Encontro dos rios Meia Ponte e Paranaíba impressiona pela beleza em Goiás
Encontro dos rios Meia Ponte e Paranaíba impressiona pela beleza em Goiás O encontro dos rios Meia Ponte e Paranaíba chama a atenção pela diferença de ton...
Encontro dos rios Meia Ponte e Paranaíba impressiona pela beleza em Goiás O encontro dos rios Meia Ponte e Paranaíba chama a atenção pela diferença de tonalidade das águas. Um vídeo gravado por um piloto de paramotor durante um voo entre Itumbiara, no sul de Goiás, e Ipiaçu, em Minas Gerais, registrou o momento em que os dois rios se encontram, em uma paisagem que impressiona pelo contraste. A foz do Rio Meia Ponte fica no município de Cachoeira Dourada, em Goiás, próximo à região da Usina Hidrelétrica de Cachoeira Dourada e na divisa natural entre Goiás e Minas Gerais. Depois de percorrer cerca de 472 quilômetros desde a nascente, na Serra dos Brandões, em Itauçu, o rio deságua no Paranaíba. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Nas imagens, é possível observar uma divisão bastante marcada entre as águas. De um lado, o Paranaíba apresenta uma tonalidade mais clara. Do outro, o Meia Ponte chega com uma coloração mais escura. Mesmo após o encontro, as duas águas permanecem visualmente distintas por determinado trecho. O registro foi feito pelo piloto de paramotor Erick Araújo, que contou que não tinha planejado o voo especificamente para filmar o encontro dos rios. “A diferença da cor da água e o quanto demora a se unirem me chamaram atenção. Já passei por ali várias vezes, mas dessa vez a diferença das águas me chamou atenção então resolvi registrar.”, explicou Erick. LEIA TAMBÉM: Encontro de águas no Rio Araguaia impressiona em Goiás; vídeo Mergulhador encontra anel perdido no Rio Araguaia com detector de metal; vídeo Guia de pesca filma cardume gigante cercando barco no Rio Araguaia; vídeo Por que as águas têm cores diferentes? A diferença visual entre as águas não significa necessariamente que um dos rios esteja contaminado. Em entrevista para a repórter de O Popular, Maria Victória Silva, o biólogo Ludgero Cardoso Galli Vieira, especialista em Ecologia de Reservatórios e Recursos Hídricos, esse tipo de fenômeno é comum quando dois rios com características diferentes se encontram. "Quando um rio acaba desaguando num segundo rio, no rio principal da bacia hidrográfica, as colorações das águas serem diferentes é muito comum. O que varia muito é por quantos metros, qual a distância depois do encontro entre eles, essa coloração persiste", explica Ludgero. Ludgero explica que o Meia Ponte e o Paranaíba percorrem regiões distintas antes de se encontrarem. Nesse caminho, cada um recebe água de diferentes afluentes e passa por áreas com características próprias de solo, geologia e ocupação humana. Entre os fatores que influenciam a aparência da água estão a quantidade de sedimentos carregados pelos rios, os sólidos em suspensão, os nutrientes, a temperatura, o volume de água e a velocidade da correnteza. Além desses elementos, o uso e a ocupação do solo também podem interferir. A presença de cidades, o lançamento de efluentes, atividades agrícolas e pecuárias e a existência de barragens podem modificar as características físicas, químicas e biológicas da água. “São todas características físicas, químicas e, muitas vezes, até biológicas, capazes de diferenciar a coloração das águas entre diferentes rios”, detalha Ludgero. Influência da ação humana O biólogo destaca, ainda em entrevista ao O Popular, que a ação humana pode ser um dos fatores responsáveis pela diferença observada no encontro do Meia Ponte com o Paranaíba, principalmente por causa da ocupação existente ao longo da bacia. Segundo Ludgero, nutrientes como nitrogênio e fósforo podem chegar aos rios por meio de esgoto, resíduos urbanos, atividades industriais e do escoamento superficial provocado pelas chuvas. Esses elementos podem influenciar a composição da água e também as comunidades de organismos que vivem nos rios. Entre elas estão o fitoplâncton, as plantas aquáticas e o zooplâncton. Apesar disso, o especialista ressalta que a diferença de coloração não é necessariamente resultado da interferência humana. O fenômeno também pode ser observado em rios com menor nível de alteração. Como exemplo, ele cita o próprio Rio Araguaia e alguns de seus afluentes, como os rios das Mortes, Cristalino e do Peixe. Nesses locais, segundo o biólogo, também é possível observar por centenas de metros a diferença entre as águas depois do encontro. “Mesmo rios naturais, mais naturais, com menos impactos antrópicos, mesmo esses tipos de rios há diferença de coloração. Mas, sim, o impacto humano, principalmente ali no Meia Ponte, também é, ou provavelmente é, um dos motivos da diferenciação", afirma. Encontro dos rios Meia Ponte e Paranaíba impressiona pela diferença de coloração Reprodução/Redes sociais de Erick Araújo Por que as águas não se misturam imediatamente? A impressão de que os rios correm lado a lado sem se misturar está relacionada às diferenças existentes entre as duas massas de água. De acordo com Ludgero, ainda em entrevista a repórter Maria Victória SIlva, do O Popular,VÍDEOS: últimas notícias de Goiás fatores como velocidade da correnteza, temperatura, quantidade de água e concentração de sedimentos e materiais dissolvidos podem fazer com que a separação visual permaneça por determinado trecho. Isso não significa que as águas não estejam se misturando. O processo ocorre gradualmente e pode levar um percurso maior até que as características visuais de uma massa de água se tornem menos perceptíveis em relação à outra. Um dos rios mais importantes de Goiás O Rio Meia Ponte percorre aproximadamente 472 quilômetros desde sua nascente até a foz no Rio Paranaíba. Ao longo desse trajeto, a bacia hidrográfica do rio tem papel importante para Goiás. A bacia do Meia Ponte é responsável pelo abastecimento da Região Metropolitana de Goiânia e está relacionada ao fornecimento de água para atividades agrícolas, à manutenção de ecossistemas e à geração de energia, alcançando mais de 2 milhões de pessoas. O encontro registrado em Cachoeira Dourada representa, portanto, o fim da trajetória do Meia Ponte e a entrada de suas águas no Rio Paranaíba. Do alto, a diferença entre os dois cursos d'água fica ainda mais evidente e transforma a foz em um cenário que chamou a atenção do piloto durante o voo e, depois, de quem assistiu às imagens. *Michely Loures é integrante do programa de estágio entre TV Anhanguera e Universidade Federal de Goiás (UFG), sob orientação de Gilmara Roberto. 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás VÍDEOS: últimas notícias de Goiás