Celular no banheiro aumenta em 46% o risco de hemorroidas, aponta estudo

Levar o celular para o banheiro e passar vários minutos rolando a tela virou um hábito comum e cada vez mais preocupante para médicos. Um estudo publicado na...

Celular no banheiro aumenta em 46% o risco de hemorroidas, aponta estudo
Celular no banheiro aumenta em 46% o risco de hemorroidas, aponta estudo (Foto: Reprodução)

Levar o celular para o banheiro e passar vários minutos rolando a tela virou um hábito comum e cada vez mais preocupante para médicos. Um estudo publicado na revista científica PLOS One revelou que pessoas que usam o aparelho enquanto estão sentadas no vaso sanitário permanecem mais tempo no banheiro e apresentam aumento de 46% no risco de desenvolver hemorroidas. Embora o assunto ainda seja cercado de tabu e constrangimento, mais da metade dos adultos já teve ou terá hemorroidas em algum momento da vida. Para especialistas, o uso do celular durante a evacuação se tornou apenas a versão digital de um comportamento antigo: levar revistas, jornais ou livros para o banheiro. A diferença é que, agora, o conteúdo praticamente não tem fim. Em entrevista ao podcast do Bem-Estar, o proctologista Leonardo Castro explicou que os próprios livros de medicina já alertavam há décadas sobre o hábito de permanecer muito tempo sentado no vaso sanitário. Na era digital isso se alastrou. Segundo ele, o celular ampliou ainda mais o tempo de permanência no banheiro porque concentra diferentes formas de entretenimento, notícias e redes sociais em um único aparelho. Vídeos em alta no g1 O que acontece no corpo durante a evacuação? Segundo Castro, a posição adotada para evacuar altera o ângulo entre o reto e o ânus para facilitar a saída das fezes. Por isso, o vaso sanitário costuma ser mais baixo que uma cadeira convencional. Apesar dessa adaptação anatômica favorecer a evacuação, ela também aumenta a pressão dentro da pelve e do canal anal, provocando maior congestão dos vasos sanguíneos da região. Celular no banheiro aumenta em 46% o risco de hemorroidas, aponta estudo Adobe Stock “Se você fica mais tempo que o necessário, você está mais suscetível ao aumento dessa congestão venosa, dessa congestão vascular”, explicou o especialista. E é justamente esse aumento da congestão venosa que está relacionado ao desenvolvimento das hemorroidas. Existe um tempo ideal no banheiro? O médico afirma que não existe um limite exato universalmente definido para evacuar, mas períodos superiores a quatro ou cinco minutos já podem favorecer danos relacionados à congestão vascular da região anal. Segundo ele, o mais importante é que a evacuação ocorra de forma completa e sem esforço excessivo. Castro também chama atenção para pessoas com prisão de ventre, que acabam permanecendo muito tempo tentando evacuar. Nesses casos, o tempo prolongado no vaso pode piorar ainda mais os sintomas intestinais e favorecer crises hemorroidárias. O que são as hemorroidas? As hemorroidas são dilatações e congestões das veias localizadas na região anal. Pessoas predispostas podem apresentar quadros mais intensos, com sintomas como: sangramento; dor; coceira; sensação de inchaço ao redor do ânus. Segundo o proctologista, a doença está diretamente relacionada aos hábitos intestinais e ao estilo de vida. Prisão de ventre, fezes endurecidas, pouca ingestão de água, alimentação pobre em fibras e sedentarismo podem piorar o quadro. “O consumo de água, de fibras e a realização de exercícios físicos constantes estão dentro do nosso arsenal de tratamento e cuidados que a gente deve ter com a saúde”, afirmou. O médico também destacou que fatores como estresse, ansiedade, rotina acelerada e alimentação rica em ultraprocessados e fast food acabam contribuindo para hábitos intestinais inadequados. Gestação e histórico familiar podem aumentar o risco Algumas condições aumentam a predisposição ao desenvolvimento de hemorroidas. A gestação, especialmente no último trimestre, é uma delas. Isso acontece