixa de Pandora: ex-governador Arruda é condenado a pagar R$ 1 milhão por danos morais coletivos O escândalo que ficou conhecido como Caixa de Pandora, ou mensalão do DEM, envolvia a compra de apoio de deputados distritais na Câmara Legislativa do DF pelo governo José Roberto Arruda, em 2009. Naquele ano, a TV Globo revelou imagens do ex-governador José Roberto Arruda recebendo uma sacola com R$ 50 mil das mãos de Durval Barbosa (veja vídeo acima). Barbosa era secretário de Relações Institucionais do governo e, depois, se transformou no delator do esquema. O vídeo gravado em 2006 deu origem às investigações. À época, Arruda informou que o dinheiro era uma doação para a compra de panetones para famílias carentes. Arruda chegou a apresentar recibos – que, segundo o Ministério Público Federal, foram forjados na própria residência oficial do governo. Bom Dia DF - operação Caixa de Pandora Entre 2013 e 2026, Arruda foi condenado em diferentes processos relacionados à operação Caixa de Pandora. A primeira condenação por órgão colegiado (ou seja, não monocrática) veio em 9 de julho de 2014, por improbidade administrativa. O entendimento foi de que Arruda teria pagado propina para receber apoio político. ➡️ Essa condenação suspendeu os direitos políticos de Arruda por oito anos e impediu ele de exercer cargo público pelo mesmo período. Arruda também foi condenado a devolver recursos ao poder público e a pagar uma multa. ➡️ Em agosto de 2014, inclusive, o Tribunal Regional Eleitoral do DF rejeitou uma candidatura de Arruda por considerá-lo "ficha suja". Com isso, a chapa passou a ser comandada pelo antes candidato a vice, Jofran Frejat. A então esposa de Arruda, Flávia Peres, entrou na chapa como vice. De 2014 para cá, Arruda foi condenado em outros processos também relacionados à Caixa de Pandora, e recorreu em vários deles. Em 2024, por exemplo, foi condenado em primeira instância por propina nos contratos da Call Tecnologia. Essa condenação foi mantida em segunda instância, por unanimidade, em junho deste ano. O que diz a Lei da Ficha Limpa – e o que mudou na lei? A lei original A Lei da Ficha Limpa entrou em vigor em 2010 e define, entre outros pontos, que alguém fica inelegível quando é condenado à perda dos direitos políticos, em segunda instância, por ato doloso (proposital) de improbidade administrativa. 🔎 Antes dessa lei, a inelegibilidade só podia ser aplicada após o trânsito em julgado – ou seja, após o fim de todos os recursos na Justiça. A lei de 2010 previa, no entanto, que a inelegibilidade valeria "desde a condenação ou o trânsito em julgado até o transcurso do prazo de 8 (oito) anos após o cumprimento da pena". 🧮 Ou seja, seriam 16 anos ao todo: oito anos de perda de direitos políticos e, ao fim, mais oito anos de inelegibilidade. Por essa conta, ao ser condenado em julho de 2014, Arruda ficaria fora das eleições até julho de 2030. Pelo texto original, no entanto, os oito anos de inelegibilidade só contavam ao fim da suspensão dos direitos políticos. A nova versão da lei Em setembro de 2025, o governo Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, com veto parcial, uma lei complementar que alterou essa contagem. Pela nova regra: os oito anos de inelegibilidade passam a contar de forma simultânea à perda dos direitos políticos; se houver novas condenações similares, a inelegibilidade pode se somar apenas até um "limite máximo de 12 anos". Essas mudanças, segundo os advogados de Arruda, alteram a contagem do prazo de inelegibilidade do político. Pelo novo cálculo, o prazo de oito anos terminaria em julho de 2022. Mesmo se fosse aplicado o limite máximo, o prazo terminaria em julho de 2026 – um mês antes do registro da candidatura. "A expectativa é que não se mude mais [o cálculo]. Não é só o caso do Arruda, o Brasil inteiro tem candidatos que foram escolhidos em convenção levando em consideração a legislação vigente", diz o advogado Francisco Emerenciano, que representa o ex-governador em processos eleitorais. Mudança foi parar no STF Há então um outro problema: a "nova versão" da Lei da Ficha Limpa está em análise no Supremo Tribunal Federal (STF) porque a Rede Sustentabilidade entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade. Até este domingo (9), o STF tinha 2 votos a 0 para derrubar a nova lei – votaram Cármen Lúcia (relatora) e Luiz Fux. O julgamento no plenário virtual foi suspenso em 28 de maio por um pedido de vista (prazo extra) do ministro Gilmar Mendes. E, até este domingo (9), não havia data prevista para a retomada da análise. Até o momento, a nova versão da Lei da Ficha Limpa segue em vigor – o STF não deu nenhuma decisão interrompendo a aplicação das novas regras até a decisão definitiva. ➡️A decisão de validar ou invalidar a candidatura de Arruda será tomada pela Justiça Eleitoral quando o registro da chapa chegar ao TSE. ➡️Quando o nome for protocolado, o Ministério Público Eleitoral e os outros partidos políticos podem, também, impugnar a chapa de Arruda. Aí, a decisão caberá mais uma vez à Justiça Eleitoral. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

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