Após diagnóstico de câncer na boca, eletricista transforma sucata em esculturas de metal no interior de SP: 'Trabalhar a mente'

Luiz Carlos Gonzaga, morador de Campos de Holambra, em Paranapanema (SP), tem usado a experiência com solda para fabricar esculturas em metal Arquivo Pessoal S...

Após diagnóstico de câncer na boca, eletricista transforma sucata em esculturas de metal no interior de SP: 'Trabalhar a mente'
Após diagnóstico de câncer na boca, eletricista transforma sucata em esculturas de metal no interior de SP: 'Trabalhar a mente' (Foto: Reprodução)

Luiz Carlos Gonzaga, morador de Campos de Holambra, em Paranapanema (SP), tem usado a experiência com solda para fabricar esculturas em metal Arquivo Pessoal Sem poder trabalhar por causa do tratamento contra um câncer na boca, um morador de Paranapanema (SP) encontrou na criatividade uma forma de complementar a renda e ocupar a mente. Há cerca de quatro meses, Luiz Carlos Gonzaga, de 56 anos, que é eletricista industrial, começou a transformar peças de sucata em esculturas de metal, principalmente miniaturas de motos. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp Ao g1, ele contou que ideia surgiu em um momento de muita dificuldade. Sem conseguir voltar à rotina de trabalho e aguardando uma resposta sobre o benefício solicitado ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ele decidiu buscar uma nova alternativa. “Eu saía na frente da minha casa, não via nada, saía para fora e não via nada. Aí olhei na internet e vi essas miniaturas de moto e outras coisas. O que eu fiz? Fui atrás de sucatas, rolamentos, ferro velho, correntes e comecei a montar as motinhas. Foi uma coisa que chamou muito minha atenção, é maravilhoso”, contou. A habilidade com a solda ajudou no novo projeto. Luiz trabalha há cerca de seis anos com soldagem e aproveitou a experiência profissional para desenvolver as peças, mesmo sem ter feito cursos específicos. “Foi tudo sem curso, sem orientação de ninguém. Foi prática minha, aperfeiçoamento, acabamento. O barco andou”, afirmou. Com rolamentos, correntes e pedaços de ferro velho, Luiz Gonzaga cria esculturas detalhadas de motos e carros Arquivo Pessoal Diagnóstico e tratamento A descoberta do câncer aconteceu após meses de sintomas na boca. Segundo Luiz, ele procurou atendimento médico inicialmente por causa de uma afta, em setembro do ano passado, mas passou cerca de três meses tomando medicamentos sem melhora. A suspeita aumentou quando ele procurou um dentista para avaliar a possibilidade de colocar uma prótese. Durante a consulta, o profissional percebeu alterações e recomendou uma investigação mais detalhada. “Ele falou para mim: ‘não posso fazer nada por você, você está com algo muito estranho’. A dor era insuportável, eu quase não conseguia comer, não conseguia beber”, relembrou. O diagnóstico confirmou um câncer na região abaixo da língua. O caso era considerado avançado e Luiz precisou iniciar tratamento em Jaú (SP), cidade que fica a cerca de 186 quilômetros de Paranapanema. Ele passou por sessões de radioterapia e quimioterapia. “Fiquei 25 dias direto, todos os dias. Eu não voltava para casa, precisei alugar uma casa lá porque era insuportável”, contou. Luiz passou por 25 sessões de radioterapia e também fez quimioterapia. Atualmente, ele segue em tratamento médico Arquivo Pessoal Após o tratamento, Luiz segue em acompanhamento médico frequente. Ele relata que ainda sente dores na região afetada pela radioterapia, mas afirma que a situação melhorou. “Graças a Deus, a boca inteira eu não sinto mais nada. Somente onde foi queimado, que é o lugar que ainda dói”, disse. Da sucata para a arte Para produzir as esculturas, Luiz utiliza materiais que muitas vezes seriam descartados, como rolamentos, correntes de moto, pinhões, pedaços de chapas e outros objetos encontrados em ferros-velhos. Com uma máquina de solda, furadeira e lixadeira, ele transforma os materiais em novas