Vítima de perseguição e ameaça há quase 10 anos comemora prisão de suspeito: 'andar na rua sem medo'

Suspeito de perseguir e ameaçar ex-colega de trabalho há quase 10 anos é preso em Teresina “Vou voltar para a minha rotina de antes sem medo dele aparecer....

Vítima de perseguição e ameaça há quase 10 anos comemora prisão de suspeito: 'andar na rua sem medo'
Vítima de perseguição e ameaça há quase 10 anos comemora prisão de suspeito: 'andar na rua sem medo' (Foto: Reprodução)

Suspeito de perseguir e ameaçar ex-colega de trabalho há quase 10 anos é preso em Teresina “Vou voltar para a minha rotina de antes sem medo dele aparecer. É uma sensação muito boa”, disse a auxiliar de escritório, de 33 anos, que denuncia ser vítima de perseguição e ameaças há quase 10 anos por um ex-colega de trabalho. O suspeito, identificado como J. da S. N., foi preso na noite de terça-feira (19), no bairro Lourival Parente, Zona Sul da capital. LEIA TAMBÉM: Suspeito de perseguir e ameaçar ex-colega de trabalho há quase 10 anos é preso em Teresina ⚖️ Desde 2021, o crime de perseguição (stalking) está previsto no artigo 147-A do Código Penal, com pena de seis meses a dois anos de prisão, além de multa, podendo ser aumentada quando a vítima é mulher. Segundo a vítima, já foram registrados 24 boletins de ocorrência contra o homem. Em entrevista ao g1, ela contou que a perseguição começou em 2016, quando passou a trabalhar na mesma empresa que o suspeito. ✅ Siga o canal do g1 Piauí no WhatsApp Após a prisão, a auxiliar afirmou que se sente aliviada depois de anos convivendo com medo. “Estou aliviada, estou feliz. Que a Justiça seja feita e ele continue preso. Eu lutei muito para tentar prender ele. Fico mais calma e sossegada sabendo que ele está preso. Assim consigo andar na rua sem a sensação que posso dar de cara com ele”, afirmou. Ela afirmou ainda que teme que o suspeito seja solto, mas espera retomar a rotina. “Só quero paz agora. Quero voltar à minha rotina, andar na rua sem medo”, completou. A perseguição De acordo com a auxiliar, a perseguição se intensificou em 2017, ainda no ambiente de trabalho. Ela afirma que o suspeito chutava objetos e chegou a ameaçá-la de morte. "Ainda em 2017, ele me ameaçou de morte dentro da empresa e foi demitido logo em seguida, aí criou mais raiva de mim. Vem me perseguindo até hoje. Fiz vários boletins de ocorrência, com vários inquéritos", disse. Mesmo após sair da empresa, o homem continuou com as perseguições, segundo a vítima. Ela afirma que passou a frequentar delegacias com frequência para registrar os casos e buscar proteção. Para se proteger, a auxiliar passou a gravar vídeos quando o suspeito aparecia no trabalho ou a seguia na rua. Em um dos registros, feito em novembro de 2024, ela mostra o momento em que retorna ao trabalho após um afastamento. Segundo a vítima, o homem já frequentava o local mesmo sem a presença dela e se aproximou ao vê-la. No vídeo, ele diz: “bom te ver depois de tanto tempo”. Em outro registro, a auxiliar afirma que foi seguida após sair para uma farmácia. Ela disse que acionou a polícia, mas não recebeu atendimento no momento. Ao todo, foram registrados 24 boletins de ocorrência, sendo 11 apenas na Zona Sul de Teresina. Casos recentes Os episódios mais recentes ocorreram no dia 6 e na terça-feira (12). No primeiro caso, a vítima relatou que saía do trabalho, por volta das 17h42, quando foi abordada pelo suspeito na Zona Sul. Segundo ela, o homem se aproximou por trás e sacudiu a moto em que ela estava. A auxiliar afirmou que pediu ajuda, mas não foi atendida por pessoas próximas. Já na terça-feira (12), o suspeito enviou uma mensagem a uma prima da vítima com a frase: “ela vai morrer”. O caso foi registrado como ameaça. Mulher denuncia perseguição e ameaças de ex-colega de trabalho há quase 10 anos em Teresina Reprodução Prisão do suspeito J. da S. N. foi preso na noite de terça-feira (19), no