Laudo descarta que jovem torturado no PR foi jogado de prédio; vítima caiu ao tentar fugir das agressões

Perícia aponta tentativa de acesso a apartamento antes de queda de jovem em Londrina Um laudo feito pela Polícia Científica e entregue à Polícia Civil (PC-...

Laudo descarta que jovem torturado no PR foi jogado de prédio; vítima caiu ao tentar fugir das agressões
Laudo descarta que jovem torturado no PR foi jogado de prédio; vítima caiu ao tentar fugir das agressões (Foto: Reprodução)

Perícia aponta tentativa de acesso a apartamento antes de queda de jovem em Londrina Um laudo feito pela Polícia Científica e entregue à Polícia Civil (PC-PR) apontou que Alexandre Rodrigues Ramos, de 27 anos, não foi jogado do 14º andar de um prédio de Londrina, no norte do Paraná. Segundo o delegado Roberto Fernandes, responsável pelas investigações, o rapaz caiu ao tentar fugir da tortura a qual foi submetido. ✅ Siga o g1 Londrina e região no WhatsApp A queda aconteceu no dia 14 de agosto, após Alexandre ter sido agredido, dopado e torturado por colegas da namorada dele por conta do suposto furto de uma câmera fotográfica. "Foi uma queda involuntária. O laudo descartou que o corpo foi jogado, em razão também de um testemunho do morador do apartamento logo abaixo de onde ocorreram os fatos. A vítima tentou acessar a sacada do apartamento de baixo, mas não conseguiu, porque, além de ter o vidro fechado, tinha a rede [de proteção]. A rede ele conseguiu romper uma parte dela com os pés. Essa testemunha fala que só o viu tentando acessar ali com os pés e depois despencar. O laudo comprovou essa dinâmica", detalhou Fernandes. Quatro homens, com idades entre 22 e 24 anos, foram presos por tortura, com agravante de cárcere privado e resultado morte. Eles também foram autuados por fraude processual porque esconderam as amarras que estavam no pulso e nas pernas da vítima. Os nomes deles não foram divulgados. A Polícia Civil ainda espera a conclusão do laudo toxicológico e do laudo sobre medicamentos que podem ter sido dados à vítima. "Os presos foram autuados pelo crime de tortura. Esse crime, para nós, de acordo com os depoimentos, já está configurado. Entretanto, o crime de tortura tem uma pena maior quando ocorre a morte. Essa morte, ainda que não tenha ocorrido diretamente da tortura, nós entendemos que ela decorreu da situação, ou seja, da vítima tentar fugir do cativeiro. Se ao final ficar configurada só a tortura, a pena é de 2 a 8 anos. Se ficar configurada a tortura com o resultado morte, a pena vai para 8 a 16 anos, com o agravante do cativeiro, do sequestro, que ainda pode ser aumentada de 1/6 a 1/3", explica o delegado. LEIA TAMBÉM: Crime: Após ex descumprir medida protetiva, mulher pediu ajuda a PMs, que o liberaram e disseram que 'nada poderia ser feito'; vítima foi baleada dias depois Família encontrada morta: 'Praticamente excluída', diz delegado sobre a possibilidade de outra pessoa envolvida no crime Lutador que perdeu movimento após golpe: 'É um processo longo', diz médico sobre tratamento Vítima foi trancada em cômodo do apartamento Vítima caiu de janela de alojamento em Londrina. Reprodução Seis pessoas moravam no apartamento: a namorada da vítima, os quatro suspeitos e um homem que denunciou o caso após a chegada da polícia. Alexandre estava visitando a namorada e, por volta das 22h30 de quinta-feira (13), foi confrontado, com uma faca, pelos quatro suspeitos, que acreditavam que ele tinha furtado uma câmera fotográfica avaliada em R$ 12 mil. Em seguida, conforme o delegado Miguel Chibani, Alexandre foi trancado em um dos cômodos do apartamento, teve os pés e mãos amarrados com um cabo de extensão e passou a ser agredido. Segundo Chibani, os suspeitos forçaram Alexandre a ingerir dois comprimidos de uma medicação que causa irresponsividade. "Ele foi agredido mediante chute, soco, tapa no rosto, foi ameaçado de morte, houve o relato de que um deles dizia que eles iam retalhar o corpo... Ele acabou falando a respeito do furto e admitiu. A vítima do furto, que no caso é coautora dessa tortura, acabou ainda na madrugada se deslocando e conseguiu conversar com o comprador da câmera, que já tinha se desfeito dela em troca de um celular e de uma quantia em dinheiro", detalha Chibani. Conforme o delegado, foram cerca de quatro horas de sucessivos ataques contra a vítima. Um dos suspeitos pediu uma pizza depois que Alexandre foi agredido. Inicialmente, a ocorrência chegou à polícia como um caso de suicídio. Porém, no local, os agentes notaram que a chave que trancava o cômodo do qual a vítima teria caído estava para o lado de fora da porta. Durante as investigações iniciais, testemunhas relataram à corporação a situação de tortura, encarceramento e agressões. Testemunhas e suspeitos foram levados à delegacia e, conforme Chibani, dois deles confessaram os delitos. À polícia, a namorada de Alexandre afirmou que viu o que estava acontecendo e tentou entrar no cômodo em que a vítima estava presa. Porém, disse ter sido ameaçada por um dos suspeitos. VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Paraná.

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