Comissão que negocia futuro da concessão de Viracopos discute antecipar obra de segunda pista

Comissão que negocia futuro da concessão de Viracopos discute antecipar obra de 2ª pista A Comissão de Autocomposição responsável por negociar o futuro d...

Comissão que negocia futuro da concessão de Viracopos discute antecipar obra de segunda pista
Comissão que negocia futuro da concessão de Viracopos discute antecipar obra de segunda pista (Foto: Reprodução)

Comissão que negocia futuro da concessão de Viracopos discute antecipar obra de 2ª pista A Comissão de Autocomposição responsável por negociar o futuro da concessão do Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), tem discutido antecipar a obra da segunda pista de pouso e decolagem. O grupo deverá concluir as conversas até 10 de junho, conforme publicação no Diário Oficial da União. Segundo apurou o g1, a expansão do aeroporto estava, até então, atrelada a uma meta de 178 mil pousos e decolagens por ano. Quando o local atingisse esse número, a concessionária Aeroportos Brasil Viracopos seria obrigada, por contrato, a executar a obra. Atualmente, esse número está em torno de 124 mil movimentações. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp A discussão no âmbito da comissão, que conta também com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e o Ministério de Portos e Aeroportos, busca "antecipar" essa construção. Ou seja, com a renovação da concessão, a responsável pelo aeroporto já teria de fazer a pista extra. Em nota, a Aeroportos Brasil Viracopos informou "que não vai se manifestar sobre o assunto tendo em conta o termo de confidencialidade (NDA) firmado pelas partes, com vigência equivalente à duração dos trabalhos da Comissão de Autocomposição". Já o Ministério de Portos e Aeroportos disse que tem acompanhado as discussões e reforçou que "segue estritamente as diretrizes técnicas para a resolução do caso", mas não deu mais informações por conta do processo tramitar em sigilo. A Anac foi procurada, mas não respondeu até a última atualização desta matéria. Discussão antiga Execução da segunda pista até então estava atrelada a uma meta de pousos e decolagens André Galassi/EPTV A segunda pista de pouso e decolagem é uma demanda antiga e estava prevista em um plano apresentado pela concessionária quando assumiu Viracopos, em junho de 2012. O contrato previa cinco ciclos de investimento, mas apenas um foi realizado. A segunda pista estava entre as principais mudanças dos outros ciclos, assim como a implantação do aeroporto-cidade, que dependiam do aumento do fluxo de voos para 178 mil pousos e decolagens/ano. Ainda em 2012, a concessionária anunciou a intenção de antecipar a construção da pista extra, inicialmente prevista para 2018. Posteriormente, esse prazo foi recalculado para 2017, mas o projeto nunca saiu do papel. A falta de uma segunda pista deixou o aeroporto inoperante durante 45 horas em outubro de 2012, após um cargueiro quebrar e impedir a chegada e saída de outras aeronaves. Além disso, a alternativa chegou a ser considerada estratégica para atrair outros voos internacionais. Comissão prorrogada Perspectiva com o plano de ampliação do Aeroporto de Viracopos em Campinas Divulgação / Aeroportos Brasil Viracopos Em abril de 2026, o Ministério de Portos e Aeroportos publicou uma portaria que prorrogou, pela segunda vez, a duração da Comissão de Autocomposição até 10 de junho deste ano. ✈️ Entenda: com o encerramento do processo de relicitação do terminal, a operação no aeroporto poderia voltar para o governo (entrar em caducidade) ou, então, a concessionária se manteria à frente do terminal. A Comissão de Autocomposição de Viracopos foi criada em outubro de 2025 para buscar uma solução para a concessão por meio do diálogo entre o poder público e a concessionária. No documento, o órgão federal apontou que a "maioria dos temas inicialmente elencados para discussão já foi objeto de consenso entre as partes", mas que ainda faltavam assuntos a serem consolidados. Em janeiro deste ano, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPOR) confirmou que discutia, na Comissão, a possibilidade de incluir "outros ativos" na concessão do Aeroporto de Viracopos. Na época, o g1 apurou que uma das possibilidades em estudo envolvia a inclusão de seis aeroportos do Norte e do Nordeste no acordo, três deles no Amazonas (AM), um no Pará, outro no Acre e mais um na Bahia - veja lista abaixo: Tarauacá (AC) Barcelos (AM) Itacoatiara (AM) Itaituba (PA) Parintins (AM) Guanambi (BA) Impasse na concessão Imagem de arquivo da fachada do Aeroporto de Viracopos em Campinas (SP) Reprodução/EPTV O processo de relicitação de Viracopos não avançou porque o prazo legal para publicação do edital venceu em 2 de junho de 2025, conforme determina a Lei de Relicitações, que prevê dois anos desde a abertura do processo. A relicitação seria retomada após o fracasso da tentativa de solução consensual entre a concessionária e o governo federal. O impasse central era o cálculo da indenização devida pela Anac à ABV, tanto pelos investimentos realizados desde 2012 quanto por possíveis ressarcimentos futuros. O TCU exigiu que a Anac contratasse uma auditoria para definir esse valor antes do lançamento do edital. A contratação foi aprovada, mas o documento nunca chegou a ser publicado, o que paralisou o processo. De acordo com o TCU, outra razão para a solução consensual não ter avançado foram as dificuldades colocadas pela concessionária. Crise e tentativas de solução Imagem de arquivo do Aeroporto de Viracopos em Campinas (SP) Ricardo Lima Viracopos, quinto aeroporto mais movimentado do país, enfrenta uma crise financeira desde 2017. Na época, a concessionária pediu recuperação judicial e depois aderiu à relicitação, sendo o primeiro aeroporto brasileiro a adotar esse caminho. A partir de 2023, com a melhora dos resultados financeiros e o aval do Ministério de Portos e Aeroportos, a ABV tentou encerrar a relicitação e retomar a solução amigável no TCU, buscando manter o contrato. O principal entrave nas negociações da Secretaria de Controle Externo de Solução Consensual e Prevenção de Conflitos (SecexConsenso), órgão do TCU, foi a divergência sobre o valor da indenização. Após o arquivamento do processo, a concessionária levou o tema à arbitragem judicial. Paralelamente, a Anac calculou o ressarcimento em R$ 2,5 bilhões, referentes a investimentos ainda não amortizados até 31 de dezembro de 2022. De recuperação à relicitação Imagem de arquivo do Aeroporto de Viracopos em Campinas (SP) Divulgação/Viracopos O último plano de recuperação judicial do aeroporto foi protocolado em dezembro de 2019 e aprovado em fevereiro de 2020, após acordo entre a concessionária, a Anac e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A Justiça encerrou a recuperação em dezembro de 2020, e o processo de relicitação começou logo depois. O edital foi aprovado em agosto de 2021. A Aeroportos Brasil Viracopos já havia manifestado o interesse em devolver a concessão em 2017, mas o processo travou porque a Lei nº 13.448/2017, que regulamenta relicitações de concessões públicas, só foi regulamentada em 2019. Reestruturação financeira Com a melhora financeira, o aeroporto voltou a registrar recordes de passageiros em 2022 e 2023, o que reforçou o argumento da concessionária de que a continuidade da gestão privada seria mais vantajosa do que uma nova licitação. A dívida total da ABV chegou a R$ 2,88 bilhões, referentes a outorgas atrasadas e débitos bancários incluídos no processo de arbitragem. Atualmente, a Infraero detém 49% das ações de Viracopos. Os outros 51% pertencem à UTC Participações (28,41%), Triunfo Participações (68,65%) e Egis (2,94%), que juntas compõem a concessionária Aeroportos Brasil Viracopos. 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