Polícia interrompe festas de Dia das Crianças suspeitas de serem bancadas por facção criminosa em MS

Alimentos apreendidos nos eventos. Divulgação. Duas festas de Dia das Crianças suspeitas de serem financiadas pela facção criminosa Comando Vermelho (CV) f...

Polícia interrompe festas de Dia das Crianças suspeitas de serem bancadas por facção criminosa em MS
Polícia interrompe festas de Dia das Crianças suspeitas de serem bancadas por facção criminosa em MS (Foto: Reprodução)

Alimentos apreendidos nos eventos. Divulgação. Duas festas de Dia das Crianças suspeitas de serem financiadas pela facção criminosa Comando Vermelho (CV) foram interrompidas pela polícia nesta segunda-feira (12), em Sonora e Pedro Gomes, na região norte de Mato Grosso do Sul. Outro evento infantil semelhante estava previstopara ocorrer em Coxim, segundo a investigação. De acordo com a polícia, a promoção das festas, com atividades recreativas e distribuição de alimentos e brinquedos, teria como objetivo conquistar a simpatia dos moradores dessas regiões e fortalecer a influência da organização criminosa nas comunidades. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp As ações foram realizadas de forma coordenada pelas polícias Civil e Militar. Em Pedro Gomes, a investigação identificou que uma das festas estava prevista para as 15h, em um campo de futebol do bairro São Luís. Também foram identificadas as responsáveis pela organização local e uma suposta liderança externa da facção, que mantinha contato direto com elas e com fornecedores. Segundo os investigadores, o aluguel de brinquedos infláveis seria pago em dinheiro, no próprio local, o que dificultaria o rastreamento da origem dos recursos. Duas mulheres foram presas em Sonora Em Sonora, uma festa semelhante foi interrompida, e duas mulheres foram presas. Na ação, os policiais apreenderam cerca de 200 brinquedos e doces que seriam distribuídos às crianças. Já em Pedro Gomes, os agentes encontraram duas mulheres montando uma estrutura para distribuir alimentos. Questionada, uma delas afirmou que organizava um evento para as crianças da comunidade, mas não apresentou autorização para a realização da atividade. Conforme a investigação, a jovem já era conhecida das forças de segurança e havia sido mencionada em um registro anterior por supostamente ameaçar vizinhos em nome da facção. A polícia apurou ainda que a iniciativa seria financiada por integrantes da organização criminosa por meio de contas bancárias de uma segunda investigada. Ela também foi presa em flagrante, suspeita de favorecimento ao domínio social estruturado — crime cuja pena prevista é de 12 a 20 anos de reclusão. Celulares indicam possível ligação com a facção Segundo o relatório da investigação, parte dos aparelhos apreendidos continha conversas que indicariam a participação de integrantes do Comando Vermelho na organização dos eventos. As mensagens mencionavam diretamente a facção, faziam referência a um grupo responsável pelas “finanças” do chamado “projeto Dia das Crianças” e registravam transferências via Pix entre as investigadas. As mulheres foram autuadas por crimes relacionados à organização criminosa e ao favorecimento ao domínio social estruturado. A polícia pediu ao Poder Judiciário a manutenção das prisões e a decretação das prisões preventivas. Outras pessoas também são investigadas por possível envolvimento com o grupo. Alimentos foram descartados após avaliação sanitária A Vigilância Sanitária municipal participou da ação e constatou que não era possível atestar a segurança dos alimentos, pois não havia informações suficientes sobre as condições de higiene em que foram preparados. Diante da impossibilidade de garantir que os produtos eram próprios para consumo, os alimentos foram considerados impróprios e descartados. Segundo a polícia, além da suspeita de finalidade criminosa, a iniciativa poderia expor as crianças ao consumo de alimentos sem segurança sanitária comprovada. Agora no g1 Polícia aponta estratégia de influência sobre comunidades De acordo com o relatório policial, as chamadas “ações sociais” podem fazer parte de uma estratégia de domínio territorial adotada por organizações criminosas. Ao distribuir benefícios e promover eventos comunitários, a facção tentaria se apresentar como protetora dos moradores e criar relações de dependência. Ao mesmo tempo, segundo a análise dos investigadores, buscaria retratar o Estado e as forças de segurança como adversários da população. Esse fenômeno é associado no relatório à chamada narcocultura, que envolve a tentativa de naturalizar a presença de facções no cotidiano dos bairros e de exaltar seus símbolos e lideranças. Na avaliação dos investigadores, esse tipo de atuação pode favorecer a criação de redes informais de proteção à organização criminosa, desestimular a colaboração dos moradores com a polícia e facilitar a continuidade das atividades ilegais. Veja mais vídeos de Mato Grosso do Sul:

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