'Deu uma nevasca histórica': Caminhoneiro gaúcho está preso há 40 dias no Chile
Caminhoneiro gaúcho está preso há 40 dias no Chile após nevascas O caminhoneiro Adrisson Menezes Leite, 41 anos, natural de Passo Fundo (RS), viajou ao Chil...
Caminhoneiro gaúcho está preso há 40 dias no Chile após nevascas O caminhoneiro Adrisson Menezes Leite, 41 anos, natural de Passo Fundo (RS), viajou ao Chile para transportar peças de carreta. Na volta, levaria vinhos chilenos ao Brasil. Era para ser mais uma de tantos transportes que realiza há mais de 20 anos rodando pelas estradas da América do Sul. Desta vez, o roteiro não saiu conforme o planejado. Adrisson está desde o início de julho preso em um ponto próximo a Los Andes, município que fica a cerca de 80 quilômetros da capital Santiago. O país convive com nevascas histórias e, nesta quarta-feira (19), decretou estado de exceção por catástrofe na província de Tocopilla, no norte, após fortes chuvas provocarem enchentes e deslizamentos de terra. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Assim, muitas estradas estão interditadas, tanto por acúmulo de neve na pista quanto por riscos de avalanche ao longo do trajeto. A região de Los Andes, como o nome sugere, fica próxima à Cordilheira dos Andes. “O que aconteceu é que deu uma uma nevasca histórica. Acho que desde 1960 não nevava tanto assim. Esse aqui é o principal ponto de cruzamento e está fechado. Está intransitável a rodovia bem na Cordilheira, que em um lado é a Argentina e no outro é o Chile. Estava dando 10, 12 metros de altura de neve”, relata. Mesmo vivendo na estrada, e há décadas percorrendo o trajeto Chile-Argentina-Brasil, Adrisson nunca tinha ficado tanto tempo preso em território estrangeiro. O caminhoneiro Adrisson Menezes Leite, natural de Passo Fundo (RS), está preso no Chile há 40 dias após nevasca. Arquivo pessoal “Faz anos que venho pra cá, desde os anos 2000 viajo e é a primeira vez que fico tantos dias aqui para o lado chileno por causa de nevasca. A gente geralmente ficava uma semana, 10, 15 dias. Mas mais de 40 dias no mesmo lugar é a primeira vez. O gaúcho está vivendo há 41 dias em um estacionamento que fica ao lado de um posto de combustível. Dorme no caminhão, cozinha no caminhão. No local, ele conta que há cerca de 50 brasileiros na mesma situação. Eles se revezam para fazer compras no mercado mais próximo, que fica a seis quilômetros de distância. Parados, os trabalhadores ficam sem receber, enquanto os custos da estadia improvisada aumentam. “A gente põe o caminhão dentro do estacionamento, paga uma diária que dá em torno de R$ 40 e tem chuveiro, tem um guarda ali. É um negócio meio precário, mas na rua é mais perigoso. Todos esses dias já foram 400 dólares. Aqui a carne bovina é muito cara, então a gente só come no domingo. De segunda a sábado é frango e porco”, conta. Para passar o tempo, Adrisson ajusta peças do caminhão, aperta parafusos e joga carta com os parceiros de estrada. Às terças, formaram um grupo para jogar futebol em uma quadra próxima. A tranquilidade é essencial para manter a calma em momentos de ansiedade. “Tem que manter a calma para não brigar, não ter desavenças com ninguém. Todo mundo quer ir para casa ver os filhos, ver a esposa, comer uma coisa diferente, depois de todo esse tempo parado aqui fazendo a mesma coisa”, diz o gaúcho." Adrisson tem dois filhos e uma filha esperando por ele em Passo Fundo, além da esposa. A nova perspectiva de abertura das rodovias é para a próxima sexta-feira (21). “A vontade de todo mundo ir embora. Além da saudade, tem a questão que todo mundo tá parado e quem tá parado não ganha nada, só tá gastando.” VÍDEOS: Tudo sobre o RS