peças. Segundo ele, ao olhar para uma pilha de metal descartado, já consegue imaginar uma nova criação. “Eu olho dentro daquele lixo, que se chama metal, ferro velho, e consigo ver uma peça, uma moto, um carrinho de corrida e várias coisas”, explicou. Luiz Carlos Gonzaga cria esculturas detalhadas de motos e carros O processo é totalmente manual, desde a montagem até o acabamento. Uma peça pode levar até dois dias para ficar pronta, dependendo da complexidade. “Depois de soldado, tem um acabamento. Tem que tirar respingo de solda, lixar, tirar toda a sujeira e deixar perfeito”, disse. 'Foi uma válvula de escape. Eu comecei a trabalhar a mente', diz o artista Arquivo Pessoal LEIA TAMBÉM: Da curiosidade ao ofício: luthier autodidata produz violas e instrumentos em Alambari: 'É uma arte' Promessa feita durante surto de febre amarela deu origem à Festa do Divino e mantém peregrinação de canoas pelo Rio Tietê Projeto em Sorocaba oferece apoio emocional a desempregados e destaca impacto psicológico: 'Influencia todas as áreas da vida' As peças feitas por Luiz são consideradas por ele como “semi-miniaturas”, já que possuem tamanho maior que os modelos tradicionais. Algumas chegam a ter entre 25 e 30 centímetros, mas ele também aceita encomendas maiores. Os valores variam conforme o tamanho e a complexidade do trabalho. Segundo o artesão, as peças podem custar entre R$ 100 e R$ 800. “Pode ser qualquer tipo de moto, independente da marca ou modelo. Eu consigo fabricar”, afirmou. Processo de fabricação das peças é totalmente manual. Uma peça pode levar de um dia e meio a dois dias para ficar pronta, dependendo da complexidade, explica Luiz Arquivo Pessoal Arte como apoio emocional Luiz conta o que a arte representa para ele durante o tratamento contra o câncer Além de ajudar na renda, o novo trabalho também se tornou uma forma de enfrentar os desafios emocionais causados pelo diagnóstico. Luiz conta que recebeu apoio da família, especialmente do irmão Jeferson Gonzaga, que o incentivou a manter a mente ocupada durante o tratamento. “Foi uma válvula de escape. Eu comecei a trabalhar a mente. Você esquece das dores, esquece dos problemas e vê que a vida segue”, contou. Também foi do irmão Jefferson que partiu a ideia de divulgar o trabalho de Luiz nas redes sociais. Para isso, ele foi até a casa do irmão, gravou uma breve entrevista e perguntou, principalmente, o que a arte representa na vida dele. Assista ao vídeo acima. “Não sei se sou artista pelo que eu sei fazer. Tenho que agradecer primeiramente a Deus. E, sim, acho que é um dom que existe dentro de mim e que vai assim, aos poucos, saindo”, responde Luiz no vídeo. Para ele, o trabalho manual trouxe uma nova perspectiva durante a recuperação: "Eu gosto de fazer muitas coisas diferentes, mas isso apareceu e foi maravilhoso", afirmou à reportagem. 'Não desista nunca' O mais velho de 4 filhos, Luiz mora atualmente com a mãe, que acompanha de perto a recuperação do filho e ajuda nos cuidados diários: "Ela pergunta se eu tenho que comer, se quer fazer um suco. Ela fica preocupada comigo." Ele também destaca a importância da fé durante o tratamento e diz que pretende continuar lutando pelos projetos que tem para o futuro. “Eu não quero parar por aí. Quero correr atrás. Estou começando, mas a intenção é de um projeto maior. É um negócio que vai bem. A gente tem intenção de montar alguma coisa sobre isso. Não para cair, mas para prosperar”, declarou. Mesmo diante das dificuldades, Luiz afirma que não pretende desistir. “Quem tiver um câncer, não desista nunca. Não deixe que o câncer seja mais forte do que você. Se você tiver Deus, você consegue. Eu consegui”, finalizou. Morador de Paranapanema (SP) cria esculturas de metal com sucata após precisar deixar de trabalhar devido a um diagnóstico de câncer na boca Arquivo Pessoal Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

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