Falso médico forjava exames para motoristas de ônibus de empresa suspeita de lavar dinheiro do PCC, diz polícia

Garagem da empresa Transunião foi alvo de operação nesta quinta-feira (25). Reprodução/TV Globo Uma operação da Polícia Civil de São Paulo nessa quinta...

Falso médico forjava exames para motoristas de ônibus de empresa suspeita de lavar dinheiro do PCC, diz polícia
Falso médico forjava exames para motoristas de ônibus de empresa suspeita de lavar dinheiro do PCC, diz polícia (Foto: Reprodução)

Garagem da empresa Transunião foi alvo de operação nesta quinta-feira (25). Reprodução/TV Globo Uma operação da Polícia Civil de São Paulo nessa quinta-feira (25) teve como alvo um homem suspeito de se passar por médico e forjar exames toxicológicos para motoristas de ônibus, incluindo profissionais que atuavam na Transunião Transportes S.A., empresa investigada por esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). O investigado, identificado como Marco da Silva Barros, se apresentava como o médico Marcos Roberto Garcia de Souza. Segundo a polícia, ele atuava em hospitais e prestava serviços para empresas, mesmo sem possuir formação na área. O suspeito foi detido e conduzido ao 53º Distrito Policial (Parque do Carmo). Durante cumprimento de mandado de busca e apreensão na casa dele, em um condomínio de Caieiras, na Grande São Paulo, os policiais encontraram receituários e carimbos em nome do verdadeiro médico, além de fichas de atendimento e dois simulacros de arma de fogo. O local também funcionava como clínica clandestina. A polícia apura se os exames falsificados eram utilizados para permitir que motoristas da Transunião atuassem de forma irregular. Vídeos obtidos pela TV Globo mostram o falso médico na sede da empresa. Operação mira cúpula de empresa de ônibus e vereador de SP por lavagem de dinheiro para o PCC Segundo a Polícia Civil, Marco já havia sido preso anteriormente por estar envolvido em uma cirurgia clandestina de um integrante do PCC. A ação desta quinta-feira é um desdobramento de uma operação realizada em maio, que resultou na prisão de dois falsos médicos em São Paulo. A polícia deve representar pela prisão de Marco da Silva de Barros à Justiça. Operação Última Parada Também nesta quinta, a Polícia Civil e o Ministério Público deflagraram a operação Última Parada, contra um esquema de lavagem de dinheiro do PCC na Transunião. Foram presos o vereador da capital Senival Moura (PT), apontado como controlador da empresa; Jair Ramos de Freitas (vulgo "Cachorrão), diretor informal da viação, e Devanil de Souza Nascimento (vulgo "Sapo"), motorista e homem de confiança do vereador. Outros dois mandados de prisão continuam em aberto. Os alvos são: Lourival Monário ("Orelha"): atual presidente da Transunião, acusado de ser nomeado pelo PCC para garantir o escoamento de recursos ilícitos. Segundo os investigadores, ele está em Roma, na Itália. As autoridades vão pedir a inclusão do nome na Difusão Vermelha, a lista de procurados da Interpol. Leonel Moreira Martins ("Cabeça Branca"): supervisor operacional que atuava como o interlocutor direto do PCC dentro da empresa, transmitindo ordens da facção. De acordo com a SPTrans, a Transunião opera 50 linhas municipais que, juntas, transportam 262 mil passageiros por dia útil, atuando principalmente na Zona Leste da capital paulista. Para cortar a influência dos investigados, a Justiça determinou o afastamento imediato de todos os atuais diretores e administradores da Transunião. Como o transporte de passageiros é um serviço essencial e não pode parar, a SPTrans foi notificada. Agora, o município precisa garantir que a frota continue rodando, seja decretando uma intervenção direta na empresa ou repassando as linhas da Transunião para outras viações da cidade. Em nota, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e a SPTrans informam que "a operação dos ônibus da empresa Transunião segue funcionando, com a frota atendendo normalmente as linhas sob sua responsabilidade e sem prejuízo ao atendimento da população. A Administração Municipal aguarda a notificação oficial da decisão judicial para avaliar seus termos e definir as providências necessárias a partir de agora". O prefeito Ricardo Nunes (MDB) informou estar acompanhando os desdobramentos da operação "ao mesmo tempo em que temos toda a atenção para que o serviço funcione plenamente, o que tem ocorrido normalmente desde as primeiras horas da manhã". A intenção de Nunes é fazer a intervenção na Transunião. O prefeito ponderou, no entanto, que precisa saber dos detalhes da decisão do juiz que ordenou a operação desta quinta: "Quero fazer a intervenção, só preciso tomar conhecimento do despacho do juiz". "Gostaria de lembrar que assinei dois decretos em 2024 para romper contratos com uma empresa de ônibus que teria relação com o crime organizado. Nossa gestão mantém o compromisso de oferecer o melhor serviço para os 7 milhões de passageiros diariamente na cidade. As medidas cabíveis em relacao à empresa Transunião serão tomadas assim que a administração for notificada pelos órgãos competentes", completou.

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