Três meses após naufrágio de lancha no AM, famílias pedem que buscas por desaparecidos não caiam no esquecimento

Passageiros ficam à deriva após embarcação naufragar no Encontro das Águas em Manaus Reprodução/Redes Sociais Três meses após o naufrágio da lancha Li...

Três meses após naufrágio de lancha no AM, famílias pedem que buscas por desaparecidos não caiam no esquecimento
Três meses após naufrágio de lancha no AM, famílias pedem que buscas por desaparecidos não caiam no esquecimento (Foto: Reprodução)

Passageiros ficam à deriva após embarcação naufragar no Encontro das Águas em Manaus Reprodução/Redes Sociais Três meses após o naufrágio da lancha Lima de Abreu XV, familiares dos cinco desaparecidos seguem à espera de respostas e cobram a continuidade das buscas no Amazonas. Nesta sexta-feira (15), Jorge Noronha, marido de Ana Carla, uma das vítimas que continuam desaparecidas, disse que as operações seguem reduzidas, mas que a esperança da família permanece. O acidente aconteceu no dia 13 de fevereiro deste ano, nas proximidades do Encontro das Águas, em Manaus. A embarcação da empresa Lima de Abreu Navegações saiu da capital amazonense e naufragou durante a viagem. Além das mortes de duas mulheres e um homem, o acidente também deixou cinco pessoas desaparecidas. À Rede Amazônica, Jorge Noronha afirmou que os familiares continuam recebendo relatórios sobre as buscas, realizadas atualmente duas vezes por semana. "As respostas que nós temos hoje continuam as buscas reduzidas, duas vezes por semana. Os órgãos do governo nos informam a cada dia que tem buscas, eles enviam um relatório no dia seguinte. Essas são as notícias que nós temos", afirmou. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Segundo ele, a retirada da lancha submersa ainda depende da vazante do rio. "A retirada da lancha vai ser feita a partir de quando o rio começar a secar. Ninguém tem certeza de quando vai ser isso", disse. Naufrágio de lancha deixa 2 mortos e 7 desaparecidos em Manaus Jorge também falou sobre a saudade da esposa e a dificuldade de manter a esperança após três meses do acidente. "A esperança continua, mas a gente fica de uma certa maneira meio que na balança, equilibrando 50% de razão e 50% de emoção. A emoção está todo tempo na esperança que a gente encontra. E a razão? Nem tanto. A razão vai consumindo a emoção junto com a esperança", declarou. Ele também pediu que as autoridades mantenham as buscas pelos desaparecidos. "A gente espera que as autoridades não deixem cair em esquecimento as buscas por todos os que estão desaparecidos. Eu não falo só o nome da minha mulher, Ana Carla. Eu falo em nome da Patrícia, da família da Patrícia, da família do seu Romualdo, a esposa dele, a Apoliana, e do Renato. Eu falo em nome de todas as famílias, porque a dor que eu sinto é igual para todos", disse. Em nota, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) informou que as buscas pelos cinco desaparecidos continuam por tempo indeterminado. Segundo a corporação, após 34 dias de operação ininterrupta, entre 13 de fevereiro e 19 de março, os trabalhos passaram a ocorrer de forma intermitente, duas vezes por semana, desde o dia 20 de março. Os bombeiros seguem utilizando drones, embarcações e sonar para leitura do leito do rio. Familiares das vítimas acompanham as operações. O Governo do Amazonas mantém uma força-tarefa com órgãos estaduais para apoiar as buscas e prestar assistência às famílias das vítimas. O naufrágio A lancha, da empresa Lima de Abreu Navegações, saiu de Manaus por volta das 12h30. Durante a viagem, a embarcação naufragou nas proximidades do Encontro das Águas, região onde os rios Negro e Solimões se encontram. Vídeos gravados por passageiros mostram pessoas, incluindo crianças, à deriva na água, muitas usando coletes salva-vidas ou apoiadas em botes enquanto aguardavam socorro. As causas do acidente não foram divulgadas oficialmente e seguem sob investigação. Logo após o acidente, parte dos passageiros foi socorrida por embarcações que navegavam pela região. Em seguida, uma operação de resgate foi montada. Um dos episódios que mais chamou atenção durante o resgate foi o salvamento de um bebê prematuro de apenas cinco dias de vida colocado dentro de um cooler. Para evitar que o recém-nascido tivesse contato direto com a água, familiares colocaram a criança dentro do recipiente, que ficou à deriva até ser encontrado por equipes de resgate. A mãe do bebê, que havia viajado a Manaus para dar à luz, também foi salva. Ambos foram levados para atendimento médico. Testemunhas também relataram momentos de tensão antes do naufrágio. Uma passageira afirmou que chegou a alertar o piloto da lancha para reduzir a velocidade por causa do banzeiro, ondas fortes comuns na região do Encontro das Águas. Em um vídeo gravado enquanto estava à deriva, ela relatou que havia pedido para o condutor "ir devagar". Assista abaixo: Passageira de barco que naufragou no Encontro das Águas em Manaus grava vídeo à deriva Quem são as vítimas Entre as vítimas estão Samila de Souza, de 3 anos, Lara Bianca, de 22 anos e Fernando Grandêz, de 39 anos. Os corpos Samila e Lara foram encontrados horas após o naufrágio. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas, Samila chegou a ser levada ao Pronto-Socorro da Criança da Zona Leste, mas já estava sem vida quando deu entrada na unidade. Ao g1, familiares de Samila informaram que ela havia viajado para Manaus pela primeira vez e retornava para Urucurituba, cidade onde a lancha faria uma parada. Lara Bianca era natural de Nova Olinda do Norte e estudava odontologia em Manaus. Segundo amigos, ela estava prestes a terminar a graduação. O corpo dela foi resgatado e levado ao pelotão fluvial do Corpo de Bombeiros, no Porto de Manaus, e depois encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML). Já o cantor gospel Fernando Grandêz, de 39 anos, teve o corpo encontrado três dias após o naufrágio durante os trabalhos de busca na região. Ligado à música gospel, Fernando era cantor e costumava participar de eventos religiosos realizados na capital amazonense. As apresentações eram compartilhadas nas redes sociais, quase sempre acompanhadas de legendas onde expressava a fé Piloto é preso O piloto da lancha, Pedro José da Silva Gama se apresentou na sede da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) no dia 16 de março. Ele ficou foragido cerca de um mês. Pedro chegou a ser detido no dia do acidente e levado inicialmente ao 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP). Após a confirmação das mortes, foi encaminhado à Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) e liberado após pagar fiança. No dia seguinte, em 14 de fevereiro, a juíza Eliane Gurgel do Amaral Pinto determinou a prisão preventiva de Pedro. A decisão teve como objetivo garantir a ordem pública e assegurar a aplicação da lei penal. Em 24 de abril, a Justiça recebeu a denúncia do Ministério Público do Estado (MPAM) contra o comandante de embarcação e, com isso, ele passou a responder como réu por homicídio qualificado. INFOGRÁFICO - Naufrágio em Manaus g1

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