Quem é a ‘Mainha do Crime’, apontada como elo entre ladrões de rua e receptadores de ouro em SP

Mainha do crime é presa em Paraisópolis, na Zona Sul de SP Reprodução Suedna Barbosa Carneiro, conhecida como “Mainha do Crime”, voltou a aparecer em um...

Quem é a ‘Mainha do Crime’, apontada como elo entre ladrões de rua e receptadores de ouro em SP
Quem é a ‘Mainha do Crime’, apontada como elo entre ladrões de rua e receptadores de ouro em SP (Foto: Reprodução)

Mainha do crime é presa em Paraisópolis, na Zona Sul de SP Reprodução Suedna Barbosa Carneiro, conhecida como “Mainha do Crime”, voltou a aparecer em uma investigação da Polícia Civil de São Paulo sobre uma rede suspeita de roubar, receptar, derreter e revender alianças e outras joias de ouro. Segundo documentos judiciais obtidos pelo g1, ela é apontada como responsável por fornecer a intermediários joias e objetos de ouro provenientes de crimes. Um desses intermediários seria Rony Gonçalves, condenado por organização criminosa e receptação qualificada. Suedna já havia ganhado destaque no noticiário policial em fevereiro de 2025, quando foi presa em Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, durante a investigação do assassinato do ciclista Vitor Medrado, de 46 anos, morto durante um assalto em frente ao Parque do Povo, no Itaim Bibi. Na ocasião, a Polícia Civil apontou a Mainha como financiadora dos criminosos que atuavam em motocicletas em bairros nobres da capital. Segundo os investigadores, ela fornecia motos, capacetes, bolsas de entrega e até placas para facilitar os roubos e, depois, comprava parte dos produtos subtraídos. O então secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite, afirmou na época que Suedna funcionava como uma espécie de financiadora das quadrilhas. “Ela fomentava não só esses criminosos que assassinaram o Vitor, mas outros assaltos em toda a região”, afirmou Derrite após a prisão. Mainha do Crime: como age a mulher acusada de comandar esquemas de violência em SP Ciclista assassinado no Itaim Bibi Vitor Medrado foi morto na manhã de 13 de fevereiro de 2025. Ele estava parado com a bicicleta, mexendo no celular em frente ao Parque do Povo, quando dois homens em uma motocicleta o abordaram. Segundo a polícia, o criminoso que estava na garupa atirou antes mesmo de qualquer reação da vítima. Depois que Medrado caiu, os assaltantes pegaram o celular dele e fugiram. Cinco dias depois, em 18 de fevereiro, a polícia prendeu Suedna em Paraisópolis. A investigação concluiu posteriormente que Jeferson de Souza Jesus, conhecido como “Gordo de Paraisópolis”, pilotava a moto usada no crime, e que Erick Benedito Verissimo estava na garupa e efetuou o disparo. Segundo a Polícia Civil, Suedna não teria participado diretamente da abordagem ao ciclista, mas integrava a estrutura que dava suporte aos assaltantes. O delegado responsável pelo caso afirmou posteriormente que ela alugava equipamentos usados nos roubos e também comprava aparelhos subtraídos. “Os criminosos tinham o ímpeto de roubar, e ela fornecia toda a infraestrutura. Capacete, bolsas de entrega, motos e até placas de moto para facilitar a ação dos criminosos. E depois comprava os aparelhos. Ela era uma mola propulsora desse tipo de crime”, afirmou o delegado Ronaldo Augusto Sayeg em março de 2025. Vitor Medrado, ciclista Sertãozinho, SP Redes sociais Alianças roubadas Paralelamente à investigação sobre o assassinato de Medrado, a Polícia Civil avançava sobre outra atividade atribuída à Mainha: a receptação e comercialização de joias roubadas. Segundo os documentos judiciais, a organização da qual Suedna faria parte era responsável pela obtenção de joias e objetos de ouro. O material era posteriormente repassado a Rony Gonçalves, descrito pela acusação como intermediário entre os autores de crimes patrimoniais e comerciantes de ouro do Centro de São Paulo. No celular apreendido de Suedna, a investigação encontrou um vídeo enviado por uma linha registrada em nome da mulher de Rony. Na gravação, um homem aparece pesando alianças de ouro dentro de um copo plástico. Para a acusação, o registro demonstra a relação entre os dois na compra e revenda das peças. Em outra ocasião descrita no processo, Suedna chamou Rony durante a noite e pediu que ele fosse rapidamente a Paraisópolis buscar joias e alianças. Rony reconheceu posteriormente que chegou a suspeitar que as peças fossem produto de crime. Ele também afirmou ter entregue R$ 40 mil em dinheiro a Suedna. Segundo a investigação, o ouro foi negociado entre os dois por R$ 320 o grama, enquanto o valor de mercado citado nos autos era de R$ 612,97. Rony nega integrar uma organização criminosa e afirmou durante o processo que conheceu Suedna como cliente da chamada “Rua do Ouro”. Segundo sua versão, ele não sabia inicialmente que as peças oferecidas por ela poderiam ter origem ilícita. De Rony aos comerciantes De acordo com a investigação, Rony fazia a ponte entre quem obtinha as joias nas ruas e comerciantes que posteriormente processavam o ouro. Entre os comerciantes investigados estava Douglas Bonetti Rocha, fabricante do colar que o influenciador Buzeira deu de presente a Neymar em dezembro de 2023. A acusação sustenta que Douglas e outros comerciantes integravam a etapa final do esquema: recebiam peças de procedência criminosa que depois eram fundidas e revendidas em outro formato, dificultando o rastreamento da origem do ouro. Entre os materiais mencionados no processo estão peças provenientes de furtos, roubos e até latrocínios. Antes das investigações sobre o assassinato do ciclista e sobre as alianças, Suedna já acumulava antecedentes. Segundo informações divulgadas pela Secretaria da Segurança Pública em 2025, ela havia sido presa em 2022 por receptação e condenada a 10 anos e seis meses de prisão, inicialmente em regime fechado. Ela posteriormente progrediu para o regime aberto. A polícia também investigou uma possível relação de Suedna com a morte de um delegado da Polícia Civil ocorrida em janeiro de 2025. Na casa dela, durante a prisão de fevereiro daquele ano, investigadores encontraram um capacete que teria sido utilizado por um dos envolvidos naquele crime. Nova fase da Ouro Reverso A Polícia Civil de SP faz uma operação contra uma quadrilha que comprava joias de ouro roubadas A nova operação da Polícia Civil realizada nesta segunda-feira (24) é um desdobramento da investigação sobre a cadeia de receptação de ouro. A Operação Ouro Reverso 2 cumpre mandados na capital e em Guarulhos e mira desde os responsáveis pelos roubos e furtos de alianças até intermediários e empresas suspeitas de comprar, derreter e recolocar o ouro no mercado. A Justiça determinou ainda o bloqueio de cerca de R$ 34 milhões em bens relacionados aos investigados. A investigação busca atingir justamente os demais elos da cadeia que, segundo a polícia, permitia transformar joias roubadas nas ruas em ouro novamente comercializado no mercado formal.

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