devido ao aumento da congestão vascular e venosa da pelve durante esse período. A condição também é mais frequente em adultos do que em crianças. Além disso, o especialista afirma que muitos pacientes relatam histórico familiar da doença. Prisão de ventre não causa necessariamente hemorroida Apesar de a constipação ser um dos principais fatores de piora da doença hemorroidária, o especialista explica que nem toda pessoa com intestino preso desenvolverá hemorroidas. Por outro lado, quem já apresenta a condição tende a ter mais dor e sangramento quando sofre com prisão de ventre. Segundo Castro, a primeira recomendação para pacientes com doença hemorroidária é melhorar a saúde intestinal. “Não há cirurgia, não há procedimento mágico que vá resolver se você não tiver primeiro uma atenção especial com a sua saúde intestinal”, afirmou. Sangue oculto nas fezes e colonoscopia: como identificar e prevenir o câncer colorretal Sangramento pode indicar outras doenças O sangramento é um dos sintomas que mais preocupam os especialistas. Mas o médico alerta que nem todo sangramento necessariamente é hemorróida. As hemorroidas internas costumam sangrar com mais frequência, enquanto as externas geralmente provocam mais dor. Mas o sangue nas fezes também pode indicar doenças mais graves, incluindo câncer intestinal, que tem aumentado entre pessoas jovens. Câncer colorretal deve causar 635 mil mortes e perdas bilionárias no Brasil até 2030 Fissura e fístula anal podem causar confusão Outras doenças anais também podem provocar sintomas parecidos com os das hemorroidas, dificultando o diagnóstico sem avaliação médica. A fissura anal é descrita como um pequeno rasgo ou lesão aberta no canal anal, frequentemente associada a fezes endurecidas e prisão de ventre. Os sintomas mais comuns são dor intensa e sangramento. Já a fístula anal é uma comunicação anormal entre o canal anal e a pele ao redor do ânus, geralmente causada por infecção. Segundo Castro, é comum pacientes chegarem ao consultório acreditando ter hemorroida e descobrirem outro diagnóstico após o exame físico especializado. Hemorroida pode piorar ao longo do tempo O proctologista afirma que a hemorroida não se transforma em câncer nem evolui para fissura ou fístula. Porém, ela pode aumentar de gravidade com o passar do tempo se não houver tratamento adequado. A doença é dividida em quatro graus. Casos leves podem ser tratados com mudanças de hábitos e cuidados intestinais. Quadros mais avançados podem exigir procedimentos no consultório ou cirurgia. Entre os tratamentos citados pelo especialista estão: alimentação rica em fibras; aumento da ingestão de água; prática regular de exercícios físicos; uso de pomadas para alívio dos sintomas; ligaduras elásticas realizadas em consultório; cirurgia nos casos mais graves. Laxantes podem ajudar? Segundo Castro, laxantes podem ser utilizados por pessoas com prisão de ventre porque ajudam na regularização do intestino. Mesmo assim, ele reforça que a prioridade deve ser a mudança dos hábitos de vida, com melhora da alimentação, aumento da ingestão de fibras e água e prática de exercícios físicos. Papel higiênico pode piorar sintomas Além de reduzir o tempo no banheiro e evitar o celular durante a evacuação, o médico também recomenda evitar o uso excessivo de papel higiênico. Segundo ele, o ideal é priorizar água e sabão para a higiene da região anal. Banquinho pode facilitar evacuação Algumas pessoas utilizam pequenos bancos para elevar as pernas enquanto usam o vaso sanitário. Segundo o especialista, isso pode ajudar determinados pacientes porque aumenta o ângulo entre o reto e o canal anal, facilitando a saída das fezes. A posição se aproxima da posição de cócoras, considerada mais fisiológica e semelhante à forma como os ancestrais evacuavam antes da existência dos vasos sanitários. No fim da entrevista, o médico reforçou o principal alerta: sangue nas fezes nunca deve ser ignorado.

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