bairro Lourival Parente, zona sul de Teresina. Segundo a Polícia Militar do Piauí (PMPI), o homem já havia sido preso em 2025 por descumprir uma medida protetiva que o impedia de se aproximar da vítima. Durante a abordagem, o celular do suspeito foi apreendido. Ele foi levado à Central de Flagrantes, onde prestou depoimento e permanece à disposição da Justiça, aguardando audiência de cutódia. O g1 apurou que, entre 2019 e julho de 2025, foram abertos pelo menos oito processos relacionados ao caso. Parte deles foi arquivada, e ao menos um segue em tramitação. Procurado, o Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) informou que, por meio do Núcleo de Atendimento às Vítimas (Navi), passou a adotar medidas de acolhimento, escuta qualificada e acompanhamento psicossocial da vítima, após tomar conhecimento do caso. Segundo o órgão, também houve articulação institucional com promotorias responsáveis, levantamento de processos e comunicação sobre relatos recentes de ameaças e medidas cautelares relacionadas à investigação. Nota do Ministério Público O Ministério Público do Estado do Piauí, por meio do Núcleo de Atendimento às Vítimas – NAVI/MPPI, informa que, tão logo tomou conhecimento da situação envolvendo a vítima, passou a adotar medidas de acolhimento, acompanhamento e articulação institucional voltadas à proteção da ofendida e ao fortalecimento da rede de apoio. O caso chegou ao conhecimento do NAVI por meio de notícias veiculadas pela imprensa local, e encaminhamento da Assessoria de Comunicação do Ministério Público do Estado do Piauí, diante de relatos de perseguição reiterada, ameaças e risco à integridade física e psicológica da vítima. Após a ciência dos fatos, o NAVI instaurou procedimento interno de acompanhamento, realizando acolhimento psicossocial e escuta qualificada da vítima, em atendimento virtual realizado pela equipe do Núcleo, com registro audiovisual e formalização nos autos próprios. Durante o atendimento, foram prestadas orientações jurídicas e institucionais acerca dos processos judiciais existentes, das medidas cautelares em vigor, dos canais adequados de comunicação de riscos e descumprimentos, bem como realizado encaminhamento para acompanhamento psicológico especializado. Também foram adotadas providências de articulação institucional, incluindo: levantamento e análise dos procedimentos judiciais e investigatórios existentes relacionados ao caso; comunicação às Promotorias de Justiça com atribuição nos feitos em tramitação; encaminhamento de informações acerca dos relatos recentes de ameaça concreta de morte e do estado de temor relatado pela vítima; ciência aos órgãos competentes acerca da existência de diversos boletins de ocorrência registrados ao longo dos anos; comunicação sobre medida cautelar deferida em processo em tramitação no 2º Juizado Especial Criminal de Teresina, ainda pendente de efetiva intimação do investigado; acompanhamento da tramitação dos processos correlatos, incluindo ação penal em que houve sentença condenatória pelo crime de perseguição. O NAVI reforça que sua atuação possui natureza de acolhimento, orientação, escuta qualificada e articulação da rede de proteção às vítimas, sem substituição das atribuições investigativas, policiais ou jurisdicionais dos órgãos competentes. O Ministério Público do Estado do Piauí reafirma seu compromisso com a proteção das vítimas, o enfrentamento à violência psicológica e à perseguição reiterada, bem como com a atuação integrada entre os órgãos do sistema de justiça e da rede de proteção. Núcleo de Atendimento às Vítimas – NAVI/MPPI Ministério Público do Estado do Piauí Suspeito de perseguir e ameaçar ex-colega de trabalho há quase 10 anos é preso em Teresina Divulgação/PMPI *Gabriely Corrêa, estagiária sob supervisão de Lucas Marreiros. VÍDEOS: assista aos vídeos mais vistos da Rede Clube

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